Há oito casos confirmados, mas vários passageiros deixaram o cruzeiro antes de o surto se ter confirmado, pelo que há muitas pessoas por contactar e outras por vigiar
Há oito casos confirmados de hantavírus ligados ao MV Hondius, mas o que vários países temem é que existam outras pessoas infetadas já fora do navio de cruzeiro.
Por isso mesmo, países como o Reino Unido e os Estados Unidos já ativaram protocolos de controlo sanitário para impedir uma eventual propagação do vírus que tem origem em roedores, mas cuja estirpe aqui identificada, a andina, se propaga entre humanos.
Apesar de os passageiros e tripulação do MV Hondius estarem confinados no navio, que se está a deslocar para as ilhas Canárias, várias pessoas que zarparam da Argentina deixaram a embarcação ainda em abril, antes de se perceber a dimensão da situação.
Muitos dos passageiros aproveitaram a paragem na ilha de Santa Helena para saírem e regressarem a casa, originando possíveis focos de contágio para lá do navio, numa situação que já tem três mortes associadas.
Apesar do receio presente pela memória recente da covid-19, as autoridades de saúde dos vários países garantem que não há evidências de que este vírus, mesmo podendo espalhar-se entre humanos, se propague de forma rápida.
Em todo o caso, o Reino Unido forçou os dois passageiros que estiveram no navio e já estão no país a isolamento em casa, mesmo que não apresentem sintomas. De acordo com o responsável científico da Agência de Segurança em Saúde do país, Robin May, a maior tarefa é tentar rastrear os contactos destas duas pessoas, nomeadamente os que tiveram em contacto no voo de regresso a casa.
Um caso particularmente sensível é o de outro cidadão britânico que foi retirado do navio e voou para os Países Baixos, tendo apresentado sintomas. “Ele vai estar debaixo de investigação algum tempo. Estou muito satisfeito de que ele esteja no hospital a receber o tratamento de que precisa”, garantiu Robin May em declarações à BBC Breakfast.
Do outro lado do Atlântico, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) referiu que está a “acompanhar de perto” a situação dos passageiros norte-americanos que estão a bordo do navio.
O Departamento de Estado norte-americano está a liderar uma resposta coordenada que envolve várias agências governamentais, no sentido de tentar perceber quais são os contactos diretos destas pessoas, além do desenvolvimento de todos os esforços diplomáticos necessários.
“Nesta altura, o risco para o público norte-americano é extremamente baixo”, garantiu o governo dos Estados Unidos.
Em todo o caso, as autoridades de saúde do estado da Geórgia estão a monitorizar duas pessoas que estiveram a bordo do MV Hondius, mas que não mostram quaisquer sinais de infeção, de acordo com o The New York Times.
Assim que o navio chegar a Tenerife, nas Canárias, Espanha deve retirar todos os passageiros. Para os espanhóis está planeada uma quarentena após um voo militar que partirá em direção a Madrid. Os restantes cidadãos devem seguir as instruções dadas pelos seus países, sabendo-se que a bordo está um português, que faz parte da tripulação.