Lisboa e Porto continuam a liderar a oferta, concentrando cerca de dois terços do total, ambos com crescimentos na ordem dos 25%
Numa altura em que a incerteza legislativa continua a marcar o mercado da habitação, a oferta de casas para arrendamento tem vindo a crescer de forma expressiva em grande parte do território nacional. Os dados mais recentes, divulgados pelo jornal Público, apontam para um aumento de 23% no número de anúncios disponíveis, em comparação com o mesmo período do ano passado, sinalizando um mercado em expansão apesar do contexto instável.
Nos dois primeiros meses deste ano, o mercado de arrendamento voltou a ganhar dimensão, com 31.710 anúncios de casas disponíveis, o que representa uma subida de 23% face ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do portal imobiliário Imovirtual. Lisboa e Porto continuam a liderar a oferta, concentrando cerca de dois terços do total, ambos com crescimentos na ordem dos 25%.
Também fora dos grandes centros urbanos verifica-se um reforço significativo da oferta. Distritos como Faro, Coimbra, Viana do Castelo e Viseu registaram aumentos que rondam ou ultrapassam os 30%, evidenciando uma tendência de crescimento mais alargada no território nacional.
Este crescimento surge na sequência de um ano já marcado por uma evolução significativa do mercado. Em 2025, o número de anúncios de casas para arrendar no mesmo portal aumentou 31% face ao ano anterior.
Um cenário semelhante é também identificado pelas principais agências imobiliárias a operar em Portugal. A Remax, numa análise que compara o período entre outubro de 2024 e abril de 2026, regista um aumento de 11% no número de anúncios ativos de casas para arrendar.
A análise ao setor do arrendamento tem, no entanto, sido condicionada pela falta de dados oficiais no último ano. O Instituto Nacional de Estatística (INE), única entidade pública responsável pela divulgação destas estatísticas, nomeadamente sobre o valor mediano das rendas por metro quadrado e o número de novos contratos celebrados a cada trimestre, publicou pela última vez esta informação a 27 de junho de 2025. Desde então, deixou de disponibilizar estes dados, na sequência de uma alteração legislativa que obrigou a uma revisão metodológica.
