REVISTA DE IMPRENSA || Entre os negócios sob suspeita está a venda de uma herdade em Sesimbra
Um grupo de investidores espanhóis está no centro da investigação às vendas de imóveis do Novo Banco, suspeitas de terem causado prejuízos avultados ao erário público, avança o jornal Público. A alegada atuação concertada entre gestores, consultores e investidores permitia, segundo os investigadores, adquirir património desvalorizado do banco, financiado com fundos públicos, para depois gerar ganhos rápidos em revendas.
A operação policial, designada “Haircut”, inclui buscas a instalações do Novo Banco, da gestora de ativos GNB, ao fundo norte-americano Lone Star e a residências associadas aos suspeitos. As autoridades investigam eventuais crimes de corrupção, burla qualificada e branqueamento de capitais.
Entre os negócios sob suspeita está a venda de uma herdade em Sesimbra, transacionada inicialmente por 1,5 milhões de euros, apesar de ter potencial construtivo significativo. O imóvel terá mudado várias vezes de mãos dentro do mesmo círculo de investidores, incluindo pessoas próximas de Volkert Schmidt, gestor ligado ao Lone Star e figura central da investigação.
Outra operação em análise envolve a compra de frações no condomínio Antas Atrium, no Porto, adquiridas com descontos estimados em 35% face ao valor de mercado. Em comum, os negócios partilham a utilização de ativos cobertos por garantias públicas, entretanto transacionados com margens significativas por sociedades ligadas aos mesmos intervenientes.
A Polícia Judiciária pretende apurar se houve concertação entre gestores do banco e investidores estrangeiros para obter lucros com a venda de património imobiliário adquirido a preços de saldo, num processo que junta várias operações consideradas ruinosas para o Estado.