Há mais oito detidos na sequência do trágico incêndio em Hong Kong. Número de mortos não pára de subir

CNN , Chris Lau, Samra Zulfaqar, Fred He e Helen Regan
28 nov, 14:45
Hong Kong

Os detidos são dois responsáveis do gabinete de estudos encarregado pelos trabalhos de renovação, dois chefes de obra, três subcontratantes de andaimes e um intermediário

O número de mortos no devastador incêndio no complexo residencial de Hong Kong subiu para 128 e há ainda 200 pessoas desaparecidas, anunciaram as autoridades esta sexta-feira, ao mesmo tempo que comunicaram mais oito detenções relacionadas com a tragédia.

O inferno espalhou-se rapidamente num conjunto habitacional público no bairro de Tai Po, na quarta-feira, deixando dezenas de pessoas encurraladas. Com as autoridades a alertarem que o balanço poderá ainda aumentar, aumenta também o foco sobre o que terá causado o pior incêndio das últimas décadas no território.

Os alarmes de incêndio nos oito edifícios do complexo estavam “não funcionais”, concluíram os responsáveis após inspeções feitas depois da tragédia, segundo o diretor dos Serviços de Bombeiros, Andy Yeung. Não é claro se o sistema de alarme estava operacional no dia do incêndio, embora moradores tenham dito à CNN que o alarme do prédio não tocou.

“Sobre isto, iremos tomar medidas de aplicação da lei”, afirmou Yeung.

Oito pessoas foram detidas esta sexta-feira no âmbito das investigações em curso, segundo o organismo anticorrupção da cidade, incluindo dois diretores de uma empresa de consultoria que assessorava as obras de manutenção no complexo, dois gestores de projeto responsáveis pela supervisão dos trabalhos, três subempreiteiros de andaimes e um intermediário.

Três homens que trabalhavam para uma das empresas de construção já tinham sido detidos no início da semana, suspeitos de “negligência grosseira".

O incêndio abalou profundamente a cidade repleta de arranha-céus, habitualmente reconhecida por fortes padrões de segurança pública e de construção.

Moradores deslocados e sobreviventes, muitos dos quais enfrentaram a terceira noite em abrigos temporários esta sexta-feira, questionam como é que uma tragédia desta dimensão pôde acontecer, enquanto outros aguardam desesperadamente por notícias sobre familiares desaparecidos.

A causa do incêndio ainda não foi determinada, e a investigação policial sobre o motivo pelo qual as chamas se espalharam tão rapidamente de um edifício para outro, transformando um fogo num único bloco em múltiplos incêndios simultâneos em vários andares, deverá demorar entre três a quatro semanas, segundo Yeung.

As famílias das vítimas mortais irão receber 200.000 dólares de Hong Kong (cerca de 22.200 euros), anunciou a secretária para os Assuntos Internos e da Juventude, Alice Mak, esta sexta-feira.

Já os agregados afetados pelo incêndio receberão também um subsídio de subsistência de 50.000 dólares de Hong Kong (cerca de 5.560 euros) na próxima semana.

As autoridades acreditam que o incêndio começou nos pisos inferiores de Wang Cheong House, o Bloco 6 dos oito edifícios que compõem Wang Fuk Court, um complexo densamente povoado que albergava mais de 4.000 residentes, muitos deles idosos.

Wang Fuk Court encontrava-se em obras no momento da tragédia, e os oito edifícios estavam cobertos por andaimes de bambu e malha protetora verde. A polícia encontrou o nome da empresa de construção em placas de poliestireno inflamável que os bombeiros descobriram a bloquear algumas janelas do complexo.

“Isto incendiou as redes de malha e espalhou-se rapidamente para as placas de poliestireno à volta das janelas, provocando incêndios noutros pisos e edifícios”, explicou o secretário para a Segurança de Hong Kong, Chris Tang.

“Depois de o poliestireno pegar fogo, as altas temperaturas fizeram estilhaçar as janelas, permitindo que o incêndio se propagasse ao interior.”

À medida que a malha e os andaimes de bambu ardiam e colapsavam, espalhavam as chamas a outros pisos. Bombeiros e moradores enfrentaram condições extremas dentro do edifício, com temperaturas acima dos 500 graus, acrescentou.

Tang afirmou que a malha cumpria as normas de segurança.

Entre as 16 inspeções que o Departamento do Trabalho realizou às obras de manutenção desde o ano passado, a mais recente ocorreu menos de uma semana antes do incêndio, garantiu Chris Sun, secretário para o Trabalho e Bem-Estar, esta sexta-feira.

Sun explicou que a última inspeção ocorreu após uma queixa de que alguns trabalhadores estavam a fumar.

“Nessa altura, foi emitido um lembrete escrito sobre a segurança contra incêndios, instruindo o empreiteiro a reforçar as suas medidas de prevenção”, acrescentou.

Os esforços de combate às chamas foram ainda complicados pelo reacendimento de alguns fogos dentro de unidades do edifício, mesmo depois de terem sido extintos pelos bombeiros.

O Departamento do Trabalho está a agir em conjunto com os consulados da Indonésia e das Filipinas para ajudar empregadas domésticas estrangeiras que viviam no edifício, afirmou Sun. Estes trabalhadores são normalmente obrigados pelos seus contratos a residir na mesma casa que os seus empregadores.

As vítimas mortais serão identificadas e os seus corpos serão repatriados, acrecentou, garantindo que estão a ser feitos “arranjos especiais” para realojar trabalhadoras domésticas estrangeiras que sobreviveram ao desastre.

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