A carta aberta “Parar os despejos e resolver a situação da habitação” conta com mais de 3.200 subscrições individuais e cerca de 150 organizações
Dezenas de moradores de bairros da periferia de Lisboa exigiram hoje "vida justa", em frente à sede do Governo, na capital, antes de entregarem uma carta aberta pedindo um programa de emergência nacional para responder à crise de habitação.
"Governo, escuta, queremos vida justa", gritaram, com auxílio de megafones, recordando que "a cidade é para morar, não é só para trabalhar".
Chegados de autocarros ao centro da capital, moradores dos bairros de Penajóia e Raposo, em Almada, Santa Marta, no Seixal, Talude e Quinta do Mocho, em Loures, Estrada Militar, na Amadora, concentraram-se para avisar que estão "juntos" e "fortes".
Apoiados por várias associações e coletivos, signatários da carta aberta, entoaram "o povo unido jamais será vencido" e exigiram "nem menos, nem mais, direitos iguais".
A convocatória para a concentração partiu do movimento Vida Justa, em defesa de um plano de emergência nacional para a habitação.
A carta aberta “Parar os despejos e resolver a situação da habitação” conta com mais de 3.200 subscrições individuais e cerca de 150 organizações apoiantes e exige “soluções reais” para a crise na habitação.
Em concreto, o movimento Vida Justa pede uma resposta para as “mais de 90 famílias sem casa e mais de 60 crianças a viver na rua” nos bairros do Talude Militar e da Estrada Militar da Mina de Água, onde as autarquias ordenaram este mês a demolição de construções precárias.
O Vida Justa contabiliza “23 bairros de barracas na Grande Lisboa” e assinala que “há cada vez mais famílias trabalhadoras que não conseguem alugar uma casa e nem sequer um quarto”.
Dirigindo-se em concreto às autarquias de Loures e Amadora, o movimento lamenta que “a única coisa que fazem é criminalizar as populações trabalhadoras e deitar para as costas delas a culpa de uma política criminosa”.
O Vida Justa acusa ainda Governo e autarquias de nada fazerem para resolver o problema e exige “soluções reais” para o que considera ser uma “catástrofe humanitária”.
Os municípios de Loures e Amadora, no distrito de Lisboa e ambos presididos pelo PS, realizaram em meados de julho operações de demolição de casas precárias construídas pelos habitantes, gerando contestação.