REVISTA DE IMPRENSA || Poupança fiscal proporcionada pela medida é absorvida pela subida dos preços em poucos meses
A isenção de IMT e de imposto do selo na compra da primeira casa por jovens até aos 35 anos está a perder rapidamente efeito devido à aceleração dos preços da habitação. Um estudo do ISCTE-IUL citado pelo jornal Público conclui que a poupança fiscal proporcionada pela medida é absorvida pela subida dos preços em poucos meses, chegando a desaparecer em apenas três a quatro meses nos imóveis mais baratos e em menos de 15 meses nos segmentos de valor mais elevado.
A política fiscal, em vigor desde 1 de agosto de 2024, foi criada para apoiar o acesso à habitação própria e permanente, reduzindo o custo inicial da compra. No entanto, ao estimular a procura sem um aumento equivalente da oferta, acabou por gerar ajustamentos nos preços por parte dos vendedores.
A análise baseia-se na evolução dos preços por metro quadrado dos anúncios publicados no Idealista entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, comparando Portugal com Espanha, usada como mercado de controlo.
Os dados mostram um pico de subida dos preços logo após o anúncio da medida, uma breve desaceleração no momento da entrada em vigor e, depois, uma trajetória de crescimento sustentado. Desde o anúncio da medida, os preços anunciados registaram um aumento adicional médio de 0,26% por mês, o que representa uma variação acumulada de mais de 3% em 12 meses.
O efeito atinge não só os jovens beneficiários, mas também os compradores não elegíveis, que enfrentam um mercado com preços mais elevados.