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Henry Nowak: todo o caso que está a abalar o Reino Unido e até já tem Elon Musk metido ao barulho

5 jun, 13:21
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Tudo aconteceu na noite de 3 de dezembro, quando Henry Nowak se cruzou com Vickrum Digwa, de 23 anos, na Belmont Road, em Southampton, por volta das 23:30 locais. O que aconteceu a seguir, chocou o Reino Unido

A morte de Henry Nowak, um estudante de 18 anos, transformou-se num dos casos mais mediáticos do momento no Reino Unido. Mais do que o crime em si, o que está agora sob forte escrutínio é a atuação da polícia nos instantes finais da vida do jovem, um cenário que está a provocar choque e indignação em todo o país.

Nowak era natural de Chafford Hundred, em Essex, e frequentava o primeiro ano de contabilidade e finanças na Universidade de Southampton. A família descrevia-o como alguém que estava “a aproveitar plenamente a vida universitária” e que, na noite em que morreu, tinha estado com amigos da equipa de futebol.

Nas palavras dos familiares, Henry era um filho e irmão profundamente querido, “bondoso, inteligente e talentoso”. Em tribunal, a irmã Olivia recordou-o como o seu “melhor amigo”, sublinhando que os dois partilhavam “um laço inquebrável”. Já a mãe, Lucy Ross, descreveu-o como “ambicioso, determinado e cheio de vida”. Mas, no final do ano passado, tudo mudou.

O que aconteceu naquela noite

Tudo aconteceu na noite de 3 de dezembro, quando Henry Nowak se cruzou com Vickrum Digwa, de 23 anos, na Belmont Road, em Southampton, por volta das 23:30 locais. Henry regressava a casa sozinho depois de uma saída com amigos.

Segundo o juiz William Mousley KC, tratou-se de um “encontro casual”. O tribunal concluiu que Nowak estava sozinho, desarmado e tinha consumido álcool abaixo do limite legal de condução.

Digwa transportava consigo uma faca e uma segunda lâmina maior, ligada à sua tradição enquanto membro da religião Sikh. Ao reparar na arma, Henry começou a filmar o suspeito com o telemóvel e perguntou-lhe se era um “homem mau”. Digwa acabaria por lhe retirar o telemóvel.

A partir daí, segundo o juiz, os acontecimentos foram apenas presenciados pelos dois homens. O tribunal considerou provado que Digwa esfaqueou deliberadamente Henry Nowak, que sofreu quatro golpes, um dos quais fatal no peito. Ficou ainda estabelecido que Digwa filmou o jovem enquanto este agonizava.

Quando a polícia chegou, Digwa alegou que tinha sido alvo de insultos racistas, o que veio a provar-se como falso, aumentando ainda mais o fervor da sociedade britânica.

A indignação de um país

Mas o caso não se ficou por aí. A polémica intensificou-se após a divulgação de imagens de bodycam da polícia, publicadas com autorização da família. Nas imagens, vê-se Henry Nowak no chão, a ser algemado, enquanto repete que foi esfaqueado e que não consegue respirar, com um dos agentes da polícia a responder que não acreditava.

Os agentes colocaram-no de lado, algemaram-no e detiveram o jovem. Poucos minutos depois, Henry deixa de responder às questões das autoridades, obrigando a ser acionada uma ambulância e a que se iniciassem manobras de reanimação. Todas as tentativas não tiveram resultado e o jovem acabaria por morrer.

O vídeo de tudo o que aconteceu acabou por ser revelado agora e a família não escondeu a revolta, descrevendo o tratamento como “desumano e degradante”. O pai, Mark Nowak, afirmou que a diferença de tratamento entre o filho e o agressor foi “insuportável”, deixando uma frase dura: “Henry não morreu com dignidade”.

Protestos pela ação policial na morte de Henry Nowak. Gareth Fuller/AP

O caso está agora a ser investigado pelo Independent Office for Police Conduct (IOPC), depois de a própria polícia se ter auto-referido ao organismo. Também a Inspeção de Polícia e Bombeiros foi chamada a avaliar a atuação das autoridades.

"Terrível e chocante": reações chegaram à politica 

Também a nível político o caso já provocou uma onda de reações. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou o episódio como “terrível e chocante” e defendeu que a atuação policial deve ser investigada. Mais tarde, recebeu a família de Henry em Downing Street, dizendo ter ficado “profundamente honrado” com o encontro e sublinhando que o jovem merece “um legado que vá além desta tragédia”.

Enquanto isso, a líder conservadora Kemi Badenoch considerou o caso um “alerta para todos” e apelou à cooperação entre partidos para recuperar a confiança na polícia.

Já Nigel Farage, líder do Reform UK, falou em sinais de “policiamento a duas velocidades” e pediu uma reação pública de “raiva pura e fria”. Starmer respondeu acusando-o de explorar a tragédia para criar divisão.

O debate chegou também a Elon Musk, que criticou a atuação policial na rede social X. Numa publicação feita na na terça-feira, o multimilionário apelou à divulgação das imagens da atuação policial.

“Enviem o vídeo a toda a gente que conhecem para mostrar quão horrivelmente Nowak foi tratado pela polícia nos seus últimos momentos de vida e como a polícia se vergou cobardemente perante o seu assassino”, referiu.

O empresário foi mais longe e criticou o silêncio dos meios de comunicação social tradicionais sobre o caso. “Os meios de comunicação tradicionais, os mesmos que escreveram milhões de vezes sobre George Floyd, estão completamente calados sobre Nowak.”

Após as declarações, e durante uma visita a York esta quinta-feira, Keir Starmer acusou Elon Musk de se intrometer na política britânica e de tentar aumentar as divisões em torno do caso.

“Também temos de afirmar quem somos enquanto país, porque Musk, mais uma vez, tem interferido na nossa política nos últimos dias, tentando fomentar divisões. Isso não representa aquilo que somos no Reino Unido”, declarou o primeiro-ministro.

Starmer acrescentou que “no Reino Unido somos pessoas razoáveis e tolerantes” e destacou a postura da família de Henry Nowak perante a tragédia. “Quando enfrentamos um caso terrível como o de Henry Nowak, reagimos com calma, tal como a sua família fez”, afirmou.

A condenação 

Fotografia sem data, divulgada originalmente a 28 de maio de 2026 pela Polícia de Hampshire, que mostra Vickrum Digwa, condenado pelo Tribunal da Coroa de Southampton a prisão perpétua com um período mínimo de 21 anos pelo homicídio do estudante Henry Nowak, de 18 anos. Polícia de Hampshire via AP

O tribunal não teve dúvidas na decisão: Vickrum Digwa foi considerado culpado de homicídio e condenado a prisão perpétua, com um período mínimo de 21 anos antes de poder pedir liberdade condicional.

Além da pena pelo homicídio, Digwa foi também condenado por porte de arma branca em espaço público.

O juiz rejeitou por completo a versão apresentada pelo arguido, segundo a qual Henry Nowak o teria insultado de forma racista e que teria agido em legítima defesa.

Na sentença, o magistrado foi particularmente duro, afirmando que a conduta de Digwa trouxe “vergonha” à sua família e à sua religião, e que teve ainda o efeito de alimentar tensões raciais em Southampton e em várias zonas do país.

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