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Jornalista,editor de Sociedade

Jornalismo de investigação: Peter Rabbit, os camiões de Vieira e a agenda que saiu do lixo  

24 jun, 17:46

Pedro Coelho, arauto do jornalismo bom que o país reconhece de entregar uns documentários ao ritmo frenético e com o impacto do Borda D'Água - esse famoso anuário das marés -, tem a soberba, a indelicadeza e má educação de desfazer publicamente o trabalho dos outros. De cátedra, em frases curtas, como se do 'tweet' de um Pulitzer se tratasse. Não trata. Banal de conteúdo e boçal na forma, para atacar a notícia de uma escuta que envolve o ex-primeiro-ministro, começa por dizer o óbvio: jornalismo de fontes não é jornalismo de investigação. Mas nem quer ser, digo eu. Não finge ser, sobretudo.

É jornalismo sério, de interesse público, como a dita escuta, que chega onde não chegam os "takes" das agências e as cartilhas das "agendas". É o jornalismo de fontes que dá as notícias. Que descobre, e noticia, aquilo que alguém não quer que se noticie. Não faz, em regra, "favorzinhos" a "interesseiros" - que ficam para alguns prostitutos da classe que o Professor Coelho lá conhecerá. Onde não me incluo nem me revejo, graças a Deus.

Sucede que, se jornalismo de fontes e das notícias com relevante interesse público que alguns asnos não alcançam não é jornalismo de investigação, como não teria que o ser, também não o são documentários paleolíticos, lamento. E sempre me parecem mais úteis ao mundo "os excertos selecionados de inquéritos do MP" do século XXI do que os excertos judiciais dos anos 80 sobre os furtos de camiões por parte de Luís Filipe Vieira.

Do jornalismo de investigação, que não é o meu mas que muito prezo e respeito - como o conhecido "caso das gémeas", da TVI, lá está -, espero muito. Quando ele existe e, lá está, não quando me apresentam uns atores mal amanhados a reconstituir, com imagens a preto e branco, uns desvios de veículos pesados por parte do ex-presidente do Benfica há 40 anos. Para esse "jornalismo de investigação" já subscrevo boas plataformas de streaming, obrigado. 

De resto, a aversão do Mestre Coelho a fontes deve advir, por exemplo, do facto de ter encontrado a agenda de Ricardo Salgado no lixo. A ter sido alguma fonte que lha deu, seguramente não se tratou de um "favorzinho" a algum "interesseiro". Ora essa.

Não sei quem convenceu o Dr. Coelho de que era o Sherlock Holmes de Paço de Arcos, nem me interessa. Não sendo acionista, não sou eu que lhe sustento, ao dia 30, o ócio e a mania das grandezas. Ou como diria o Borda D'Água, "Preia-mar, Baixa-Mar". Boa sorte.

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