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Ordem dos Médicos e gestores hospitalares alarmados: listas de espera estão a aumentar por falta de orçamento

28 mar, 15:44

Corte de 887 milhões impede hospitais de enfrentar crise de preços

Os hospitais terão de reduzir cirurgias, consultas, exames e demais actos médicos se o Orçamento de Estado (OE) não for corrigido. “O orçamento já era curto. Agora, num contexto de inflação e aumento dos custos, é inevitável que seja reforçado”, apela o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Xavier Barreto.

O problema agravou-se com a guerra no Irão, mas começou no Conselho de Ministros. O OE para 2026 consagrou um corte de 887 milhões de euros (10%) na rubrica de aquisições de bens e serviços. “Temos um aumento das necessidades e, ao mesmo tempo, um travão orçamental”, lamenta o bastonário da Ordem dos Médicos. “Se há desperdício, vamos identificá-lo e cortar nesse desperdício. Não podemos é, com um corte cego, atirar mais doentes para uma lista de espera de mais de um milhão de pessoas para uma consulta e 300 mil para cirurgia, isso é totalmente inaceitável”, protesta Carlos Cortes.

Estado investe menos do que os outros países

De acordo com o último relatório de indicadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), publicado no ano passado, o Estado português investe menos 30% em saúde do que a média dos 38 países desenvolvidos analisados. A despesa pública por cidadão é de 2.900€ por ano em Portugal, contra uma média de 4.140€ nos 38 países da OCDE.

“É muito importante desmistificar a ideia de que temos pouco retorno para aquilo que gastamos. É uma ideia falsa, que infelizmente tem sido promovida por muitas pessoas em Portugal. O nosso Serviço Nacional de saúde, quando o comparamos com outros serviços nacionais de saúde de toda a OCDE, tem excelentes resultados para aquilo que gasta”, declara Xavier Barreto.

Já a despesa privada em saúde é maior em Portugal. Cada português paga do próprio bolso, em média, 1.840€ por ano em saúde, contra a média de 1.380€ dos cidadãos dos 38 países da OCDE.

O relatório “Health at a Glance 2025”, alerta os governos para a pressão que o envelhecimento e as doenças crónicas farão sobre os sistemas de saúde. A OCDE estima que o peso da despesa pública em saúde no produto interno bruto (PIB) deverá aumentar cerca de 1,5 pontos percentuais até 2045. Os Estados deveriam apostar mais na prevenção, até porque “mais despesa não garante melhores resultados”.

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