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"Temos de encontrar mecanismos para que o SNS seja competitivo, primeiro, do ponto de vista do prestígio"

CNN Portugal , MJC
26 dez 2021, 23:23

Adalberto Campos Fernandes defende que para resolver os grandes problemas do Serviço Nacional de Saúde é preciso repensar as relações trabalho dos médicos, enfermeiros e outros profissionais

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Confrontado com os recentes pedidos de demissão de médicos que ocupam cargos de chefia em diversos hospitais Adalberto Campos Fernandes, antigo ministro da Saúde e comentador da CNN, reconhece que "estamos perante um problema estrutural" que tem a ver com as relações de trabalho e a organização dos serviços no Serviço Nacional de Saúde". Sem mexer nestes dois pontos, pode-se continuar a investir no SNS e a contratar profissionais mas não se resolve o problema.

À CNN, Campos Fernandes diz que compreende que os médicos estão a tentar chamar a atenção dos responsáveis políticos para a grave crise que o SNS enfrenta. "As escolhas que nós fazemos na saúde são sempre um problema político", diz. 

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"Para problemas estruturais tem de haver respostas estruturais, e não se pode fazer de conta que o elefante não está dentro da sala", diz na entrevista a Cristina Reyna. "Este problema tem de ser resolvido olhando para a relação dos médicos, dos enfermeiros e dos outros profissionais de saúde com o SNS", explica, sublinhando que as relações de trabalho não se esgotam no vencimento, embora este seja importante. Têm a ver também, por exemplo, com o percurso profissional - com as expectativas que os profissionais têm e com as alternativas que têm.

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Não podendo o Estado competir com os ordenados dos privados, Campos Fernandes fala na importância de garantir a dignidade das condições de trabalho e a expectativa de uma carreira que valorize as pessoas. 

"Temos de encontrar mecanismos para que o Serviço Nacional de Saúde seja competitivo, primeiro, do ponto de vista do prestígio, da reputação." O que pode atrair um jovem profissional?

"Os médicos e os enfermeiros não são, por natureza, funcionários. São profissionais que precisam de um grande grau de autonomia", sublinha o comentador da CNN. 

Do ponto de vista política, diz este especialista, o objetivo é sempre "a qualidade assistencial e a resposta que é dada aos portugueses". Se não há capacidade para dar uma resposta cem por cento pública, "então é preciso definir as relações de fronteira, quais são os equilíbrios", quais as prioridades e que ajuda é que o SNS precisa.

Adalberto Campos Fernandes admite que a resposta à pandemia contribuiu para o aumento da contratação de serviços externos e também do pagamento das horas extraordinárias. "Nenhum profissional gosta, até porque isso é um sacrifício enorme para a sua vida pessoal, de passar a vida dentro do hospital, por muito dinheiro que traga para casa", afirma. "Há pessoas que passam 30 ou 40 horas a mais nos serviços."

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Apesar disto tudo, este especialista acredita que os portugueses mantêm a confiança no Serviço Nacional de Saúde e só espera que, na campanha eleitoral que se aproxima, os políticos percebam a importância deste tema.

 

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