Estava de pé ao lado da mãe enquanto a água caía sobre as estátuas. Depois aconteceu uma coisa que lhe mudou a vida
Catherine Tondelli estava junto à Fonte de Trevi numa noite de verão, prestes a lançar três moedas à água.
Ao crescer nos Estados Unidos, Catherine tinha visto filmes românticos passados em Itália e lido livros sobre Roma. Já ouvira falar da deslumbrante Fonte de Trevi, mas nada a poderia ter preparado para a sua primeira visão das figuras de mármore, suavemente iluminadas pela luz da lua.
"De repente, lá estava ela: uma fonte enorme e impressionante", conta Catherine à CNN. "Naquela noite, a lua estava azul, o que foi verdadeiramente maravilhoso. A fonte era magnífica."
Catherine estava de pé ao lado da mãe, Mary Lee, a observar a água que caía sobre as estátuas. A mãe de Catherine encorajou-a a seguir a tradição de lançar moedas e pedir um desejo, ou três.
Mary Lee tirou três moedas da carteira e colocou-as na palma da mão da filha.
"Querida", disse, "trouxeste-me nesta viagem maravilhosa, acho que está na altura de conheceres alguém especial, pede um desejo".
Embora Catherine estivesse feliz por estar solteira, gostou da ideia de abraçar a tradição romana. Por isso, sorriu para a mãe e lançou as moedas uma a uma, por cima do ombro, com a mão direita.
“Como nos filmes”, recorda Catherine. “De repente, ouvi uma voz a dizer: ‘Se queres que o desejo se realize, tens de lançar com a mão esquerda, porque está mais perto do coração.’”
Quando Catherine se virou, lá estava ele: Fausto Mezzana. Um italiano desconhecido que iria mudar a sua vida.
Uma ligação imediata na Fonte de Trevi
Catherine conheceu Fausto na Fonte de Trevi no verão de 1999.
Na altura, Catherine tinha 39 anos e vivia na Califórnia. Depois de algumas relações difíceis, tinha-se resignado à ideia de que talvez nunca encontrasse um companheiro de vida que a apoiasse nos seus sonhos e a incentivasse.
Mas Catherine estava feliz com a sua vida. Gostava de estar solteira e sentia-se realizada.
"Na verdade, não me importava", diz Catherine. "Tinha os meus gatos e um bom emprego."
Catherine trabalhava numa grande empresa de cosmética e vendia produtos de luxo a hotéis de prestígio.
E, graças a um golpe de sorte, foi através da empresa que Catherine ganhou a viagem da sua vida a Itália.
Quando o nome de Catherine foi sorteado para a viagem a Itália para duas pessoas, soube imediatamente quem queria que a acompanhasse: a sua mãe, Mary Lee, uma contabilista de companhias aéreas já reformada.
“Não havia ninguém que eu gostasse mais de levar comigo”, garante Catherine.
A viagem foi “maravilhosa”.
“Fomos a Veneza, a Florença, e na última noite ficámos em Roma. A minha mãe disse: ‘Vamos à Fonte de Trevi’”, recorda Catherine.
Foi assim que Catherine se viu a lançar três moedas à fonte e a cruzar-se com Fausto Mezzana pela primeira vez.
Depois de explicar o motivo de lançar as moedas com a mão esquerda, Fausto perguntou a Catherine e à mãe se sabiam o que significava cada uma das três moedas na Fonte de Trevi.
Quando as americanas disseram que não, Fausto explicou: “A primeira moeda significa que voltarás a Roma. A segunda, que encontrarás o teu amor em Roma, e a terceira… que casarás com um romano”, disse, sorrindo.
Catherine e a mãe olharam para Fausto, depois uma para a outra, e riram-se. Quebrado o gelo, Fausto apresentou-se — explicou que era de Roma e trabalhava para uma companhia aérea italiana. Contou que estava a passear pela cidade naquela noite porque as noites de verão em Roma eram as suas favoritas.
A mãe de Catherine, Mary Lee, criou de imediato uma ligação com Fausto, graças à sua experiência na aviação. Rapidamente, os dois começaram a conversar animadamente sobre a indústria das viagens.
Enquanto Mary Lee e Fausto conversavam sobre aviões e aeroportos, Fausto não tirava os olhos de Catherine. E Catherine também não conseguia desviar o olhar dele.
“Ele era muito querido. Muito bonito e engraçado. Fez-nos rir imenso”, lembra Catherine. “Houve uma ligação imediata... Em italiano, dizem ‘colpo di fulmine’, que significa ‘amor à primeira vista’. E eu acredito nisso. Acho que olhei para ele e pensei: ‘Oh, meu Deus, esta fonte faz magia.’”
E, embora Catherine não acreditasse que os seus desejos se iriam realizar, sentiu que “o destino, ou o que lhe quiserem chamar”, tinha, de repente, feito a sua parte.
“Parecia mesmo coisa do destino.”
Um passeio à noite por Roma
Tal como Catherine, em 1999 Fausto Mezzana também não tinha a certeza de que algum dia encontraria o amor.
Tinha 45 anos. Tivera algumas relações, mas não duraram muito tempo. Gostava do seu trabalho numa companhia aérea e do seu emprego a tempo parcial como ator em anúncios televisivos. No entanto, tinha o desejo de encontrar alguém com quem partilhar a vida.
“Pensei: ‘Meu Deus, acho que algo na minha vida tem de mudar, eu não posso continuar assim’”, conta à CNN.
Quando conheceu Catherine na fonte, Fausto sentiu que ela era um "presente caído do céu".
Também gostou da mãe dela.
“Ele foi muito simpático com ela”, aponta Catherine. “Ambos trabalhavam na aviação. Por isso, pessoas da aviação acabam por se encontrar. Têm sempre esta ligação em comum.”
Fausto brinca e diz que a “melhor estratégia é conquistar a mãe para chegar à filha”.
Mas ele apreciava genuinamente a companhia de Mary Lee — tanto quanto ficou fascinado por Catherine desde o momento em que a viu lançar as moedas na Fonte de Trevi.
“O que primeiro chamou a minha atenção foi a sua beleza”, diz Fausto sobre Catherine.
De imediato, assume, soube que aquela seria "uma noite mágica".
“O facto de Roma ser um cenário incrível para o romance também ajudou", acrescenta Fausto.
“A noite de verão em Roma é simplesmente deslumbrante”, elogia.
Catherine, Fausto e a mãe de Catherine conversaram durante algum tempo naquela noite, junto à Fonte de Trevi.
Quando Catherine e Mary Lee disseram a Fausto que tinham acabado de chegar à cidade, ele sugeriu levá-las num passeio por Roma, parando nos seus lugares preferidos. Fausto propôs encontrarem-se novamente mais tarde, na Piazza Navona.
A mãe de Catherine aceitou com entusiasmo, mas Catherine mostrou-se hesitante.
Claro que Catherine estava encantada com Fausto — mas ele era um estranho.
“Disse-lhe: ‘Mãe, acabámos de o conhecer. Pode ser um ladrão, ou alguém que anda por aí a engatar mulheres junto às fontes’”, recorda Catherine.
A mãe descartou essa ideia.
“Ela respondeu: ‘Não, querida, eu consigo perceber. As mães percebem’. Estava convencida de que ele era um homem maravilhoso”, lembra Catherine.
Naquela noite, Catherine e a mãe voltaram a encontrar-se com Fausto na Piazza Navona.
“Quando elas chegaram, eu estava num grande Audi”, diz Fausto. “Ficaram as duas surpreendidas. A mãe disse: ‘Meu Deus, um carro de quatro portas’. Talvez tivesse pensado que eu ia aparecer como o Gregory Peck, lembras-te? numa pequena mota…”
Apesar da desilusão inicial por não encontrar a típica "vibe de férias romanas", a mãe de Catherine ficou feliz por ver o carro, especialmente depois de terem passado o dia a caminhar. Entrou, feliz.
Catherine continuava um pouco hesitante. Mas os seus nervos rapidamente se dissiparam enquanto Fausto a conduzia por Roma, mostrando tudo, desde o Coliseu — iluminado pela lua azul — até ao seu bar de jazz favorito.
E ficou encantada com a atenção que Fausto dava a Mary Lee e fascinada com as histórias da sua vida em Roma.
“Ainda bem que dei ouvidos à minha mãe”, diz Catherine. “Ele levou-nos neste passeio e mostrou-nos tudo.”
Mais tarde, quando a mãe de Catherine regressou ao hotel para descansar, Catherine e Fausto continuaram a passear durante mais algumas horas.
Andaram de bar em bar, conversaram e riram até ser dia.
“Aconteceu tudo muito rápido”, conta Fausto. Catherine sentiu o mesmo, especialmente quando a levou à sua casa e tocou piano para ela.
“Oh, meu Deus, foi lindo”, diz Catherine. “Eu também sou apaixonada por música. Toco trompete. Foi como, ‘Meu Deus, ambos adoramos música, arte e cultura.’”
“Foi uma noite verdadeiramente mágica”, recorda Fausto.
“Divertimo-nos imenso”, acrescenta Catherine. “Não queria que a noite acabasse… Foi uma daquelas noites inesquecíveis, que ficam para sempre na memória.”
No dia seguinte, Fausto convidou Catherine e a mãe para jantar. Catherine aceitou com entusiasmo, enquanto a mãe, trocando um olhar cúmplice com ambos, recusou.
“Ela disse: ‘Consigo perceber que vocês têm uma ligação e gostava que passassem esta noite juntos, para se conhecerem melhor’”, diz Catherine.
Quando Catherine protestou — claro que queria passar tempo com o Fausto, mas também queria aproveitar as férias com a mãe — ela fingiu estar cansada.
“Ela estava a mentir”, diz Fausto a rir.
Mas Catherine e Fausto agradeceram a oportunidade de passarem mais tempo juntos. Naquela noite, ficaram acordados até tarde, falaram sobre as suas relações passadas, as suas paixões, a família e os sonhos que tinham para o futuro.
E quando, no dia seguinte, chegou o momento de Catherine regressar aos Estados Unidos, entregou a Fausto o seu cartão de visita.
“Sabia que queria manter contacto com ele. Sentia que aquilo podia ser algo mais, e desejava que assim fosse. Beijámo-nos junto à janela do hotel.”
Bilhete de avião surpresa
Relutante, Catherine regressou à Califórnia, na esperança de receber notícias de Fausto, mas incerta sobre o que o futuro lhe reservava.
“Durante a viagem de regresso a casa, senti uma tristeza profunda e não falei muito com a minha mãe”, recorda.
Mas passaram apenas alguns dias quando Fausto a contactou.
“Enviou-me um bilhete de avião e pediu-me que voltasse por quatro dias - para descobrir se o nosso encontro casual era algo verdadeiro ou apenas porque eu estava de férias”, lembra Catherine. “Disse-me que nunca tinha sentido nada assim e queria saber se eu sentia o mesmo.”
Catherine teve de negociar dias extra de férias com o seu chefe. Foi sincera: “Se eu não for”, disse, “vou arrepender-me para sempre”.
O chefe concordou em dar-lhe os quatro dias e avisou-a que, se pedisse mais férias, poderia perder o emprego.
“Por isso, decidi arriscar e fui. E foi incrível. Foram quatro dias simplesmente maravilhosos”, diz Catherine.
Durante esses dias extra em Itália, Catherine e Fausto ficaram com a certeza de que queriam estar juntos.
“Finalmente encontrei alguém por quem me sentia realmente atraída — não só fisicamente, mas também mentalmente. E, para mim, alguém que me faça rir é muito importante, e ele era divertido e encantador”, diz Catherine.
No entanto, havia um senão.
“Pensei: encontrei alguém com quem realmente quero estar e ele vive a 14 horas de avião!”, diz Catherine a rir.
Mas Catherine estava decidida a “lutar por este”, e Fausto sentia o mesmo. Os dois comprometeram-se a manter um relacionamento à distância, entre continentes.
“Todos os meses a viajar de Roma para a Califórnia. Da Califórnia para Roma, Roma, Califórnia…”, recorda Fausto.
Esta longa viagem tornou-se um pouco mais fácil graças ao trabalho de Fausto, que lhe proporcionava bilhetes de avião gratuitos.
“Graças a Deus, isso ajudou-nos a manter a relação”, agradece Catherine.
No entanto, “o primeiro ano foi muito difícil”, recorda Fausto. Ele sofria muito com as frequentes despedidas. E deixaram de usar a palavra “adeus”.
“Eu dizia: ‘Vou para a esquerda’. Ela respondia: ‘Vou para a direita’.”
Um ano depois do início da relação à distância, Catherine estava num congresso em trabalho.
A conversar com um colega da sua área, ele mencionou estar à procura de um executivo de marketing disponível para se mudar para Londres.
Catherine ficou atenta — o Reino Unido ficava mais perto de Itália. Mas a mudança não seria tão radical como mudar-se para Roma. E decidiu candidatar-se ao cargo em Londres.
“Nunca tinha tido muita sorte ao amor — tinha sorte no trabalho, mas no amor, nem por isso. E não queria cometer outro erro”, assume Catherine. “Por isso disse-lhe: ‘Quero mesmo levar isto com calma. Vou mudar-me para Londres... e estaremos juntos todos os fins de semana'.”
"Estás a pensar mudar-te por causa de um homem que conheceste numa fonte?"
Embora Catherine visse a mudança para o Reino Unido, em vez de Itália, como uma decisão pragmática, os seus amigos californianos e familiares questionavam a escolha.
“As minhas amigas diziam: ‘Estás louca! O que é que estás a fazer? Estás mesmo a pensar mudar de país por causa de um homem que conheceste junto a uma fonte, enquanto atiravas moedas?'”
A irmã gémea de Catherine estava especialmente cética. Não conhecia Fausto e não sabia o que pensar dele.
“Ela estava zangada com ele”, conta Catherine. “Dizia: ‘Não podes tirar-me a minha irmã gémea’. Porque os gémeos são como uma só pessoa. Por isso, quando ele apareceu, foi muito difícil para ela. Demorou muito tempo a conhecê-lo e a começar a gostar dele— o que acabou por acontecer — mas houve muita resistência por parte de muita gente”, acrescenta.
Na véspera de deixar a Califórnia, Catherine acordou a suar, com vozes a ecoarem-lhe na cabeça.
“É um passo enorme na tua vida”, recorda. “Deixas a tua família, abandonas a tua carreira, vais deixar o país onde sempre viveste...” Não era apenas mudar de estado, era mudar de país.
Mas Mary Lee, a mãe de Catherine, incentivou a mudança, apesar do receio pela distância. Ela tinha visto como Fausto fazia a filha brilhar. Como os dois formavam uma equipa. Sabia que deixar a Califórnia era o passo certo para Catherine.
Catherine mudou-se para Londres a 10 de agosto de 2000. Comparado com a odisseia de atravessar o Atlântico, viajar de Londres para Roma parecia-lhes mais simples. Devido às regras de quarentena para animais domésticos no Reino Unido, os adorados gatos de Catherine ficaram em Roma com Fausto. A cada duas semanas, ela viajava até Roma para ver Fausto — e os gatos.
“Ele começou a dar-lhes presunto e mortadela e, claro, acabou por se apaixonar por eles”, diz Catherine.
À medida que o casal se aproximava cada vez mais, Catherine e Fausto começaram a fazer planos para um futuro juntos.
Catherine sempre quis ter filhos e Fausto também adorava a ideia de ser pai.
“Mas quando nos conhecemos, eu já tinha quase 40 anos, por isso tentámos..., mas as mulheres têm um relógio biológico”, lamenta Catherine.
Catherine conta que a posição do casal em relação a filhos passou a ser: “Se vierem, ótimo; se não vierem, também não faz mal. Temos uma vida fantástica.”
Um novo capítulo em Roma
Numa noite, durante uma visita a Londres, Fausto propôs a Catherine mudar definitivamente para Roma.
“Ele disse-me: 'Gostava de passar o resto da minha vida contigo'”, recorda Catherine. “'Tu és uma leoa e eu sou um leão... temos de estar juntos. Nenhum de nós poderia estar com uma ovelha', disse. ‘Adoro que sejas uma leoa. Esperei pela minha leoa toda a vida.’”
Catherine ficou emocionada. E sentiu-se compreendida.
“Adorei porque, até então, acabava sempre com homens que se sentiam intimidados pela minha personalidade ou pela minha carreira, e ele soube aceitar a minha independência, a minha força, a minha carreira, etc.”
Por uma daquelas coincidências da vida, nesse mesmo fim de semana, Catherine viu um anúncio de uma cadeia hoteleira em Roma à procura de um diretor de marketing.
“Fui para Roma na semana seguinte, fiz a entrevista e consegui o emprego”, conta.
Catherine mudou-se para Roma no outono de 2002, e juntos compraram uma casa.
Foi um passo emocionante, mas, para Catherine, adaptar-se à vida em Itália revelou-se também uma “longa curva de aprendizagem”, porque, apesar de já ter visitado Roma várias vezes, não dominava o italiano.
Catherine e Fausto adotaram um sistema: passavam um mês a falar apenas em italiano e no mês seguinte só falavam em inglês, e iam alternando.
Este método parecia funcionar. Muito rapidamente, Catherine tornou-se mais confiante a falar italiano. A adaptação ao estilo de vida italiano também foi mais fácil, graças à família e aos amigos de Fausto, que a receberam de braços abertos.
"Foi uma receção calorosa, simplesmente maravilhosa", diz Catherine. "Teria sido muito mais difícil se não tivessem sido tão acolhedores comigo."
Se a língua foi o maior desafio para Catherine quando se mudou para Roma, para Fausto foi difícil habituar-se a viver com alguém pela primeira vez.
Além de a coabitação ser uma experiência nova para ele, a sua relação com Catherine foi a "fusão de duas culturas diferentes, duas tradições distintas, duas formas únicas de sentir as coisas”.
Estas diferenças provocaram alguns desentendimentos ocasionais. Mas a base do amor nunca vacilou. A relação foi fortalecendo à medida que se adaptavam à vida em Roma.
Em setembro de 2004, Catherine e Fausto decidiram casar-se em Vitorchiano, uma localidade que Catherine descreve como uma “deslumbrante vila medieval” em Viterbo, no coração de Itália.
“Tomámos conta do local — uma igreja do século XIV para a cerimónia e o copo-d’água num antigo convento convertido em hotel", recorda.
A família de Catherine — incluindo a sua irmã gémea e a sua adorada mãe — reuniu-se em Vitorchiano para a cerimónia. Catherine adorou tê-los presentes para celebrarem consigo.
Quanto a Fausto, ele sempre gostou de passar tempo com a família de Catherine, especialmente com a sua mãe, Mary Lee. A ligação que criaram, desde o primeiro encontro na Fonte de Trevi, baseada no amor que ambos partilhavam pela aviação, transformou-se numa grande amizade. Mary Lee visitou Itália muitas vezes, e Catherine e Fausto iam frequentemente à Califórnia.
"Às vezes, os desejos tornam-se realidade"
Hoje, mais de 25 anos depois de Catherine e Fausto se terem conhecido na Fonte de Trevi, continuam a viver juntos em Roma.
Nunca tiveram filhos.
"Gostava que tivéssemos tido, mas acabou por não acontecer", lamenta Catherine.
Fausto acha que, se ele e Catherine se tivessem conhecido mais cedo, talvez tivessem tido filhos. Mas também acredita que a relação funcionou melhor precisamente por se terem conhecido mais tarde, quando já sabiam exatamente o que queriam.
“Às vezes, a vida tem um plano para nós”, diz Fausto. "Se esta história tivesse acontecido quando tínhamos 25 ou 30 anos, acho que não estaríamos aqui agora."
“Talvez não”, concorda Catherine. “Acho que tivemos de chegar a um ponto em que sabíamos exatamente o que queríamos.”
Catherine e Fausto continuam apaixonados pelo trabalho e apoiam-se mutuamente na conquista dos seus objetivos profissionais. Catherine criou uma empresa de eventos e atualmente preside à Professional Women's Association, em Roma, enquanto Fausto trabalha como ator e músico.
O casal reside principalmente na capital italiana, mas, nos últimos anos, tem-se dedicado também à renovação de uma casa na verde e montanhosa região da Úmbria.
“Está pronta, finalmente”, diz Catherine. "Adoramos a nossa casa, mesmo nos arredores de Orvieto."
Fausto continua a tocar piano e Catherine trompete. E gostam de tocar juntos — normalmente apenas por diversão, a sós, mas ocasionalmente também tocam para uma audiência.
“Abrimos a nossa casa em Úmbria para concertos de verão, os habitantes locais trazem as suas cadeiras e sentam-se no nosso jardim a ouvir a nossa música”, conta Catherine. “Projetamos, na fachada da casa, imagens relacionadas com as músicas, por isso é como o ‘Cinema Paradiso’, mas com a nossa banda sonora e filme.”
Entre o trabalho e os concertos, o casal também pode ser visto a andar de bicicleta, a cozinhar, a jogar ténis, a trabalhar em projetos na casa e a mimar os seus gatos.
Estes interesses comuns são uma parte fundamental da sua relação, diz Catherine, mas o que é ainda mais importante é o sistema de valores que partilham.
“De um modo geral, temos princípios semelhantes, e rimos muito juntos. Respeitamo-nos mutuamente e damos espaço um ao outro. Ele é bom para a minha família, e eu para a dele.”
Fausto e Catherine gostam de recordar a viagem transformadora de Catherine a Itália, em 1999, assim como o momento em que se conheceram pela primeira vez, pouco depois de Catherine atirar aquelas moedas para a Fonte de Trevi.
“Lembro-me de cada detalhe daquela noite", conta Catherine. “Quando olho para trás, ainda me emociono. Aquela primeira noite com ele... mesmo 25 anos depois, penso: ‘Uau’. Isso enche-me de emoção e felicidade. Nunca me arrependi de nada.”
Quanto a Fausto, recorda aquela noite com a mesma vividez, especialmente o momento em que viu a Catherine pela primeira vez e pensou que ela era “um presente do céu”.
“É um momento que permanece na minha memória como se fosse ontem”, diz.
Naquela primeira noite, Mary Lee tirou uma fotografia de Catherine e Fausto em frente à Fonte de Trevi. Tinham acabado de se conhecer, mas Mary sentiu que aquele momento merecia ser eternizado.
Ela tinha razão. E, praticamente todos os anos desde então, no aniversário do seu encontro, Catherine e Fausto regressam à Fonte de Trevi e recriam a fotografia, abraçados em frente às estátuas de pedra.
“Nunca na vida pensei que casaria com um homem que iria conhecer numa fonte, que mudaria para Roma e viveria aqui. Mas aconteceu. Às vezes, os desejos tornam-se realidade.”