Resposta militar dos Estados Unidos era inevitável, na ótica do almirante, que via Teerão a "tatear" para perceber até onde podia ir
Estados Unidos e Irão estão a entrar num jogo com a mesma estratégia: tentar perceber até que ponto o outro lado pode ou não ceder. Este é o entendimento do almirante Henrique Gouveia e Melo, que fez a análise a um novo momento de tensão no Médio Oriente.
No seu espaço “Entre Dois Mundos”, o comentador da CNN Portugal explicou que os ataques estão a acontecer de forma limitada e localizada, sendo o objetivo “dizer ao Irão que o Estreito de Ormuz não pode ser uma carta neste processo negocial”.
Henrique Gouveia e Melo lembra que o Irão “está a esticar” demasiado a sua posição naquela zona geográfica, sendo que “é impensável”, até para a Europa, que Teerão possa mandar no Estreito de Ormuz, espaço crucial do comércio mundial.
“É uma resposta militar, mas, essencialmente, uma resposta política e estratégica”, indica o almirante, que não via outra opção para os Estados Unidos, que estão perante um adversário que estava a “tatear” a paciência da Casa Branca.
O Irão sabe agora qual é o seu limite, algo que não sabia até aqui, entende Henrique Gouveia e Melo, que só vê uma possibilidade para não entrarmos numa escalada, que não interessa a nenhuma das partes.
“O regime iraniano está acossado economicamente e não tem uma margem de liberdade muito grande em termos de ação estratégica. Uma vez testado o limite onde podia ir, vai ter de fazer um recuo - claro, após um contra-ataque -, mas a tendência será de desescalar o conflito”, acrescenta.
E tudo isto acontece em torno de uma cimeira da NATO onde quase só deu Donald Trump, que quis vincar que a guerra no Irão é também um assunto do Ocidente como um todo.
“O facto de o ter feito sem haver vozes contrários tem o significado de haver apoio desses países”, sublinha Henrique Gouveia e Melo.
