Como uma criança de 12 anos desafiou os 'trolls' das redes sociais e uniu o desporto

27 jan, 09:50
Alfie Pugsley

O mundo do râguebi, da Nova Zelândia à África do Sul, rendeu um forte tributo a um menino de uma zona rural do País de Gales, que foi acusado de não ser saudável para jogar. «Faz parte do râguebi defender intransigentemente os seus valores», explicam.

Esta é a história de como uma criança de uma pequena localidade com menos de cinco mil habitantes, na zona rural do País de Gales, uniu o mundo do râguebi num grito comum.

A criança chama-se Alfie Pugsley, tem 12 anos e joga no Oakdale Rugby Club.

Nos últimos dias, Alfie tornou-se um símbolo da modalidade, depois do pai, Mark Pugsley, ter partilhado no domingo uma mensagem que se tornou viral.

«Tive que apagar um post no Facebook porque um idiota deixou um comentário a dizer que o meu filho é demasiado ‘grande’ para ter 12 anos e que não é saudável para jogar râguebi. Se ao menos soubessem o quanto ele trabalha para ficar mais em forma e quão baixa é a sua autoconfiança. Não te preocupes Alfie, serei sempre o teu maior fã.»

O desabafo do pai teve mais de 16 mil retweets, mais de 230 mil gostos, mais de 11 mil mensagens e chegou aos quatro cantos do globo. A reação foi esmagadora.

Do País de Gales a Inglaterra, da Nova Zelândia à África do Sul, foram várias as principais figuras do râguebi, vários os clubes e várias as federações que saíram em defesa do jovem.

Um dos apoios mais emocionados veio do francês Matthieu Jalibert, jogador de râguebi do Bordéus e nome grande da seleção gaulesa.

«Alfie, eu tive que ouvir toda a minha juventude que era muito pequeno, muito magro e muito fraco. Quando leio o post do teu pai, dói-me o coração. Nunca percas a esperança. Acredita em ti e nos teus sonhos. O teu pai é o teu primeiro fã, eu sou o segundo», escreveu.

Jogadores como Ethan Waller ou a antiga estrela Alex Corbisiero publicaram fotografias suas de quando eram crianças, para mostrar que também eles passaram pelo mesmo.

«Alfie, não te preocupes amigo. O mesmo foi-me dito regularmente quando era criança. A única coisa que interessa é que estejas a divertir-te e que gostes de jogar com os teus amigos. Continua a ter prazer no que fazes, ignora esses idiotas», escreveu Ethan Waller.

Grandes estrelas internacionais como o sul-africano Tendai Mtawarira, conhecido como A Besta e o quinto jogador mais internacional da história do râguebi, uniram-se no apoio Alfie.

«Amigo, tens todo o meu apoio. Também passei por isso, as pessoas criticavam-me pelo meu tamanho e questionavam se tinha idade suficiente para competir na minha faixa etária. Mantém a cabeça erguida e nunca deixes os inimigos atingirem-te. O râguebi é para todos.»

Da Nova Zelândia veio o apoio dos All Blacks, enquanto seleção, e da estrela Jerome Kaino.

«O nosso bonito jogo é para todos os géneros, para todas as classes sociais, todas as formas e todos os tamanhos. Alfie, mantém esse sorriso no teu rosto e continua com o trabalho», escreveu Kairo.

Já a Liga Inglesa de Râguebi convidou o menino para estar ao vivo na final do campeonato, o que foi desde logo aceite, e afirmou que o espera ver um dia a jogar esta mesma final. A seleção galesa, por outro lado, ofereceu-lhe uma camisola e enviou-lhe um vídeo.

No fundo este é um raro exemplo de como uma criança de uma zona rural, num pequeno clube que disputa a segunda divisão regional, conseguiu mexer com o mundo do desproto. Mas é também um exemplo de como o râguebi não quer ser invadido pelo discurso do ódio.

«O râguebi é duro. Não é violento, mas é duro e é agressivo. Faz parte das regras da modalidade. Mas há uma enorme lealdade, que por vezes não existe em outras modalidades», explica Luís Piçarra, antigo capitão e agora adjunto da seleção portuguesa de râguebi.

«Outro dia li uma frase a dizer que no râguebi os jogadores passam 80 minutos a fingir que não estão magoados e no futebol os jogadores passam 80 minutos a fingir que estão.»

Basicamente foi essa a mensagem que o râguebi passou através do exemplo de Alfie Pugsley. Longe, muito longe, de toda a negatividade, rancor e hostilidade que minam outros desportos.

«Uma das premissas do râguebi é que é um desporto para todos: altos, baixos, magros, gordos. Essa é uma das condições importantes, ser um desporto inclusivo. Até porque há posições para todos, para os mais gordos, para os mais baixos, todos fazem falta numa equipa. O facto de muitos jogadores postarem fotos de quando eram demasiado magros ou demasiado gordos prova isso mesmo, que há lugar para todos.»

Luís Piçarra não ficou surpreendido, portanto, com a resposta massiva que as estrelas mundiais deram a um desabafo de um pai numa pequena localidade do País de Gales.

«Faz parte do râguebi defender intransigentemente os seus valores. Os próprios adeptos são educados a terem comportamentos saudáveis dentro e fora de campo. Somos um desporto de brutos praticado por cavalheiros e é assim que queremos manter-nos.»

Para já, não serão os trolls das redes sociais a colocar isso em causa, nem sequer quando atacam uma criança de doze anos: o râguebi não o vai permitir.

 

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