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Dois polícias britânicos investigados por suspeitas de má conduta grave na polémica detenção de Henry Nowak

1 jul, 10:50
Pessoas protestam em frente à esquadra da polícia em Southampton, Inglaterra, na terça-feira, 2 de junho de 2026, uma delas segurando uma fotografia de Henry Nowak, de 18 anos, vítima de um esfaqueamento em dezembro de 2025. Gareth Fuller/PA via AP
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Informação surge depois de, no mês passado, Vickrum Digwa, de 23 anos, ter sido condenado a prisão perpétua por ter esfaqueado mortalmente o jovem de 18 anos, em dezembro

Dois agentes da polícia britânica estão a ser alvo de uma investigação por possível má conduta grave relacionada com a forma como lidaram com Henry Nowak antes da sua morte.

De acordo com os registos do caso, o jovem terá dito aos agentes que não conseguia respirar e que tinha sido esfaqueado após um ataque em Southampton, em Inglaterra. No entanto, os polícias de Hampshire terão ignorado os seus pedidos de ajuda e não terão percebido a gravidade dos ferimentos.

O Independent Office for Police Conduct (IOPC), citado pela Sky News, confirmou agora que está a investigar a conduta de dois agentes. Segundo o organismo, existem indícios de que os polícias em questão, que chegaram ao local na noite de 3 de dezembro, poderão ter violado os padrões profissionais relacionados com deveres e responsabilidades, uso da força e conduta suscetível de descrédito.

O IOPC acrescenta ainda que um dos agentes poderá também ter infringido os padrões de autoridade, respeito e cortesia, ao aparentemente desvalorizar a afirmação de Henry de que tinha sido esfaqueado.

O organismo regulador está igualmente a avaliar se a etnia ou religião poderão ter tido influência na tomada de decisões dos agentes.

A informação surge depois de, no mês passado, Vickrum Digwa, de 23 anos, ter sido condenado a prisão perpétua por ter esfaqueado mortalmente o jovem inglês de 18 anos. A família de Henry Nowak já foi informada da abertura desta investigação.

Nowak era natural de Chafford Hundred, em Essex, e frequentava o primeiro ano de contabilidade e finanças na Universidade de Southampton. A família descrevia-o como alguém que estava “a aproveitar plenamente a vida universitária” e que, na noite em que morreu, tinha estado com amigos da equipa de futebol.

Nas palavras dos familiares, Henry era um filho e irmão profundamente querido, “bondoso, inteligente e talentoso”. Em tribunal, a irmã Olivia recordou-o como o seu “melhor amigo”, sublinhando que os dois partilhavam “um laço inquebrável”. Já a mãe, Lucy Ross, descreveu-o como “ambicioso, determinado e cheio de vida”. Mas, no final do ano passado, tudo mudou.

O que aconteceu naquela noite

Tudo aconteceu na noite de 3 de dezembro, quando Henry Nowak se cruzou com Vickrum Digwa, de 23 anos, na Belmont Road, em Southampton, por volta das 23:30 locais. Henry regressava a casa sozinho depois de uma saída com amigos.

Segundo o juiz William Mousley KC, tratou-se de um “encontro casual”. O tribunal concluiu que Nowak estava sozinho, desarmado e tinha consumido álcool abaixo do limite legal de condução.

Digwa transportava consigo uma faca e uma segunda lâmina maior, ligada à sua tradição enquanto membro da religião Sikh. Ao reparar na arma, Henry começou a filmar o suspeito com o telemóvel e perguntou-lhe se era um “homem mau”. Digwa acabaria por lhe retirar o telemóvel.

A partir daí, segundo o juiz, os acontecimentos foram apenas presenciados pelos dois homens. O tribunal considerou provado que Digwa esfaqueou deliberadamente Henry Nowak, que sofreu quatro golpes, um dos quais fatal no peito. Ficou ainda estabelecido que Digwa filmou o jovem enquanto este agonizava.

Quando a polícia chegou, Digwa alegou que tinha sido alvo de insultos racistas, o que veio a provar-se como falso, aumentando ainda mais o fervor da sociedade britânica.

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