Taiwan reabre portas a viagens em grupo de Macau e Hong Kong

Agência Lusa , AM
4 nov, 06:08
Visita de Nancy Pelosi a Taiwan (Associated Press)

Vai ainda voltar a ser permitida a entrada de cidadãos da China continental que pretendam estudar nas universidades da ilha, em cursos que não conferem grau académico

Agências de viagens de Macau disseram hoje não esperar muito interesse pelo anúncio de Taiwan de voltar a aceitar viagens de grupo do território e de Hong Kong, numa medida que também inclui universitários da China.

Duas agências de viagens de Macau disseram à Lusa não terem recebido até ao momento qualquer pedido de informação sobre estas viagens em grupo. Uma porta-voz da STDM Tours Travel Agency Ltd disse que “não é realista” esperar grande interesse.

Ao contrário de quem chega ao território oriundo da China continental, passageiros vindos de Hong Kong ou do estrangeiro, incluindo de Taiwan, são obrigados a cumprir uma quarentena de sete dias num quarto de hotel, seguido de três dias de “autovigilância médica”, ao abrigo da política "zero covid" imposta por Pequim.

“Ninguém tem assim tantas férias”, sublinhou a porta-voz da STDM Tours Travel Agency. Segundo a lei laboral, em Macau, um trabalhador que esteja numa empresa há menos de dez anos tem direito a gozar cinco dias de férias anuais.

Sara Ng, gerente da agência Sincerity Travel, acrescentou que “é muito difícil reservar um quarto” nos hotéis designados e a estada “é muito cara”.

Na quinta-feira, o Ministério dos Assuntos Continentais de Taiwan anunciou que vai voltar a aceitar, a partir de segunda-feira, grupos de cinco a 40 visitantes, vindos de Hong Kong e Macau, para visitas à ilha durante um máximo de 15 dias, em excursões organizadas por agências registadas junto do Gabinete de Turismo de Taiwan.

No mesmo comunicado, o Ministério dos Assuntos Continentais de Taiwan anunciou também que volta a aceitar a entrada de trabalhadores qualificados ou visitantes de Macau e Hong Kong, que pretendam participar em atividades religiosas.

Até ao momento, residentes das duas regiões chinesas só podem entrar em Taiwan por motivos de visita familiar, negócios ou para participar em funerais.

Taiwan vai ainda voltar a permitir a entrada de cidadãos da China continental que pretendam estudar nas universidades da ilha, em cursos que não conferem grau académico.

Na semana passada, o porta-voz do Escritório para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, Ma Xiaoguang, disse que a China “está mais perto do que nunca” de alcançar a “reunificação total” com Taiwan.

As tensões entre Pequim e Taipé aumentaram nos últimos meses, com Pequim a lançar os maiores exercícios militares de sempre em torno da ilha.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, depois de ser derrotado pelas forças comunistas.

Em 13 de outubro, Taiwan tinha reaberto por completo as fronteiras, fechadas desde 2020 devido à pandemia da covid-19, sem impor uma quarentena obrigatória aos visitantes.

A chegada de pessoas vindas do estrangeiro ficou limitada a 150 mil por semana e os viajantes terão de monitorizar o estado de saúde durante a primeira semana, informou a CNA, agência oficial de notícias da ilha.

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