Portuguesa conclui Sete Cumes no Evereste: «Temi pela minha vida»

18 mai, 17:05
Ema Dantas

Ema Dantas admite que sentiu «medo» ao deparar-se «com um corpo de uma pessoa»

A alpinista luso-canadiana Ema Dantas, que subiu ao Evereste na semana passada, concluindo assim o projeto de escalar os Sete Cumes, admitiu esta quarta-feira que «temeu pela própria vida» ao ver um corpo na subida à montanha mais alta do mundo.

«Estava à espera de sentir uma grande alegria, mas na realidade, senti medo, temi pela minha vida, questionando-me mesmo de subir ao Evereste, arriscando a minha própria vida, quando me deparei com um corpo de uma pessoa», descreveu Ema Dantas, que celebra este mês 55 anos, em declarações à agência Lusa.

Com a ajuda de oxigénio, Ema Dantas tornou-se, na sexta-feira, às 05h49 locais, na primeira mulher de nacionalidade portuguesa a escalar aos Sete Cumes nas duas versões, que na realidade foram oito montanhas, ao concluir com sucesso o monte Evereste.

No Canadá desde os quatro anos, natural do concelho de Miranda do Douro, Ema reconheceu que o principal desafio «foi o receio de alturas para atingir os 8.849 metros do Evereste».

A aventura de Ema, para consciencializar a sociedade para o problema da saúde mental, teve início em 2017 e devia terminar em 2021, mas devido a problemas de saúde, a empresária teve de abandonar a meio, não atingido à primeira o topo da montanha mais alta do mundo. «Em 2021 fiz a caminhada até à base do acampamento. Mas, logo no início, em Namche, senti alguns sintomas de problemas intestinais. Desta vez não tive nenhum problema de saúde, fizemos a observação do outro lado do Khumbu para subir ao Mera Peak, que também foi o nosso trajeto de climatização», acrescentou.

Com a parte do lado chinês fechada aos turistas, a luso-canadiana partiu novamente para o Nepal a 24 de abril, para escalar o Evereste.

Ema regressa na próxima segunda-feira ao Canadá, onde será reconhecida a 28 de maio, pela Federação de Empresários e Profissionais Luso-Canadianos, com o Prémio Humanitário.

As sete montanhas mais altas de cada continente acabam por ser oito, pois a versão de Messner - considerada por muitos alpinistas como a mais legítima - troca o pico Kosciuszko (2.228 metros) na Austrália, incluído na lista de Bass, pela Pirâmide Carztensz, na Indonésia, com 4.484 metros. Nos últimos quatro anos e meio, a luso-canadiana alcançara a Pirâmide Carstenz (Indonésia, 4.884), o Monte Kilimanjaro (Tanzânia, 5.895), o Elbrus (Rússia, 5.642), o Monte Vinson Massif (Antártida, 4.892), Anconcágua (Argentina, 6.961), Denali (Estados Unidos, 6.190) e o pico Kosciuzkzo (Austrália, 2.228).

Para conseguir concluir este projeto, Ema foi financiada através do setor privado nas várias expedições, inclusive os 67 mil dólares norte-americanos (55,4 mil euros) necessários para a viagem ao Nepal, na jornada ao monte Evereste. A empresária e tradutora pretendia angariar 700 mil dólares canadianos (459 mil euros), para o Centro de Vícios e de Saúde Mental (CAMH) de Toronto e consciencializar o público para reduzir o estigma da saúde mental.

Em 2017, Ema criou a fundação Peaks for Change (Cumes da Mudança), instituição sem fins lucrativos sobre a saúde mental, escalando desde então os pontos mais altos do mundo para angariar fundos.

Apenas outros dois portugueses conseguiram atingir os cumes mais altos do mundo: o montanhista João Garcia (1999) e o piloto e alpinista Ângelo Felgueiras (2010). Maria da Conceição, em 2013, foi a primeira portuguesa a subir ao Evereste.

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