Ataque informático à Cruz Vermelha Internacional expõe dados de meio milhão de pessoas vulneráveis

Agência Lusa
19 jan, 23:32
18 de maio, migrante é confortado por membro da Cruz Vermelha em Ceuta (Bernat Armangue, AP)

O ataque foi detetado esta semana pela organização sediada em Genebra, na Suíça

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou esta quarta-feira ter sido vítima de um grande ataque cibernético, no qual 'hackers' capturaram os dados de mais de 515 mil pessoas "extremamente vulneráveis", algumas das quais fugiram de guerras.

"Este ataque cibernético coloca as pessoas vulneráveis, aquelas que precisam de serviços humanitários, num risco ainda maior", disse o diretor-geral do CICV, Robert Mardini, citado em comunicado.

O ataque foi detetado esta semana pela organização sediada em Genebra, na Suíça.

A entidade diz não ter ainda informações sobre os autores do ataque informático, que teve como alvo uma empresa externa na Suíça, com a qual o CICV celebrou contratos para armazenar dados.

"Embora não saibamos quem é o responsável por este ataque, ou porque o realizaram, temos este apelo para eles ['hackers']. As vossas ações podem causar ainda mais danos e dor a quem já sofreu sofrimento indescritível. Não partilhem, vendam, divulguem ou usem esses dados", alertou Robert Mardini.

De acordo com o CICV, até agora não há indicação de as informações comprometidas tenham sido divulgadas ou partilhadas publicamente.

O ataque cibernético "comprometeu dados pessoais e informações confidenciais sobre mais de 515 mil pessoas extremamente vulneráveis, incluindo pessoas separadas das suas famílias no contexto de conflitos, migração e desastres, pessoas e famílias desaparecidas e pessoas detidas".

Os dados foram enviados de pelo menos 60 Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho em todo o mundo.

"Atacar os dados de pessoas desaparecidas torna a angústia e o sofrimento das famílias ainda mais difíceis de suportar", observou Mardini.

Durante conflitos e desastres, as famílias podem perder o rasto de um familiar.

O CICV e a Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho trabalham para esclarecer o destino de pessoas desaparecidas, trocar mensagens e reunir famílias.

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