opinião
Jornalista,editor de Sociedade

Só esta justiça para me fazer ter pena de Duarte Lima

29 set, 22:09

Duarte Lima é um confirmado burlão. E isto,  comparado com as fortes suspeitas de que, por dinheiro, também assassinou uma senhora a tiro, a sangue-frio e à queima-roupa, no Brasil, não é sequer nada. Digo "confirmado" porque, depois de ter sido condenado por fazer parte de um esquema que desviou 43 milhões de euros ao BPN, até já o confessou. Fê-lo na prisão, aos técnicos de reinserção social que iriam dar um parecer para a liberdade condicional.

Sobre o carácter de Duarte Lima, antigo parlamentar do PSD, estamos então conversados. Não é fácil de descrever a falta de consideração que tenho por ele - e esta quinta-feira, no entanto, o que aconteceu para ter sentido pena daquele homem de 66 anos? O facto de ter sido humilhado pela Justiça, de forma cobarde e gratuita, com o país inteiro a assistir pela televisão. 

Aquele momento "à "Vale e Azevedo", em que Duarte Lima disputou com o antigo presidente do Benfica o recorde de menos tempo em liberdade, assenta como uma luva numa certa imagem que às vezes passa dos nossos tribunais. Fracos com os fortes, fortes com os fracos e, neste caso, também com os antigos poderosos já caídos em desgraça. Miserável.

Se queriam mantê-lo preso preventivamente à guarda do processo do homicídio, sabendo que ele iria ser libertado no caso das burlas, depois de concluída a pena, só tinham que ter promovido as medidas de coação há uma, duas, três semanas. Nunca esperariam que Duarte Lima chegasse à porta da prisão da Carregueira pelo próprio pé, saindo até à rua, para lhe exibirem um novo mandado de detenção à frente das câmaras de televisão e dos microfones, enfiando-o depois dentro de um carro da polícia para ir dormir a uma esquadra.

Este exercício gratuito e miserável de humilhação, repito, é só cobarde. Gostava, antes, que tivessem tido a competência de o julgar mais cedo pelo homicídio  - Rosalina Ribeiro já foi assassinada há mais de 10 anos -, ou que tivessem às vezes a coragem de passar outros mandados que não passam. 

Só não digo que sinto vergonha alheia pelo que se passou porque, infelizmente, a vergonha é minha. É suposto este tipo de justiça também me representar, embora eu dispensasse.

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