Luta pelo poder, misoginia, traições, incesto: "House of the Dragon" estreia-se este domingo e "é como Succession mas com dragões"

20 ago, 12:00

A muito aguardada prequela de "Guerra dos Tronos" chega finalmente à HBO Max e já tem o aval do escritor George R.R. Martin

Com oito temporadas, 73 episódios, 59 prémios Emmy - incluindo quatro vezes para melhor série dramática - e mais uma variedade de outros prémios e nomeações, "Guerra dos Tronos" foi exibida entre 2011 e 2019 e aclamada pelos críticos e pelo público como umas das melhores séries de televisão de sempre, conquistando uma legião de fãs que esperavam ansiosamente todas as semanas por mais um episódio. Será difícil igualar tanta unanimidade. Mas não custa tentar. "House of the Dragon" ("Casa do Dragão") é o primeiro spin-off de "Guerra dos Tronos" e estreia-se este domingo no canal HBO nos EUA, chegando no dia a seguir a Portugal através da HBO Max. 

Baseada em "Fogo e Sangue", também do escritor norte-americano George R.R. Martin, "House of the Dragon" é uma prequela - a ação passa-se 200 anos antes dos acontecimentos de "A Guerra dos Tronos" e conta a história da Casa Targaryen, numa época em que os dragões sobrevoavam Westeros e participavam nas batalhas. Para já estão produzidos dez episódios, que vão ser disponibilizados semanalmente na plataforma de streaming. Pelas imagens que são conhecidas, a produção está ao nível da de "Guerra dos Tronos", tendo, segundo a revista Variety, cada episódio custado cerca de 20 milhões de dólares (19,7 milhões de euros).

A fasquia é elevada mas as primeiras reações são animadoras. "Vi todos os dez episódios (embora antes da edição final) e adorei tudo o que vi", afirmou George R.R. Martin. "Ryan [Condal] e Miguel [Sapochnik] e a sua incrível equipa fizeram um trabalho magnífico. HotD é tudo que eu esperava que fosse: sombria, poderosa, visceral, perturbadora, deslumbrante de se ver, povoada de personagens complexas e muito humanas trazidas à vida por alguns atores verdadeiramente incríveis", escreveu o autor no seu site pessoal há alguns dias, enquanto cumpria o isolamento devido à covid-19 e aproveitava para ver todos os episódios de uma outra série, "The Sandman", que se estreou há pouco tempo na Netflix, e também para adiantar um pouco a escrita do seu muito aguardado próximo livro, "The Winds of Winter".

O escritor de 73 anos não arrisca, no entanto, uma data para terminar o livro: “Estou a fazer progressos", disse apenas numa entrevista à Vanity Fair, "mas desisti de ter tentar prever quando chego ao fim. Todas as vezes que o faço não consigo e toda a gente fica zangada comigo - e não faz sentido". "Estará pronto quando estiver pronto." A verdade é que não há motivos para para zangas. Afinal, foi neste entretanto, enquanto não terminava o livro que todos esperavam ler, que em 2018 George R.R. Martin escreveu  "Fogo e Sangue", o livro que deu origem a "House of the Dragon".

Ryan Condal e Miguel Sapochnik, cocriadores e produtores executivos da série, explicam que esta é um bocadinho diferente do livro: "A série funciona como um complemento para a história do livro", disse Condal ao site IGN. "Algumas coisas serão iguais, outras serão contadas de maneira muito diferente. Mas a ideia é que, no final, os acontecimentos sejam os mesmos."

“Aqueles que gostam de personagens complexas, confusas e cinzentas (como eu) vão gostar desta série, acho", disse R.R. Martin. "Haverá muitos dragões e batalhas, com certeza, mas a espinha dorsal da história são os conflitos humanos, o amor e o ódio, o drama das personagens em vez da ação/aventura.” O que, à primeira vista, parece uma garantia de que "House of the Dragon" será bastante semelhante às primeiras temporadas de "Guerra dos Tronos" - mas, espera-se, com uma abordagem mais feminista, focando temas como os riscos de um parto, o modo como o patriarcado evita, sempre que possível, uma liderança feminina e até a violência sexual.

Enquanto "Guerra dos Tronos" tinha várias famílias diferentes espalhadas por vários continentes, a nova série é muito mais focada. "House of the Dragon" é sobre a família Targaryen, que governou Westeros durante 300 anos. Quem acompanhou "A Guerra dos Tronos" sabe que a dinastia Targaryen terminou com a Rebelião de Robert, uma guerra civil, após a qual Robert Baratheon sucede ao "Rei Louco", Aerys Targaryen, como líder dos Sete Reinos. Quando "Guerra dos Tronos" começa, 17 anos após a rebelião, os Targaryen são referidos como uma uma "antiga grande casa". Aqui, andamos 200 anos para trás. Esta nova série retrata o princípio do fim para os Targaryen.

Assim, conhecemos o rei Viserys (interpretação de Paddy Considine), que ocupa o Trono de Ferro e é o Senhor dos Sete Reinos. Depois da morte da sua primeira mulher, o rei casa com Alicent, uma rapariga de apenas 18 anos (interpretação de Emily Carey, em jovem, e Olivia Cooke, na idade adulta) e, na altura, amiga da sua filha, Rhaenyra. 

Viserys educa a sua filha mais velha, Rhaenyra Targaryen (interpretação de Milly Alcock, em nova, e Emma D’Arcy, na idade adulta), para sucedê-lo, mas após a morte do rei Alicent faz com que o seu filho, Aegon (interpretação de Tom Glynn-Carney) seja coroado como novo governante. Parece que a misoginia sairá vencedora. Só que Rhaenyra é casada com o tio, Daemon, irmão mais novo do rei (interpretação de Matt Smith, que conhecemos como o príncipe Filipe da série "The Crown"), que é, também ele, um pretendente ao trono e que não aceita a situação. Começa assim uma guerra entre as duas fações da família, conhecida como Dança dos Dragões, na qual morrem muitos Targaryen e muitos dragões, que ficam praticamente extintos. A série retrata, portanto, um momento de decadência que põe fim a séculos de paz e prosperidade. 

Em entrevista ao Hollywood Reporter, Miguel Sapochnik explicou que, basicamente, "House of the Dragon" terá quatro personagens: “As personagens principais são dois homens e duas mulheres. Há o rei (Viserys), o seu irmão (Daemon), a filha do rei (Rhaenyra) e a sua amiga (Alicent). Então a amiga torna-se a esposa do rei e, portanto, a rainha”. Essencialmente, a história é: "E se o seu melhor amigo tiver uma relação com um dos seus pais?". Ou seja, é um drama familiar, com muitos incestos à mistura. Ou, como Condal disse, meio a brincar,  é "como Succession mas com dragões".

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