Tribunal de Hong Kong considera "culpados" três ativistas ligados à vigília de Tiananmen

Agência Lusa , CF
4 mar 2023, 08:36
Hong Kong saiu à rua para mais um dia de protestos

Chow Hang-tung, Tang Ngok-kwan e Tsui Hon-kwong foram detidos em 2021, durante a repressão do movimento pró-democracia em Hong Kong

Três membros de um grupo de Hong Kong, ligado à organização de vigílias pelas vítimas do massacre de 1989 em Pequim, foram este sábado considerados culpados por um tribunal da região, por se recusarem a colaborar com uma investigação policial.

Chow Hang-tung, Tang Ngok-kwan e Tsui Hon-kwong foram detidos em 2021, durante a repressão do movimento pró-democracia na antiga colónia britânica, na sequência de mais de dois anos de protestos massivos.

Os três membros eram líderes da Aliança de Hong Kong de Apoio aos Movimentos Democráticos Patrióticos da China, antes desta ser dissolvida, na sequencia da entrada em vigor da lei de segurança nacional, imposta por Pequim naquele território.

A aliança era mais conhecida por organizar em Hong Kong vigílias para assinalar o aniversário do movimento de repressão dos protestos pró-democracia de 1989, na Praça da Paz Celestial (Tiananmen) em Pequim.

Críticos olham para a dissolução do grupo como um sinal de que as liberdades prometidas a Hong Kong em 1997, aquando da transferência de soberania para a China, estão a desaparecer.

Antes de a aliança votar pelo encerramento, a polícia procurou informações sobre operações e finanças relacionadas com supostos vínculos a grupos democráticos no exterior, em agosto de 2021, acusando-a de ser um agente estrangeiro.

No entanto, os membros recusaram-se a colaborar, argumentando que a polícia estava a rotular arbitrariamente as organizações pró-democracia como forças externas. Alegaram, além disso, que as autoridades policiais não tinham o direito de pedir informações, já que a aliança não era um agente estrangeiro.

Segundo a lei de segurança nacional, o chefe da polícia pode solicitar uma série de informações a um agente estrangeiro. O incumprimento do pedido pode resultar numa condenação de seis meses de prisão e multa de cem mil dólares de Hong Kong (11,9 mil euros).

O juiz Peter Law considerou este sábado que os réus eram obrigados a responder à notificação "sólida e legal" recebida e que o não cumprimento era injustificado.

A aliança operou ativamente com várias entidades e pessoas no estrangeiro, notou Law, justificando a necessidade de explorar relações e ligações do grupo.

Chow Hang-tung e outros dois líderes da aliança, Lee Cheuk-yan e Albert Ho, foram acusados em 2021 de incitamento à subversão do poder do Estado à luz da lei de segurança nacional. A própria aliança foi acusada de subversão.

A lei de segurança nacional criminaliza a secessão, a subversão e o conluio com forças estrangeiras para interferência nos assuntos da cidade, assim como o terrorismo.

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