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Que vírus é este? Qual a origem do surto? Quantas pessoas foram afetadas? - o que ainda não sabemos sobre o Hantavirus

CNN Portugal , MJC
12 mai, 17:18
Hantavírus (GettyImages)
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As autoridades continuam a monitorizar os passageiros do MV Hondius para evitar que a infeção se propague

Três passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius morreram na sequência do surto de Hantavírus registado a bordo e nos últimos dias as autoridades continuam a monitorizar passageiros que apresentam sintomas ou testaram positivo para o vírus. Apesar disso, as autoridades acreditam que o Hantavírus não representa uma ameaça para a saúde pública e rejeita as comparações com a pandemia de covid-19, mesmo tendo em conta que a estirpe aqui verificada é a andina, que permite a transmissão entre humanos.

Estas são as perguntas para as quais ainda não tempos respostas exatas:

Qual é a origem deste surto?

A hipótese mais provável é que pelo menos um passageiro tenha sido exposto ao vírus dos Andes durante uma estadia na Argentina ou no Chile, onde o vírus é endémico, antes de embarcar no navio, podendo posteriormente ter transmitido o vírus a outros passageiros a bordo.

O hantavírus Andes, envolvido neste surto, encontra-se principalmente na América do Sul e é o único hantavírus conhecido por se espalhar entre os humanos.

Os investigadores argentinos suspeitam que um casal neerlandês possa ter contraído o vírus durante uma viagem de observação de aves antes de embarcar no cruzeiro na Argentina, a 1 de abril. No entanto, nenhuma organização confirmou onde ou como contraíram a doença. O Ministério da Saúde da Argentina concentrou as suas investigações na cidade mais a sul do país, Ushuaia, de onde o barco zarpou. As autoridades planeiam viajar para lá nos próximos dias, de acordo com um comunicado enviado à Associated Press.

Quantas pessoas podem ter sido expostas?

Não se sabe ao certo. A operadora de cruzeiros Oceanwide Expeditions e as autoridades neerlandesas informaram que mais de 30 pessoas de pelo menos 12 países diferentes desembarcaram do navio na remota ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, no dia 24 de abril. Entre elas estava uma mulher neerlandesa que desembarcou com o corpo do marido. Foi o primeiro passageiro a morrer, mas as autoridades de saúde só confirmaram a presença do Hantavírus num passageiro do navio no dia 2 de maio, mais de uma semana depois.

Muitos dos passageiros que desembarcaram em Santa Helena viajaram para outros países, incluindo a neerandesa cujo marido morreu a bordo. Ela voou para Joanesburgo e, em seguida, embarcou brevemente num avião com destino a Amesterdão. Foi retirada do voo por estar demasiado doente para viajar e, posteriormente, faleceu.

Após a chegada do navio de cruzeiro a Tenerife, nas Canárias, o desembarque e o repatriamento dos passageiros foram realizados e concluídos na segunda-feira. Ao todo, 87 passageiros e 35 tripulantes deixaram o navio usando equipamentos de proteção completos e foram depois transportados para várias unidades de saúde. O navio MV Hondius partiu então de Tenerife com 27 pessoas a bordo do navio - 25 tripulantes e 2 profissionais médicos -, com destino a Roterdão, nos Países Baixos, onde irá atracar para ser desinfetado. 

Até esta terça-feira, foram reportados 11 casos no total: nove confirmados e dois prováveis.

O vírus vai continuar a espalhar-se para além do cruzeiro?

Sabe-se que pelo menos 26 passageiros desembarcaram em Santa Helena e viajaram de regresso a casa ou a outros destinos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) partilhou detalhes com os países envolvidos, que estão a rastrear os viajantes e a garantir o acompanhamento daqueles que possam ter sido expostos.

As pessoas podem transmitir o vírus antes de começarem a apresentar sintomas, e os sintomas podem demorar duas a oito semanas a surgir, o que pode dificultar o controlo do surto.

O Hantavírus propaga-se principalmente através da inalação de partículas contaminadas presentes na urina, fezes ou saliva dos roedores infetados. Apenas uma estirpe, a dos Andes - a que está envolvida neste surto - pode espalhar-se entre os humanos. No entanto, isto só ocorre em situações muito específicas de contacto próximo e prolongado. O Hantavírus pode ser muito perigoso para a pessoa infetada, mas não representa o mesmo risco de surto generalizado que a SARS ou a covid-19. Além disso, o reservatório natural de roedores para o vírus não está presente na Europa, tornando improvável a disseminação sustentada na comunidade.

Por isso, é pouco provável que a infeção se propague, sobretudo se as autoridades agirem para prevenir e controlar o surto. O roedor que transporta o vírus Andes é nativo da América do Sul e não se encontra na Europa, pelo que é improvável que o vírus se propague aos roedores locais.

Este vírus corresponde ao já conhecido ou sofreu uma mutação?

O Hantavírus é um vírus pouco conhecido - foram registados e estudados menos de mil casos. Aquilo que sabemos sobre o Hantavírus refere-se a um surto na Patagónia, na Argentina, entre 2018 e 2019, e que teve início numa festa de aniversário. Registaram-se 34 infeções e 11 mortes. A análise genética destes casos demonstrou que a estirpe dos Andes pode ser transmitida entre humanos (as outras variantes só são transmitidas de ratos para humanos)

A ministra da Saúde de França disse esta terça-feira que não havia certezas sobre se a estirpe do Hantavírus envolvida no surto no cruzeiro MV Hondius poderia ter sofrido mutações. "Há coisas... que não sabemos sobre este vírus", admitiu Stephanie Rist na Assembleia Nacional. "Ainda não temos a sequenciação completa do vírus que nos permita afirmar com certeza hoje, mesmo que estejamos bastante tranquilos até à data... que este vírus ainda não sofreu mutações."

No entanto, a comunidade científica está bastante tranquila, depois de uma primeira sequenciação parcial do vírus, a partir das amostras recolhidas em dois pacientes residentes na Suíça - que eram dois dos passageiros que deixaram o navio no final de abril. As informações genómicas mostram ainda que o vírus envolvido no surto é semelhante aos Hantavírus andinos já conhecidos por circularem na América do Sul e não se trata de uma nova variante.

Diferentes equipas de microbiologistas estão a analisar os vírus de outros doentes neste surto para reconstruir a cadeia de infeção e conseguir a sequênciação completa. 

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