Médico acusado de favorecer doentes privados no Hospital da Guarda vai a julgamento

24 fev, 07:34
Oftalmologia (Pexels)

REVISTA DE IMPRENSA | Oftalmologista só atendia no hospital público quem pagava no privado

Um oftalmologista do Hospital Sousa Martins, na Guarda, vai ser julgado por abuso de poder por alegadamente favorecer utentes das clínicas privadas onde trabalhava em detrimento da lista de espera do serviço público. De acordo com o Jornal de Notícias, o caso envolve Henrique Fernandes, de 65 anos, acusado de, entre 2020 e 2024, encaminhar mais de 1600 doentes privados para consultas e cirurgias no hospital público em prazos muito inferiores aos restantes utentes.

Segundo o Ministério Público, o médico quase não atendia os doentes que aguardavam há meses ou anos por consulta no serviço de oftalmologia do Hospital Sousa Martins, sendo o único médico do quadro. Em contrapartida, quem pagava entre 60 e 80 euros por consulta nas clínicas privadas da Guarda, Seia e Mêda era observado no hospital em cerca de um mês.

A acusação foi formalizada em setembro de 2025. O médico pediu a abertura de instrução, mas o juiz da Guarda confirmou agora o envio do processo para julgamento. A investigação apurou que, em 2020, dos 598 doentes atendidos no hospital, 496 provinham do setor privado. Em 2024, dos 442 atendimentos em primeira consulta, apenas um não teve origem nas clínicas privadas.

Para o juiz, o alegado abuso de poder teve três motivações: interesse económico, com mais de 50 mil euros faturados em consultas privadas num só ano, conflitos com administrações hospitalares e ambição de liderar o serviço de oftalmologia.

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