"Torna-se arriscado parir em Portugal". Sindicato dos Médicos lança duras críticas à gestão do Serviço Nacional de Saúde

11 jun, 22:57

Em comunicado, lamentam que as denúncias que têm sido feitas se tenham tornado, de facto, uma realidade catastrófica

Braga, Santarém, Caldas da Rainha, Setúbal, Barreiro, Almada, S. Francisco Xavier, Amadora-Sintra e Beatriz Ângelo. São estes os hospitais onde desde sexta-feira se verificam constrangimentos nos serviços de urgências de Obstetrícia e Ginecologia. Todos eles por falta de profissionais. 

O problema é de tal dimensão que na sexta-feira foi conhecido o caso de uma grávida que perdeu o bebé alegadamente por falta de obstetras no hospital das Caldas da Rainha. A urgência estava encerrada. 

Num comunicado divulgado este sábado, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) disse que tem vindo a denunciar este problema há muito tempo e, por isso mesmo, está a tornar-se, como diz o título da nota, "arriscado parir em Portugal". 

"Muitos dos serviços estão a funcionar abaixo dos mínimos desejáveis e em situação de risco acrescido profissional e de erro médico, dada a ultrapassagem dos limites individuais diários, semanais e mensais do trabalho suplementar prestado. Os casos de burn out profissional acumulam-se e a possibilidade de manifestação súbita de doença é cada vez mais uma possibilidade e realidade".

Lamentam que as denúncias que têm sido feitas se tenham tornado, de facto, uma realidade que levou a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) a reconhecer que "apesar dos esforços desenvolvidos não foi possível ultrapassar os constrangimentos". 

Mas o mais grave deste cenário, explica o SIM, é que no Serviço Nacional de Saúde (SNS) "ainda nem sequer teve início o período de férias, em que este tipo de situação se agrava e se repete, ano após ano". E alertam: "Face às difíceis condições de trabalho, até os médicos prestadores de serviço/tarefeiros (que são pagos por quantias 5 ou 6 vezes superiores às dos seus colegas que dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, asseguram o atendimento de urgência - e não só - os 365 dias do ano) começam a recusar chorudas ofertas". 

Perante isto, deixam "duas palavras finais". Perante a tragédia que aconteceu no Hospital das Caldas da Rainha, "será que o anunciado inquérito da IGAS se atreverá a apontar o dedo à tutela pela falta de resposta à carência de médicos especialistas de Obstetrícia /Ginecologia para integrar as equipas de urgência?".

E a segunda, as reuniões pedidas à tutela que continuam por agendar: "A Srª Ministra Marta Temido sabe que nada se resolverá se não conseguir captar e fixar médicos no SNS através do justo reconhecimento salarial da especificidade, risco e penosidade do seu trabalho. E tal é, como se vê, inultrapassável. Reconhecida a necessidade de ser aberto e desenvolvido um procedimento negocial rápido e consequente com os sindicatos médicos, quase um mês depois do primeiro encontro estes continuam a aguardar por propostas concretas do Ministério da Saúde, e por uma agenda e calendário negociais". 

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