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Sabia que não deve beber água à refeição? Este e outros conselhos quando está calor

1 ago 2025, 17:37
Água de fonte

 

 

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Saiba alguns cuidados que deve ter para manter uma hidratação adequada durante o tempo quente

As temperaturas sobem e os alertas são automaticamente dados por parte das entidades competentes. O calor aperta e os hábitos mudam. Beber água é, certamente, um deles - até porque deve sentir mais sede durante os meses quentes. Mas cuidado, porque que ingerir água em excesso pode ter efeitos indesejados.

Em dias de calor extremo deve aumentar a ingestão de água, sim, mas atenção, “porque não é benéfico ingerir muita quantidade de água se a ingestão de água depois fica retida no organismo”, alerta nutricionista Carla Castrelo.

A ingestão excessiva de água, ao contrário do que possa parecer, pode não ser benéfica. “Quando se ingere água a mais, pode haver alguma sobrecarga a nível da parte renal há o maior esforço do rim em conseguir fazer a filtragem”. A juntar a esta questão, pode também haver alguma dilatação da zona abdominal, pode ter digestões mais difíceis e pode ainda sentir algumas dores de cabeça. 

“O objetivo é a pessoa ir bebendo água, mas também, percebendo, e com a continuação, quantas vezes vai urinar ao longo do dia, para perceber se está a haver uma boa hidratação do organismo e se o rim está a funcionar de uma forma mais eficiente”, refere a especialista.

Saiba também que a água pode atrapalhar o seu bom funcionamento digestivo, principalmente se estiver muito fria. Segundo a nutricionista Carla Castrelo, “a água à refeição deve ser evitada”. A especialista aconselha a que opte por ingerir água no início da refeição e no final, se assim sentir sede. “Não é que, como se ouve muitas das vezes, a água engorda. Não engorda, mas apenas faz dilatar a zona abdominal e faz com que a pessoa tenha digestões mais lentas, que sejam mais difíceis”, explica. Em caso de presença de patologias ou presença de qualquer tipo de comprometimento de digestão “os cuidados terão de ser redobrados”.

“Além de haver alguma alteração de pH, pode haver diluição dos líquidos com os sólidos, ou seja, se bebermos água e estamos a fazer a nossa refeição, há uma mistura do líquido com o sólido que vai comprometer a parte digestiva”. A permanência dos alimentos no estômago, “que faz com que o esvaziamento para o intestino não seja tão eficiente”, pode comprometer a digestão, esclarece Carla Castrelo.

Caso o seu processo digestivo não esteja a funcionar da melhor maneira, pode sentir alguma dor ou desconforto, algum refluxo, ou arrotar com certa frequência. Nesses casos, e como indica a especialista, bebidas que não estejam nem quentes nem frias, como os chás com alguma planta natural - chá de hortelã-pimenta, chá de funcho ou chá de erva-cidreira - podem facilitar este processo.

Mas afinal, que quantidade de água deve beber ao longo do dia?

Há alguns fatores em causa, como a estatura, o peso e o próprio organismo da pessoa. Por norma, e conforme indica a nutricionista Carla Castrelo à CNN Portugal, por dia deve beber entre 30 a 35 mililitros por cada quilo de peso.

“A cada hora devemo-nos ir hidratando, sempre. Isto para um bom funcionamento normal, seja a nível de hidratação, seja a nível também da função renal, para não haver sobrecarga a nível renal, e também para mantermos uma função metabólica mais ativa”, aponta a especialista. 

Mas atenção. Se estiver exposto ao sol, principalmente nas horas de maior calor, deve alterar este intervalo de tempo. “A pessoa deve manter uma hidratação a cada 30 minutos para combater um bocadinho esse calor”, alerta Carla Castrelo. 

Caso esteja a pensar ir dar uma caminhada, correr ao ar livre ou praticar qualquer outro desporto, deve também ter cuidado de forma a manter uma hidratação adequada. É recomendado, “desde que a pessoa não tenha nenhum problema patológico de base, se não tiver nenhum problema de gastrite, por exemplo, ou nenhum refluxo”, que promova a hidratação durante o treino, “principalmente água”, enfatiza a nutricionista. 

Nestas ocasiões, deve deixar bebidas com açúcar adicionados de lado, já que tendem “a baixar um pouco o nível de hidratação”. Uma boa solução para os que têm mais dificuldade em beber água pode ser a de aromatizar a mesma. Limão, pau de canela ou hortelã são alguns exemplos deixados por Carla Castrelo. 

Ainda assim, se for daqueles que não ingere água durante a prática de exercício físico - ou por sentir o estômago muito cheio ou por sentir algum desconforto - pode optar por se hidratar antes de iniciar atividade física e após o seu término. Como diz a especialista: “Isso depende de cada pessoa, de indivíduo para indivíduo. Há pessoas que transpiram com muito mais facilidade, portanto, têm uma perda de líquidos muito mais intensa, há outras que não. Há outras pessoas que, mesmo com a mesma carga de exercício, não transpiram da mesma forma, ou têm dificuldade em transpirar”.

“Se realmente se sentir mais confortável em não beber durante o treino, não beba. Se se sentir confortável e isso não afetar a parte da execução dos exercícios, então pode manter a cada meia hora.”

Lembre-se também que a ingestão de água, ou neste caso a pouca ingestão, se manifesta na pele. A hidratação é importante a vários níveis, como frisa a dermatologista Marta Ribeiro Teixeira. “Não só para mantermos uma pele bonita e saudável, como também para evitar que a pele, ficando seca, fique também com mais tendência a desenvolver determinadas patologias.”

Cuidado com a pele

A pele seca normalmente fica mais baça, enrugada e com rugas finais mais visíveis. Com ela podem surgir sintomas como a descamação e “o aparecimento de algumas lesões de eczema com vermelhidão e descamação mais intensa, que na maioria dos casos estão acompanhados do prurido”. 

Nestes casos, dá para analisar o estado da pele consoante a forma como os produtos que metemos reagem. “O creme espalha pior, fica aos grumos”. A forma como a pele reage à maquilhagem, por exemplo à base, é também uma forma de verificar essa situação.  

Este tipo de pele reúne as condições para haver um maior risco de desenvolvimento de determinadas patologias. ”Há o risco maior de se desenvolverem, por exemplo, eczemas, comichão, pode ser em alguns casos muito fortes”, aponta a especialista. “Tem uma consequência não só estética, mas tem uma consequência também a nível da saúde da pele”, acrescenta. 

Tendencialmente com a idade, a pele torna-se mais seca e detém menos capacidade de reter a hidratação. Também as pessoas com algum tipo de patologia na pele, nomeadamente dermatite atópica, têm a pele mais seca. Nestes casos e em dias de maior calor, a pele fica mais desidratada. 

Conforme sublinha Marta Ribeiro Teixeira, “a quantidade [de água] deve ser reforçada nestes dias de maior calor e de maior transpiração”, mas “muitas das vezes não chega o consumo de água, a nossa pele precisa de uma hidratação também a nível da aplicação de cremes.”

A especialista reforça a importância de, além da hidratação correta, dever ainda manter uma boa alimentação, optando por alimentos ricos em água, que ajudam a manter a pele saudável. O protetor solar é também um passo muito importante na sua rotina que não deve esquecer. Procurar a sombra e evitar a exposição solar nas horas de maior calor são também passos importantes para evitar que a pele fique mais seca.  

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil reforça a importância de se manter hidratado e enumera os principais benefícios. Regular a temperatura corporal, contribuir para o funcionamento saudável do coração, diminuir o risco de pedras nos rins e melhorar a atenção, a concentração e a capacidade de memória a curto prazo são algumas das vantagens elencadas pela autoridade nacional em questão. 

Os especialistas, bem como a Direção Geral da Saúde (DGS), reforçam a importância de beber água mesmo quando não se sente sede. E não deve esquecer que nem tudo o que é líquido hidrata.

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