Informado em todas as frentes, sem interrupções?
TORNE-SE PREMIUM

Três amigos entraram num bar. E assim nasceram três histórias de amor

CNN , Francesca Street
14 mar, 09:00
(Francesca Street via CNN)

Esta é a história de como um encontro casual entre um britânico e um norte-americano levou a mais dois encontros casuais, três histórias de amor transatlânticas e três casamentos

Quando Jessica conheceu Luke pela primeira vez num casamento, duas palavras ecoaram na sua mente: "É isto."

Jessica sentiu uma ligação instantânea com Luke. Uma familiaridade. Química.

"Ouvimos sempre dizer: 'Quando sabes, sabes'", conta Jessica à CNN. "Nunca tinha tido uma experiência real com isto até conhecer o Luke."

Quanto a Luke, diz que "mal se lembra" da vida antes de conhecer Jessica. Foi algo tão avassalador, tão emocionante, tão inevitável, que, hoje, não consegue conectar-se com a versão de si mesmo aos vinte e poucos anos, quando ainda não a conhecia.

Uma coisa é certa para Luke: esta foi uma daquelas situações de estar no "lugar certo, no momento certo". E Luke não se refere apenas ao encontro casual no casamento. Jessica e Luke conheceram-se no casamento de uma amiga em comum, Becca. Mas as sementes da sua história de amor foram plantadas anos antes, num bar em Birmingham, no Alabama.

Esta é a história de como um encontro casual levou a outros dois encontros casuais, resultando em três histórias de amor transatlânticas e três casamentos.

“O velho efeito borboleta”, afirma Luke.

Assim, voltemos ao início: Birmingham, no Alabama, no verão de 2014.

Três ingleses entram num bar

Luke, Chris e Charlie (da esquerda para a direita) eram três amigos do Reino Unido cuja decisão de entrar num bar no Alabama mudou as suas vidas para sempre. Cortesia de Alice/Chris/Becca/Charlie/Luke/Jessica

 

O Alabama era um destino de férias improvável para um grupo de rapazes britânicos na casa dos 20 anos. E, de facto, Luke e os seus dois amigos, Chris e Charlie, foram parar lá praticamente por acaso.

Tudo o que sabiam era que “não queriam fazer aquele tipo de viagem cliché pela Costa Oeste”, como explica hoje Chris.

“Queríamos experimentar algo um pouco diferente. Por isso, decidimos ir para o Sudeste. Boa comida, boa música e bom futebol americano”, conta à CNN. “Sou fã de futebol americano e sou adepto dos New Orleans Saints. Por isso, esse era o nosso objetivo: ir para Nova Orleães.”

Os três amigos voaram para Atlanta, na Geórgia, e alugaram um clássico americano — um Dodge Charger. O plano era conduzir até Nova Orleães e voltar dali a duas semanas.

Mas estes três rapazes do norte de Inglaterra não estavam habituados às vastas distâncias dos EUA. Não tinham tido em conta o tempo de viagem — cerca de sete horas de Atlanta.

“Então, parámos em Birmingham”, conta Charlie. “E pensámos: ‘Não sabemos para onde vamos. Não vamos já para Nova Orleães. Vamos beber uma cerveja, olhar para um mapa e decidir o que fazer’”.

O trio entrou no primeiro bar que viu.

“Estava vazio”, recorda  Charlie. “Quer dizer, era meio-dia. Por isso, pedimos uma cerveja.”

Os empregados de mesa perceberam que não eram da região.

“Claro, todos ouviram o sotaque inglês e começaram a fazer-nos perguntas”, continua Charlie. “E perguntaram: ‘Vocês são solteiros?’ Nós respondemos: ‘Sim.’ Eles disseram: ‘Ah, deviam ficar por aqui. Vai haver uma festa da faculdade de Direito esta noite neste bar’.”

Luke, Chris e Charlie entreolharam-se. Parecia uma coincidência — eram todos advogados recém-formados. Chris e Charlie eram os melhores amigos de infância e continuaram próximos na vida adulta, enquanto Chris conheceu Luke no trabalho. Formaram um trio de amigos e desfrutaram das noites juntos na sua cidade natal, Leeds. Nenhum deles tinha namorada, mas não tinham viajado para os EUA na esperança de encantar as mulheres com os seus sotaques ingleses.

“Quando decidimos fazer uma viagem de carro, era apenas para passar férias, sem intenção de conhecer ninguém, apenas para desfrutar com os amigos”, conta Chris.

Ainda assim, a ideia de socializar com um grupo de advogados norte-americanos da mesma idade pareceu-lhes divertida. Assim, reservaram um hotel de última hora e voltaram ao mesmo bar nessa noite.

“E foi assim que invadimos a festa da faculdade de Direito”, conta Luke.

A entrada de Alice

Jessica, Alice e Becca (da esquerda para a direita) eram três amigas da faculdade cujas vidas se entrelaçaram inesperadamente com as dos rapazes do Reino Unido. Cortesia de Alice/Chris/Becca/Charlie/Luke/Jessica.

Também presente naquele bar de Birmingham, nessa noite, estava uma estudante de Direito chamada Alice.

Alice não queria mesmo estar ali naquela noite. Não estava no espírito da festa e, passado cerca de uma hora, decidiu ir para casa, usando o seu cão como desculpa.

“Estava a sair, a fechar a conta, quando recebi uma mensagem de uma amiga a dizer: ‘Vem cá para fora. Estamos rodeados de britânicos gatos’.”

Alice leu a mensagem, cética, mas intrigada.

Seguiu as instruções da amiga e viu-se perante um trio de ingleses: Chris, Luke e Charlie, cada um com uma cerveja na mão. Todos eram charmosos, simpáticos e estavam um pouco alterados.

Chris chamou a atenção de Alice de imediato. Ir embora já não parecia uma boa ideia. Mas ela precisava mesmo de ir ver como estava o cão.

“Então, a minha amiga levou o meu cartão de débito como garantia”, conta. “Ela disse-me: ‘Tens de voltar. Promete que voltas.’ Eu pensei: ‘Ok, acho que os britânicos bonitos já são motivo suficiente para eu voltar’.”

Alice cumpriu a sua palavra e voltou ao bar cerca de uma hora depois. Assim que voltou a ver Chris, ficou feliz por ele não ter ido embora.

Alice não parava de se aproximar de Chris. E ele também se sentia atraído por ela.

“Era uma atração magnética que não consigo explicar bem”, diz Chris.

Ele tinha um pressentimento: "Vou casar com aquela rapariga." Chegou mesmo a dizê-lo em voz alta a algumas amigas de Alice, que reagiram deslumbradas e incrédulas.

"Eu não estava a exagerar", diz Chris. “Nós sentimos mesmo uma ligação.”

"Embora estivéssemos os dois embriagados, com 23 anos...", completa Alice, entre risos.

Talvez por causa deste contexto, por causa da total "falta de planeamento" — como diz Chris — a noite de bares em Birmingham terminou sem que Alice e Chris trocassem números de telefone.

No dia seguinte, Chris, Luke e Charlie regressaram ao carro alugado, saíram de Birmingham e embarcaram numa viagem de quatro horas pela costa do Golfo até à praia.

Durante toda a viagem, sentado no lugar do pendura, Chris não parava de pensar em Alice, imaginando um futuro com ela, e logo descartando a ideia. Viviam em lados opostos do Atlântico. Nunca ia dar em nada.

Depois, a meio da viagem, Luke irrompeu do banco de trás do carro. “Não vais acreditar. A Alice quer o teu número.”

"O quê?", perguntou Chris, virando-se.

Luke passou o seu BlackBerry para o banco da frente. Acontece que Luke tinha dado o seu cartão de visita a uma das amigas de Alice.

"Não faço ideia porquê. Acho que talvez para provar que era advogado", teoriza Chris. "Então, essa amiga tinha o e-mail profissional dele e enviou-lhe uma mensagem. 'Olá, a Alice gostou muito de um dos teus amigos. Será que podes dar-nos o número dele?'"

Luke não se lembra por que razão estava a distribuir os seus cartões de visita. Mas lembra-se da conexão que todos sentiram entre Alice e Chris. “Eles definitivamente deram-se muito bem.”

Hoje, Luke fica feliz por o seu estado de embriaguez ter ajudado Alice e Chris a reconectarem-se. E uma semana depois, ambos reencontraram-se pessoalmente, num jogo de futebol americano no Mississipi. Chris convidou-a e ela decidiu ir, com algumas reservas.

“Não gosto de futebol americano”, explica Alice. “Não há nada para eu ver no Mississipi, na verdade.”

Mas ela queria ver Chris. E quando o voltou a ver, soube que tinha tomado a decisão certa.

“Saímos juntos, e eu beijei-o primeiro”, recorda.

Alice e Chris mantiveram contacto após o encontro casual no Alabama. Alice diz que sabia que não era apenas um caso passageiro de férias. Cortesia de Alice e Chris Dereix

Mais tarde, antes de regressar ao Reino Unido, Chris regressou a Birmingham para passar os últimos três dias da viagem com Alice. Foi um período incrível. Mas o futuro era incerto. Ele regressaria à vida e ao trabalho no Reino Unido, enquanto ela terminaria os estudos nos Estados Unidos. E mal se conheciam. Parecia uma loucura assumir qualquer compromisso concreto.

“Obviamente, foi um pouco doloroso”, admitr Chris. “Divertimo-nos muito e criámos uma ligação forte, mas depois sentimos um vazio e pensamos ‘acabou, o que vamos fazer agora?’”

Mas Chris manteve a esperança. No aeroporto, recebeu um biscoito da sorte juntamente com a sua refeição chinesa. A mensagem dizia: “Está prestes a embarcar numa viagem encantadora”. Pareceu um sinal, por isso enviou uma fotografia a Alice.

Já em lados opostos do Atlântico, Alice e Chris mantiveram contacto através de longas mensagens de WhatsApp.

“Escrevíamos textos enormes um para o outro”, recorda Alice. “Apaixonei-me pela forma como o Chris conseguia escrever-me uma mensagem no WhatsApp e fazer-me sentir tão especial com a forma como escrevia. Eram como cartas de amor.”

As pessoas próximas alertaram-na que era apenas um romance de verão. A mãe de Alice sugeriu que ela se tinha apaixonado apenas “porque ele tem sotaque”.

Alice sabia que aquilo que sentia era algo mais profundo.

"Nunca pensei que fosse apenas um caso passageiro", diz. "Eu sabia que não era."

Nos meses seguintes, Alice e Chris trocaram longas mensagens e visitaram-se algumas vezes — cada visita reforçava a certeza que tinham da ligação entre ambos.

"Conseguimos compreender-nos muito bem um ao outro e sentimos que partilhávamos valores", diz Chris. "Mas nunca falámos verdadeiramente sobre o futuro."

Quando o trabalho de Chris o levou a Hong Kong durante um período, Alice foi visitá-lo. Na noite anterior, tinha estado em casa da sua amiga Becca.

Hoje, Alice e Chris estão casados ​​e têm três filhos. Fotografia de Emily Heid

Nessa noite, Alice confidenciou a Becca: “Não sei como é que isto vai acabar com o Chris. Alguma coisa tem de mudar. Isto tem de acabar em algum momento”.

Becca perguntou-lhe se achava que se iriam casar.

“E eu pensei: ‘Não. Quer dizer, isso seria de loucos’. Estava a contar pelos dedos os dias que passámos juntos. Mas depois, em Hong Kong, o Chris pediu-me em casamento.”

Acontece que Chris tinha guardado o biscoito da sorte daquela primeira viagem aos EUA. Quando pediu Alice em casamento, mostrou-lhe a mensagem.

“Casámos quase exatamente um ano depois do dia em que nos conhecemos”, assinala Alice. “Conhecemo-nos em agosto de 2014. Casámos a 3 de setembro de 2015.”

Uma segunda faísca

Alice e Chris casaram-se em Nova Orleães.

“Um local bastante simbólico”, salienta Chris. “Porque foi isso que nos motivou a fazer a viagem, ir a Nova Orleães. E, quase exatamente um ano depois, estava a casar-me com uma rapariga que conheci num bar, a caminho de Nova Orleães.”

Chris, claro, convidou os seus melhores amigos com quem viajou para os EUA — Charlie e Luke.

Entretanto, Alice convidou todas as suas amigas mais próximas para estarem ao seu lado. Incluindo Becca, a amiga que se perguntara em voz alta se Alice e Chris se poderiam casar.

“A Becca e eu éramos amigas íntimas desde a faculdade. Éramos colegas de quarto”, explica Alice.

Em algumas ocasiões durante o ano de namoro, Alice e Chris questionaram-se se Becca se daria bem com Charlie. Decidiram tentar juntá-los.

Primeiro, orquestraram um encontro presencial quando Chris e Charlie regressaram aos EUA para uma breve viagem durante as férias de Alice, em março de 2015.

Becca e Charlie apresentaram-se um ao outro nessa noite. Acharam-se atraentes um ao outro.

"Mas não interagimos muito", diz Becca.

"Acho que nos esquecemos um pouco um do outro", completa Charlie.

Sem se deixarem ir abaixo, nos preparativos para o casamento, Alice e Chris deram os números de telefone um do outro a Becca e Charlie. Os dois começaram a trocar mensagens de texto e depois a fazer videochamadas. Becca  e Charlie aproximaram-se começaram a contar os dias para o casamento.

Charlie lembra-se de ter pensado: "Eu gosto muito desta miúda."

E mais tarde, quando viu Becca no casamento, teve ainda mais certezas. Becca sentia o mesmo. Durante os vários eventos do casamento, tornaram-se inseparáveis.

Charlie e Becca aproximaram-se um do outro no casamento de Alice e Chris e tornaram-se inseparáveis, seguindo os passos dos amigos. Cortesia de Becca e Charlie.

Becca diz que o fim de semana do casamento foi o cenário perfeito para os juntar ainda mais. Especial — mas também sem grandes expectativas.

“Estávamos num ambiente confortável com todos os amigos”, lembra Becca. “Mas o casamento não era sobre nós, era sobre eles.”

No final, Charlie seguiu os passos de Chris e apaixonou-se por uma norte-americana. Becca também se estava a apaixonar por ele, mas enquanto Charlie demonstrava os seus sentimentos abertamente, ela era mais prática. Estava apreensiva e cautelosa, apesar dos seus sentimentos por ele.

“Pensava: ‘Não sei bem como é que isto vai funcionar. Vives em Inglaterra’”, recorda ela.

Para Charlie, a desculpa de “vives noutro país” não colava. Conheceram-se ambos através de um amigo britânico que se tinha casado com uma amiga norte-americana. Alice e Chris viviam agora juntos no Reino Unido e pareciam muito felizes. Eram a prova de que era possível.

E assim, Charlie e Becca mantiveram o contacto.

Nesse outono, Alice, Chris, Becca e Charlie viajaram juntos — primeiro para Praga e depois para Edimburgo. E durante as férias, Charlie conheceu a família de Becca, na Florida. Com o tempo, Becca e Charlie aproximaram-se.

Para Becca, a visita de Charlie à sua família foi especialmente reveladora.

“Tenho três irmãos, e todos se deram muito bem com o Charlie, e acho que isso foi importante para mim”, assume Becca.

“Passei no teste”, completa Charlie.

“Ele encaixou-se ali”, reconhece Becca.

E assim, contra todas as expectativas, em menos de um ano, Becca e Charlie seguiram os passos de Alice e Chris, ficando noivos.

“Eles meio que deram o exemplo”, admite Charlie. “O Chris é o meu melhor amigo desde os três anos, na escola primária. Vê-lo encontrar o amor da sua vida ensinou-me a ser intencional. Quando conheci a Becca, soube que ela era a pessoa certa.”

Embora Becca normalmente evite fazer grandes declarações românticas, também tinha a certeza de que Charlie era a pessoa certa.

Becca e Charlie apaixonaram-se, casaram-se e têm agora três filhos. Fotografia de Stefanie Romero

“Tive um namorado antes do Charlie, com quem estive durante seis anos, e ele chegou a pedir-me em casamento em Nova Iorque. E eu disse ‘não’. Parecia a coisa mais difícil do mundo”, recorda. “Mas depois, obviamente, eu e o Charlie começámos a namorar, e ele disse: ‘muda-te para Inglaterra’. Foi um ‘sim’ fácil. Eu pensei: ‘Ok, então com a pessoa certa, é fácil tomar decisões’”.

Charlie e Becca casaram-se no verão de 2017 em Long Island, Nova Iorque. Alice e Chris estavam presentes, claro.

Luke, o terceiro amigo da viagem, também foi, pronto para celebrar o casamento de outro amigo querido.

Na lista de convidados estava também Jessica, amiga íntima de Alice e Becca.

Jessica não tinha podido ir ao casamento de Alice, por isso ficou entusiasmada por finalmente ter a oportunidade de celebrar a história de amor transatlântica das suas amigas.

Só não esperava que o casamento marcasse o início da sua própria história de amor.

“Quando se sabe, sabe-se”

Os amigos de Luke e Jessica já comentavam há algum tempo a possibilidade de os juntar. Mas não estavam a falar a sério — afinal, esperar que o cupido fizesse das suas pela terceira vez naquele grupo talvez fosse pedir demais.

Além disso, parecia mais difícil prever se Luke e Jessica se iriam dar bem. Alice e Becca sempre disseram que Jessica era “uma ótima pessoa”. Luke era um rapaz fantástico, mas, segundo Alice, “ninguém sabia o que Luke queria”.

Quando falavam em juntá-los, era mais uma brincadeira do que algo sério, conta Alice. Não houve troca de números de telefone antes da cerimónia, como tinha acontecido com Becca e Charlie.

“Não havia nada planeado”, insiste Becca.

“O Luke já conhecia a Jessica e confessou-me que a achava bonita”, ressalva Charlie. “Mas foi algo natural.”

Além disso, o grupo já estava um pouco mais velho — a aproximar-se dos 30 anos. A pressão para que os ficassem juntos parecia maior.

Ainda assim, Becca e Charlie decidiram juntar Luke e Jessica em todos os eventos do casamento.

E foi assim que Jessica acabou por conhecer Luke pela primeira vez e pensar: “Quando sabemos, sabemos”.

Quando Jessica e Luke finalmente se conheceram, depois de anos a ouvirem falar um do outro, Jessica finalmente compreendeu o velho ditado: "Quando se sabe, sabe-se". Cortesia de Jessica e Luke

É engraçado, acrescenta Jessica, perceber que houve tantos momentos em que poderia ter conhecido Luke antes. Tinham mundos e amigos em comum, mas nunca se tinham cruzado. Então, de repente, ele estava ao lado dela, a conversar, a conectar-se a um nível que sempre lhe parecera um pouco fora do seu alcance.

“Conversámos durante muito tempo”, recorda Jessica. “Senti que já o conhecia há muito tempo, demo-nos bem de uma forma que nunca tinha acontecido antes.”

Naturalmente, Becca fez questão de pedir ao seu fotógrafo de casamento para que registasse o primeiro beijo de Jessica e Luke.

“Todos estavam a aplaudir”, recorda Jessica. “Todos se sentiram muito envolvidos — de uma forma positiva. Tinham visto como tudo tinha corrido bem para eles. O Luke era um dos melhores amigos do Chris e do Charlie, e acho que eles queriam a mesma experiência para ele. Por isso, senti definitivamente um pouco de pressão naquela primeira noite, com toda a gente a aplaudir e a observar-nos. Mas foi bom.”

Os outros dois casais ficaram encantados com a química entre Jessica e Luke. Após o encontro romântico no casamento, Jessica e Luke embarcaram no seu próprio romance à distância, atravessando o Atlântico, agora com a ajuda dos amigos.

“Tinha pessoas com quem podia falar sobre como lidar com a distância”, diz Jessica. “Falei com a Alice sobre isso, e com a Becca também. E elas disseram-me: ‘É difícil lidar com a distância, mas, ao mesmo tempo, dá-te uma grande oportunidade para construir uma base sólida.’ E deu mesmo, porque falámos sobre coisas naqueles primeiros meses que algumas pessoas não abordam em seis, 12, 18 meses de relação. Quase que aceleras o processo, porque queres ter a certeza de que vai mesmo funcionar.”

Depois de alguns meses a viajar pelo Atlântico — e pelo Pacífico, quando o trabalho de Luke o levou a Hong Kong — Jessica e Luke tomaram uma grande decisão: decidiram mudar-se juntos para o Dubai na primavera de 2018.

Foi um passo importante, mas um passo do qual ambos estavam confiantes.

“Queríamos viajar e conhecer lugares diferentes”, conta Jessica, embora admita que a decisão tenha pregado “um pequeno susto” aos pais.

Para algumas pessoas nas suas vidas, a decisão pareceu impulsiva. Mas Jessica e Luke tinham a certeza de que eram feitos um para o outro — e Becca, Charlie, Chris e Alice estavam a torcer por eles.

E assim, tal como os seus amigos antes deles, Jessica e Luke casaram-se. Fugiram para Amesterdão, só os dois, em 2018. Planearam uma festa de casamento maior para o verão de 2020, mas a pandemia interrompeu os seus planos.

Pouco tempo depois de começarem a namorar, Jessica e Luke fugiram para se casar e mudaram-se para o Dubai. Cortesia de Jessica e Luke

Para Jessica e Luke, isto pareceu um sinal. Por isso, nunca remarcaram a grande festa.

"Acho que não é suposto fazermos mais nada", afirma Jessica.

Em vez disso, concentraram-se em construir a sua vida juntos no novo país.

Enquanto Jessica e Luke se estabeleciam como um casal, Alice, Chris, Becca e Charlie viviam a poucos passos uns dos outros na cidade natal de Chris e Charlie, Leeds, no norte de Inglaterra.

"A minha amiga da faculdade da Florida, e eu do Alabama, aqui estamos nós no centro de Leeds, a viver perto uma da outra", diz Alice. "Foi giro, foi giro."

“Serendipidade e destino”

Os três casais não vivem perto uns dos outros, mas continuam a ser amigos próximos e estão eternamente gratos pelas formas como as suas histórias de amor se entrelaçaram. Cortesia de Alice/Chris/Becca/Charlie/Luke/Jessica

Hoje, Luke e Jessica ainda continuam no Dubai, onde vivem há oito anos. O tempo e as circunstâncias levaram Alice e Chris de Leeds para a Carolina do Norte, onde vivem com os seus três filhos. Entretanto, Becca e Charlie tiveram os seus dois primeiros filhos no Reino Unido, mas mudaram-se para o Texas durante a pandemia. Agora, também têm três filhos.

"Gostava que todos nós vivêssemos mais perto", lamenta Becca. "Infelizmente, nenhum de nós vive".

Mas os filhos de Becca e Charlie conheceram os filhos de Alice e Chris e tornaram-se "amigos inseparáveis" instantaneamente, conta Becca, acrescentando que os seus filhos também adoraram passar tempo com Luke no Reino Unido durante uma viagem recente que coincidiu com a dos seus pais.

“O Luke é como um tio para os nossos filhos”, compara Becca. “Quando ele se foi embora, até começaram a chorar, foi muito bonito.”

Os três casais continuam próximos, apesar da distância.

“Falamos bastante pelo WhatsApp e por outras redes sociais”, diz Luke. “Ainda somos muito amigos. Basta voltar a falar e é como se nada tivesse acontecido.”

Todos acreditam que as suas histórias de amor partilhadas e interligadas, além da amizade duradoura, os uniram para a vida. Se alguém dissesse a Luke, Chris e Charlie, de 23 anos, que acabariam casados ​​com norte-americanas e a viver a milhares de quilómetros de casa, eles nunca acreditariam.

A ironia, diz Luke, é que essa viagem deu-lhes “uma coisa em comum”, mas também os “separou para o resto da vida”.

O sentimento é agridoce, admite, mas todos estão muito gratos por as férias nos EUA terem proporcionado a cada um deles um amor tão inesperado, gratificante e duradouro.

Quando os filhos de Becca e Charlie conheceram os filhos de Alice e Chris, tornaram-se "amigos inseparáveis" instantaneamente, conta Becca. Aqui estão eles no outono de 2023, na reunião de antigos alunos da faculdade de Becca e Alice. Cortesia de Alice/Chris/Becca/Charlie/Luke/Jessica

Há uma fotografia dos três casais juntos em Leeds, tirada por volta do Natal de 2017. Na fotografia, os seis amigos estão alinhados, todos a beijarem-se sob as luzes cintilantes. Todos adoram esta fotografia.

“A Alice disse: ‘Isto ficaria giro. Ficaria giro com as luzes.’ E ficou mesmo”, diz Jessica, recordados os momentos que antecederam a fotografia. “Estávamos todos agasalhados. Enviei-o à minha mãe e ela disse: ‘Isto dava um filme de comédia romântica’”.

“Parece um filme da Hallmark”, concorda Charlie.

Os casais já estão habituados às reações do tipo “isto dava um filme”.

“As pessoas ficam sempre de boca aberta quando lhes contamos que somos três casais”, diz Becca.

“Contávamos esta história às pessoas e elas perguntavam: ‘Então, ainda tens mais algum amigo?’”, recorda Alice, entre risos — antes de esclarecer que acha que provavelmente são só estes, pelo menos por enquanto.

O grupo também sente muita gratidão pela forma como abriram caminho para a felicidade uns dos outros, e como um encontro num bar entre um britânico e uma norte-americana levou a mais duas histórias de amor.

“Sem o Chris não tivesse visto a Alice naquela noite, eu, genuinamente, nunca teria conhecido a Becca. Nunca teria a vida que tenho agora”, reflete Charlie. “É muito giro como tudo aconteceu. Foi um encontro casual. Só mostra que nunca sabemos o que o futuro nos reserva. Cada um de nós está obviamente muito feliz por ter acontecido desta forma.”

“Temos de lhes agradecer pela nossa vida maravilhosa e pelos nossos lindos filhos, por causa desse encontro casual”, diz Becca. “É uma espécie de serendipidade e destino.”

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Viagens

Mais Viagens

Na SELFIE

Mais Lidas