"Estamos a dar um salto para a frente". Portugal vai gastar quatro mil milhões para chegar à "Marinha híbrida"
Gouveia e Melo explica as três peças-chave para uma Marinha "mais disruptiva"
A Ucrânia é agora liderada por um militar "verdadeiramente inovador e disruptivo". Gouveia e Melo explica tudo
Marinha Portuguesa "está em transição para o conceito de Marinha híbrida"
A guerra está a mudar e Portugal tem uma posição geoestratégica demasiado relevante para não se defender. A modernização acontece com o NRP D. João II, mas há três peças-chave que estão a chegar para garantir toda a operação
Portugal prepara-se para renovar a sua Marinha e o primeiro sinal de modernização deve chegar via fragata. Mais concretamente três fragatas que o Estado português vai comprar a Itália, num negócio que tinha sido revelado pela CNN Portugal.
Este foi um dos temas em destaque na rubrica Entre 2 Mundos, com o almirante Henrique Gouveia e Melo, que começa por destacar um “dilema” que Portugal atravessa, já que tem “uma área marítima extensíssima numa posição estratégica de elevado valor”.
Essa é a parte boa, claro, mas Portugal também tem “poucos recursos para garantir que tem importância nessa posição geoestratégica”.
O homem que até há poucos anos liderava os destinos da Armada sublinha que ficou claro que Portugal tinha de evoluir para “uma Marinha mais disruptiva, com ideias novas”.
E isso passa pela manutenção de uma parte mais convencional, mas também pelo desenvolvimento de uma parte híbrida, que abre a porta à robótica militar, o que vai expandir a capacidade enquanto poupa recursos.
Henrique Gouveia e Melo refere que estas três fragatas vêm ajudar a essa transição, até porque os navios têm capacidades convencionais - defesa de mísseis balísticos ou hipersónicos, por exemplo -, mas já podem trabalhar em rede com os novos equipamentos.
“Nós estamos a construir uma Marinha que está a dar um salto para a frente, mas que está a garantir a sua base de sustentação, que é a base convencional de apoio, que são submarinos, reabastecedores e fragatas”, aponta.
O “catalisador”, como lhe chama Henrique Gouveia e Melo, é o NRP D. João II, um navio que é “o primeiro no mundo que foi pensado para desenvolver e para suportar operações de um conjunto muito elevado de drones que são suportados a partir desse navio”.
Na prática, explica o almirante, este navio “multiplica a capacidade” da operação, sendo um “precursor dessa atividade”. No entanto, a embarcação em causa precisa de ter o acompanhamento de meios tradicionais, até porque há ameaças como mísseis hipersónicos. É a defesa contra esse tipo de armas que as fragatas, que vão custar cerca de quatro mil milhões de euros, vêm garantir.
“É uma Marinha que está em transição para o conceito da Marinha híbrida”, reitera Henrique Gouveia e Melo.
