REVISTA DE IMPRENSA || Dermatologistas faziam as cirurgias durante as consultas e eram contabilizadas como exames
A administração do Hospital de Santa Maria exigiu cirurgias adicionais aos dermatologistas, avança o jornal Expresso que dá conta que a situação remontará a 2020 e terá tido como objetivo aumentar o financiamento do estado ao hospital. Os dermatologistas faziam as cirurgias durante as consultas e eram contabilizadas como exames.
De acordo com o semanário, os próprios dermatologistas alertaram os gestores para os valores muito elevados de alguns atos, que revertiam tanto para as equipas como para o hospital. Inicialmente, os médicos realizavam as cirurgias durante as consultas, sem qualquer compensação adicional. Com a mudança de codificação, os atos passaram a gerar receita direta para o hospital, sem aumentar os rendimentos dos profissionais. Meses depois, a administração solicitou produção adicional aos sábados, com incentivo financeiro também para os médicos.
A atividade ‘fora de horas’ cresceu rapidamente, chegando a representar 35% do total de cirurgias, acima do limite permitido. Apesar dos alertas internos sobre os custos e os riscos, a produção adicional não foi travada. O hospital temia que limitar as cirurgias levasse à transferência de doentes para o privado, com custos muito superiores.
A estratégia da administração consistiu em passar a registar procedimentos realizados em consulta como cirurgias de ambulatório, permitindo ao hospital cobrar valores superiores ao SNS.
O caso continua sob investigação por parte da Inspeção da Saúde, Ministério Público e Parlamento. Até ao momento, não há provas de fraude ou de cirurgias realizadas sem justificação clínica.