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Jornalista,editor de Sociedade

Andrea Marques: o Governo do país nas mãos enquanto brincava aos espiões 

21 jan, 13:39

Por estes dias passam dois anos desde que descobrimos, eu, o Carlos Rodrigues Lima e todos os que dão valor a uma imprensa livre em democracia, a atrocidade que cometeram duas procuradoras do Ministério Público, representantes do Estado e garantes da legalidade. Mandaram espiar-nos, aos dois, para matarem a nossa missão de escrutínio da vida pública - e escaparam impunemente, desde logo salvas pelo corporativismo da magistratura, quando deviam ter sido, as duas, corridas ou desterradas numa ilha distante.

Vem isto a propósito de uma altura, mais uma, em que o jornalismo tem sido decisivo no escrutínio da vida pública - porque sem ele vivíamos todos na verdade que nos vão vendendo. E aquelas senhoras cometeram uma atrocidade para nos descobrirem as fontes, para acabarem com elas, e, com isso, matarem a nossa missão. É o que ninguém lhes devia perdoar, mas uma continua a mandar no Ministério Público de Lisboa - felizmente, parece que por pouco tempo - e a outra, pasme-se, continua a ter em mãos, e na secretária, alguns dos processos mais importantes e complexos de corrupção no país. 

Só mesmo em Portugal para isso ser permitido a uma pessoa que, recorde-se, ia acusar um coordenador superior da Polícia por corrupção  sem perceber que os depósitos que lhe encontrou numa conta eram de dinheiro levantado de outra conta do mesmo titular.

Parece anedota, de facto, mas é a procuradora Andrea Marques. Que fez a montanha parir um ratinho na história de corrupção dos colégios GPS. E investiga há mais de cinco anos, sem atar nem desatar, os vários processos da Câmara de Lisboa. Ou seja, se Fernando Medina e Duarte Cordeiro, dois atuais ministros que mandavam na câmara, forem culpados de alguma coisa, é a inacção  desta senhora que lhes está a permitir governar Portugal. E se forem inocentes, como se espera, é a mesma inacção desta senhora que os obriga a governar o país anos a fio debaixo de um infundado manto de suspeição. 

Em qualquer das hipóteses, é uma desgraça. E sem perdão,  porque, nos últimos cinco anos, em vez de estar 100 por cento focada nesses processos, andou a perder tempo e o dinheiro do Estado a perseguir jornalistas. 

Desgraçadamente, cinco anos depois sou eu e o Carlos Rodrigues Lima que estamos a ser julgados, perante um tribunal coletivo, por termos feito o nosso trabalho que é dar notícias. Mas sabemos quem é que devia ter o rabo ali sentado.

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