Perdeu dois filhos, a nora e três netos nos ataques israelitas a Gaza. Estava com Ismail Haniyeh em Teerão, em julho, quando este foi assassinado
Khalil Al-Hayya, um alto dirigente do Hamas visado pelo ataque de Israel ao Catar esta terça-feira, tornou-se uma figura de relevo na liderança do grupo terrorista palestiniano desde que Ismail Haniyeh e Yahya Sinwar foram mortos no ano passado.
O ataque a Doha, que foi "planeado durante meses", teve como alvo os principais líderes do Hamas no Catar. Khalil al-Hayya, o principal negociador do Hamas exilado no Catar, sobreviveu mas o seu filho e assessor foram mortos, assim como outros três membros do grupo palestiniano.
No centro das negociações de cessar-fogo durante a guerra que começou há dois anos, Hayya tem sido visto como a figura mais influente do grupo no estrangeiro desde que Haniyeh foi morto por Israel no Irão em julho de 2024.
Hayya faz parte de um conselho de liderança de cinco membros que tem dirigido o Hamas desde que Sinwar foi morto por Israel em outubro do ano passado, em Gaza.
Natural da Faixa de Gaza, Hayya perdeu vários familiares próximos – incluindo o filho mais velho – em ataques israelitas, sendo um membro veterano do grupo islamista.
Em 2007, um ataque aéreo israelita atingiu a sua casa de família no bairro de Sejaiyeh, na Cidade de Gaza, matando vários dos seus familiares, e durante a guerra de 2014 entre o Hamas e Israel a casa do filho mais velho de Hayya foi bombardeada, matando-o, bem como à sua mulher e a três dos seus filhos.
Mantém boas relações com o Irão, uma fonte vital de armamento e financiamento para o Hamas, e esteve envolvido de perto nos esforços do grupo para intermediar vários cessar-fogos com Israel. Desempenhou um papel fulcral no fim do conflito de 2014 e novamente nas tentativas de pôr termo à atual guerra em Gaza.
Nasceu na Faixa de Gaza em 1960 e faz parte do Hamas desde a sua fundação em 1987. No início da década de 1980, Hayya juntou-se à Irmandade Muçulmana – o movimento islamista sunita do qual o Hamas emergiu – juntamente com Haniyeh e Sinwar, segundo fontes do Hamas citadas pela Reuters.
Em Gaza, foi várias vezes detido por Israel. Deixou a faixa há vários anos para servir como responsável do Hamas nas relações com o mundo árabe e islâmico, estando sediado no Catar para esse efeito.
Hayya estava com Ismail Haniyeh em Teerão em julho, quando este foi assassinado.
Início da guerra
Hayya foi citado a dizer que os ataques de 7 de outubro, que desencadearam a guerra em Gaza, tinham sido planeados como uma operação do Hamas para capturar "alguns soldados" a fim de os trocar por palestinianos detidos.
"Mas a unidade do exército sionista colapsou completamente", afirmou em declarações publicadas pelo Centro de Informação Palestiniano, ligado ao Hamas, referindo-se às forças armadas israelitas.
Militantes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram outras 250 a 7 de outubro de 2023, segundo os números israelitas. Mais de 64 mil palestinianos foram mortos na ofensiva de retaliação de Israel em Gaza desde então, de acordo com o ministério da saúde palestiniano. Hayya afirmou que o ataque conseguiu trazer a questão palestiniana de volta ao foco internacional.
Hayya liderou as delegações do Hamas nas negociações mediadas com Israel para tentar alcançar um acordo de cessar-fogo em Gaza que incluísse uma troca de israelitas raptados pelo Hamas por palestinianos em prisões israelitas.
Desempenhou ainda outras funções políticas de alto perfil para o Hamas: em 2022, liderou uma delegação do Hamas a Damasco para restabelecer relações com o presidente sírio Bashar al-Assad, que tinham sido cortadas uma década antes.