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Sentiram uma ligação profunda num voo para Londres. Um ano depois, ele voltou a contactá-la de forma inesperada

CNN , Francesca Street
30 mai, 09:00
chance
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Um voo, uma conversa e um emoji: a história de amor de Natalie e Juan

Natalie Malouf pensava frequentemente no homem que conhecera no avião para Londres.

Não era exatamente uma ligação romântica. Mas, assim que começaram a conversar, o diálogo foi marcado por uma fluidez invulgar.

“Quando falava com ele, parecia tão natural”, conta Natalie à CNN Travel. “Parecia que estava a falar com alguém que conhecia há muito tempo. Acho que foi por isso que a conversa simplesmente continuou e continuou.”

No início daquele voo, em 2016, Natalie, então na casa dos 20 anos, estava conscientemente a flirtar. Quando o passageiro ao lado não correspondeu, moderou a abordagem.

Mas a conversa continuou a fluir.

“Parecia que alguém me estava a tocar no ombro, como quem diz: ‘Presta atenção a este rapaz.’ Havia qualquer coisa para além de ‘Ah, é agradável conhecer alguém novo.’ Era quase como uma compulsão.”

Quando o voo aterrou em Londres, Natalie perguntou ao homem se queria manter contacto. Trocaram emails. Ela esperava que ele pudesse tornar-se, pelo menos, um amigo à distância.

Durante algum tempo, foi isso que aconteceu.

Trocaram alguns emails e números de telefone, para o caso de algum dia estarem na mesma cidade. Mas a conversa acabou por esmorecer rapidamente.

Natalie não ficou surpreendida. Viviam em lugares diferentes. Tinham vidas separadas. E embora acreditasse firmemente que homens e mulheres podiam ser apenas amigos, a intensidade daquela ligação no avião não lhe parecia totalmente platónica. Além disso, o homem do voo não parecia interessado em romance. Talvez tivesse companheira. Natalie não queria ultrapassar limites.

Por isso, concentrou-se na sua vida em Dallas, no Texas — trabalho, encontros, férias, amigos.

E depois, num dia de 2017, quase um ano depois de se terem conhecido, Natalie recebeu uma mensagem inesperada do homem do avião.

Ficou surpreendida ao ver o nome dele aparecer no telemóvel. Abriu a notificação. Para sua surpresa, era apenas um emoji: uma rosa.

O homem do avião

O homem do avião era Juan Prieto. Natural da Colômbia, Juan tinha pouco mais de 30 anos e trabalhava como professor investigador na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. Também tinha passado cinco anos em França a fazer o doutoramento.

“No final da minha estadia em França, sentia-me um pouco sozinho”, conta Juan à CNN Travel. “Estava a namorar com alguém. Naquela altura ainda estávamos juntos e, na verdade, eu estava a caminho de França para visitar essa pessoa.”

Juan sentia que a relação estava lentamente a desfazer-se. Mas ainda tentava fazê-la resultar. Por isso, naquele dia de dezembro de 2016, embarcou num voo do aeroporto Raleigh-Durham, na Carolina do Norte, para Londres, de onde seguiria para França para visitar a companheira.

Quase perdeu o voo. Estava sentado na porta de embarque, ao computador, a trabalhar num artigo científico, quando percebeu que era a última chamada para o voo da American Airlines para Heathrow. Apanhou as coisas à pressa e correu para o avião no último minuto.

“Estava a correr para encontrar o meu lugar”, recorda.

Atarantado, encontrou a fila e viu uma mulher sorridente sentada sozinha, a olhar para ele.

“Pensei: ‘Ah, tenho uma pessoa simpática sentada ao meu lado, ótimo’”, diz Juan. Não esperava que ela puxasse conversa, mas parecia acolhedora.

“O que aconteceu depois foi que fecharam as portas e o lugar entre nós ficou vazio”, recorda.

Foi isso que levou Natalie e Juan a começarem a falar pela primeira vez.

Ela falou primeiro, apontando para o lugar vazio: “Ah, que bom, vamos poder esticar-nos”, disse, mais para si própria do que para Juan.

Na verdade, a chegada tardia de Juan fizera Natalie acreditar que teria a fila inteira só para si.

A perspetiva agradava-lhe. Natalie estava a meio de um mestrado. Ia a caminho de Berlim, com escala em Londres, para visitar a irmã, que estudava lá. Devido à carga académica, sentia-se exausta.

“Como reservei à última hora, tive de apanhar um voo de Dallas para Raleigh-Durham, depois Londres e Berlim”, recorda. “Então pensei: ‘Esta é a segunda etapa de muitas. Quero descansar.’”

Quando Juan entrou apressadamente no avião e se sentou na fila dela, Natalie ficou desapontada.

Mas a desilusão durou pouco.

“Havia qualquer coisa nele que me intrigava. E pensei: ‘Quero muito falar com esta pessoa’”, relembra.

Não foi amor à primeira vista. Foi mais como se um holofote iluminasse aquele desconhecido no avião — como se lhe dissesse para prestar atenção.

Quando Natalie conheceu Juan no avião, sentiu-se atraída por ele e descreve a vontade de falar com ele como quase uma "compulsão". (Cortesia Natalie Malouf e Juan Prieto)

Por isso, começou a conversar. Ao início, era conversa típica de avião. Nada profundo, nada pessoal.

“Mas depois começámos a falar do trabalho do Juan e, a partir daí, falámos o voo inteiro”, diz Natalie.

“Descobrimos que tínhamos muitas coisas em comum”, conta Juan. “Por exemplo, Natalie tinha vivido um ano em Bordéus. Eu também tinha passado tempo em França, isso aproximou-nos.”

Conversaram sobre as experiências em França. Juan não mencionou a companheira. Tentou afastar a conversa de qualquer tom obviamente romântico.

E embora Natalie sentisse que aquela ligação podia ser importante, não sabia em que sentido.

“Para ser sincera, encontrar um parceiro não estava no meu radar quando o conheci”, diz hoje Natalie. “Então, quando o conheci, senti que estava apenas a ser genuína, porque nem sequer pensava que aquilo pudesse dar em alguma coisa.”

À medida que a conversa avançava, Natalie desistiu dos planos de dormir. Juan abandonou os planos de trabalhar. Não conseguiam parar de falar.

“Percebemos que tínhamos experiências de vida semelhantes e interesses paralelos, apesar de trabalharmos em áreas muito diferentes”, diz ela. “Eu estudei relações internacionais e ciência política, e ele é cientista informático na área médica.”

Os dois tinham uma visão semelhante da vida e partilhavam o gosto por viajar.

“Ele é da Colômbia. Falámos sobre as nossas experiências de crescimento”, conta Natalie.

“Falei das muitas vezes que viajei para os EUA, porque tenho família cá, tios e tias”, diz Juan. “Natalie interessa-se muito por viagens. Encontrámos muitos pontos em comum.”

A facilidade que Natalie sentia ao lado de Juan fez com que se sentisse confortável “a ser simplesmente ela própria”.

Foi isso que a levou a perguntar-lhe se queria trocar contactos quando o avião começou a descer para Londres.

“Porque senti uma empatia tão natural com ele desde o início, e era algo distinto de quase todas as pessoas que tinha conhecido…”

Ela não assumia que fossem namorar. Apenas tinha a certeza de que conhecera uma alma gémea.

Já Juan também pensou que poderiam tornar-se amigos. Recorda-se de pensar: “Ela parecia muito simpática. É agradável conseguir ter uma conversa natural sobre qualquer coisa.”

Depois de trocarem emails, Natalie e Juan saíram juntos do avião e caminharam lado a lado pelo aeroporto de Heathrow. Ambos tinham voos de ligação e acabaram por seguir caminhos diferentes.

Não se despediram com um abraço.

“Acho que nem apertámos as mãos”, diz Natalie. “Ele disse-me: ‘Espero que passes um ótimo tempo com a tua irmã.’ E eu respondi: ‘Tenho saudades de França. Aproveita França.’ Foi uma despedida cordial.”

Mas Natalie lembra-se vividamente de o ver afastar-se. À medida que desaparecia no meio da multidão, sentiu uma certa melancolia.

Uma mensagem inesperada

Seguiram-se algumas trocas de emails e mensagens. Mas a ligação rapidamente esmoreceu, enquanto ambos retomavam as suas vidas ocupadas.

“Houve um longo período em que não falámos”, diz Juan.

Durante esse tempo, a relação dele terminou. Não foi um choque, mas foi uma grande mudança. Juan concentrou-se em reconstruir a vida depois da separação, no trabalho na universidade e nas amizades na Carolina do Norte.

Então, quase “do nada”, Natalie voltou-lhe à memória. Começou a pensar no tempo que tinham passado juntos no avião. Na conversa fácil. Na ligação natural.

Não falavam há quase um ano. Juan hesitou, perguntando-se se seria estranho reaparecer assim na vida dela. Pensou em como poderia voltar a entrar em contacto.

Agora solteiro, Juan conseguiu reconhecer o potencial romântico daquela química no avião. Queria deixar isso claro na mensagem, mas tudo o que imaginava parecia demasiado intenso.

Por isso, optou pelo emoji da rosa.

A resposta de Natalie chegou rapidamente: “Porque me estás a enviar isto?”

Juan entrou em pânico.

“Pensei: ‘Oh não, fui demasiado agressivo?!’”

Do outro lado do país, Natalie olhava para o telemóvel, tentando perceber o significado da mensagem.

“Lembro-me de pensar: ‘Gostei mesmo muito de falar com este rapaz. Mas porque passou tanto tempo e porque estás a enviar isto agora? E também sabias que o meu nome do meio é Rose?’”

As rosas tinham sempre tido um significado especial para Natalie, por causa do nome do meio. Tudo lhe pareceu um pouco serendipitoso. Mas também estava cética quanto às intenções de Juan. Assumira que ele não estava interessado nela.

“Foi tipo: ‘Então, o que estás a fazer com isto, senhor?’”, recorda, a rir-se. “Mas depois começámos logo a falar outra vez. Retomámos tudo imediatamente.”

Juan explicou que, quando se conheceram, estava numa relação e agora estava solteiro. Natalie sugeriu falarem ao telefone.

E quando ouviram as vozes um do outro, a facilidade da conversa do avião regressou.

Quando Juan e Natalie voltaram a falar, aproximaram-se rapidamente e a química fácil do avião regressou. (Cortesia Natalie Malouf e Juan Prieto)

Natalie atravessava uma fase menos boa no curso e sentia-se insatisfeita com a vida em geral. Falar com Juan era um conforto.

“Sentia que não sabia o que estava a fazer com a minha vida. Não sabia se tinha a certeza do que queria para a carreira e sentia-me perdida.”

Ela abriu-se com Juan, e ele ouviu-a. Fazia-a sentir-se melhor apenas com a sua presença, apesar dos milhares de quilómetros de distância. Em troca, Juan falou sobre o fim da relação.

“Não foi muito bom para mim”, disse-lhe.

“Falámos muito sobre as nossas experiências”, recorda Natalie. “Acabou por ser uma conversa telefónica de duas ou três horas, e tinha a mesma sensação natural de quando estávamos no voo.”

Depois dessa primeira chamada, começaram a falar regularmente ao telefone — normalmente ao final do dia, quando Natalie terminava de estudar e Juan acabava o trabalho.

“Essas conversas, muito tarde à noite, começaram a ir noutra direção…”, diz Juan. “Começámos a tornar-nos mais românticos porque ambos estávamos disponíveis.”

“As coisas podiam realmente desenvolver-se”, acrescenta Natalie. “Mas depois surgiu o desafio da distância.”

Reencontro no aeroporto

Após várias semanas de conversas noturnas, Juan convidou Natalie a visitá-lo em Raleigh. Reencontraram-se no mesmo tipo de lugar onde se tinham visto pela última vez — um aeroporto.

Quando se avistaram no terminal de chegadas, ambos sorriram. Continuaram a sorrir enquanto caminhavam um para o outro. Depois abraçaram-se.

“Abraçámo-nos imediatamente e beijámo-nos”, recorda Natalie. “Foi muito especial.”

“Sabíamos: ‘Ok, isto é romântico’”, diz Juan. “Por isso, da primeira vez que nos voltámos a ver, beijámo-nos.”

Esse fim de semana juntos foi especial para ambos. O conforto que definira a ligação desde o início continuava presente. E só aumentou.

“Eu estava apenas a seguir esta sensação de: ‘Esta ligação é tão fácil’. Quando nos encontrámos pessoalmente, pareceu tudo tão natural”, afirma Natalie. “Não estava constantemente preocupada com a minha aparência.”

Juan organizou um fim de semana cheio de atividades divertidas.

“Pensei: ‘Vivemos em cidades diferentes. Ela vai visitar-me. Vamos tentar divertir-nos o máximo possível’.”

A primeira atividade? Ioga com cabras.

“É numa quinta, e as cabrinhas vêm mordiscar snacks enquanto estás a fazer posições de ioga”, conta Natalie, a rir-se. “Tivemos um fim de semana cheio de encontros, descanso, filmes, passeios ao ar livre. Conheci alguns amigos dele.”

Ambos ficaram aliviados — embora não surpreendidos — com a autenticidade e facilidade de tudo.

“Havia química física”, diz Natalie. “Tínhamos falado durante tanto tempo, mas só nos tínhamos encontrado uma vez no voo. Pensei: ‘Será que vamos sentir esta química física agora que sabemos que gostamos mesmo um do outro?’ Mas sentimos imediatamente.”

Quando voltou para casa, Natalie contou tudo à família e aos amigos.

“Disse aos meus pais que tinha corrido muito bem e o quanto gostava dele, e que estava pronta para ter uma relação à distância com este rapaz”, conta.

“Depois fui a Dallas conhecer a família da Natalie, e também correu muito bem”, observa Juan.

Compromisso mútuo

Natalie e Juan foram viver juntos na Carolina do Norte e começaram depois a falar sobre casamento. (Cortesia Natalie Malouf e Juan Prieto)

Após estas visitas iniciais, Natalie e Juan estabeleceram uma relação à distância. Nem sempre foi fácil, mas ambos sabiam que estavam comprometidos em fazê-la funcionar.

Namoraram à distância durante mais de três anos, encontrando-se sempre que podiam. Inicialmente, era difícil prever quando terminaria a distância — Natalie estava a concluir o mestrado e ainda não sabia o que queria fazer da vida.

Mas em 2021, após a pandemia, Natalie decidiu mudar-se para a Carolina do Norte para estar com Juan. A relação era uma das poucas certezas que tinha.

“Ele tinha um emprego muito estável. Já trabalhava há bastante tempo na universidade. E eu estava numa fase da vida em que, logisticamente, fazia mais sentido ser eu a mudar-me”, explica.

Além disso, Juan adorava a Carolina do Norte. E Natalie apaixonara-se pelo estado ao mesmo tempo que se apaixonava por ele.

Mais tarde, no outono de 2021, decidiram casar. Sempre tinham falado em casamento e o momento parecia certo. Mais uma vez, o amor e a ligação entre ambos pareciam algo seguro num período de incerteza.

“Casámo-nos num tribunal da Carolina do Norte, com poucas pessoas”, lembra Natalie. “Foi um casamento muito pequeno e íntimo. Foi realmente bonito. Mas continuávamos a falar sobre como seria divertido juntar as famílias. Eu queria viajar para a Colômbia, França ou outro lugar internacional que fosse significativo para nós.”

A segunda celebração aconteceu no outono de 2022. Nessa altura, as fronteiras já tinham reaberto e os familiares — incluindo a família de Juan na Colômbia — puderam reunir-se para celebrar.

“Tivemos 170 convidados”, conta Natalie. “Foi incrível, muito divertido. Portanto, tivemos dois casamentos.”

A importância da ligação

Hoje, Natalie e Juan são pais de um filho de dez meses. (Cortesia Natalie Malouf e Juan Prieto)

Hoje, Natalie e Juan continuam a viver na Carolina do Norte, agora com um bebé de dez meses.

“A privação de sono é a parte mais difícil”, assume Natalie sobre a parentalidade. “Mas acho que nos aproximou ainda mais… E depois ver este pequeno ser humano que criámos juntos, é muito especial.”

O casal está a criar o filho bilingue, em espanhol — a língua materna de Juan — e inglês.

“Fazemos chamadas regulares com a família dele na Colômbia, os avós e outros familiares. E estamos a planear uma viagem em julho para ele conhecer a família e os amigos lá”, anuncia Natalie.

“O nosso amor por viagens, experiências internacionais e multiculturalismo continua agora através da forma como criamos o nosso filho.”

Hoje, quase uma década depois do encontro no voo, o casal ainda recorda ocasionalmente aquela primeira viagem — especialmente quando voam juntos.

“Estamos de mãos dadas e eu digo: ‘Lembras-te de que nos conhecemos assim?’ E ele ri-se”, conta Natalie.

Embora, como jovens pais, estejam muitas vezes concentrados na vida quotidiana, “de vez em quando ainda me bate”, admite.

“Se eu não tivesse reservado exatamente aquele voo, se não estivesse exatamente naquele lugar, e se ele não tivesse exatamente aquele itinerário…”

Para Juan, a história deles celebra a importância da “ligação”.

“Tentem falar com um desconhecido”, aconselha. “Nunca se sabe o que pode acontecer, nem onde essas ligações podem levar. Pode resultar em algo muito bonito, como aconteceu connosco.”

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