Guiné-Bissau: PAIGC denuncia invasão armada à sua sede nacional

Agência Lusa , PP
29 nov, 11:20
Golpe de Estado na Guiné-Bissau (Patrick MEINHARDT / AFP via Getty Images)

Segundo “relatos internos” recolhidos pelo partido esta situação “está a ocorrer neste momento na sua sede nacional” e “representa uma séria ameaça à integridade física dos membros do partido”

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) denunciou hoje que um grupo de homens armados e encapuçados invadiu a sua sede, em Bissau, agredindo dirigentes e colaboradores presentes no local.

Segundo “relatos internos” recolhidos pelo partido, esta situação “está a ocorrer neste momento na sua sede nacional” e “representa uma séria ameaça à integridade física dos membros do partido”, bem como um “atentado à estabilidade, à democracia e ao Estado de Direito na Guiné-Bissau”, avançou em comunicado o secretariado da Plataforma dos Presidentes das Comissões Políticas na Diáspora Europa, América do PAIGC.

Numa mensagem enviada à Lusa, o porta-voz do PAIGC, Muniro Conte, adiantou que Polícias de Intervenção Rápida (PIR) assaltaram a sede do partido, expulsando todos os que lá se encontravam. Segundo o responsável, o objetivo é “introduzir armas [no local] para depois acusarem o partido”.

PS condena “interrupção abrupta” do processo eleitoral em curso

Entretanto, o PS condenou a “interrupção abrupta” do processo eleitoral em curso na Guiné-Bissau e manifestou a sua solidariedade para com o povo guineense “neste momento difícil do seu percurso histórico”.

“Nada justifica a supressão da democracia. O respeito pelos direitos humanos só é garantido num contexto democrático”, refere uma nota oficial do partido.

O Partido Socialista (PS) diz compartilhar as preocupações manifestadas pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e várias organizações de Estados africanos “em relação aos funestos acontecimentos dos últimos dias”.

“A comunidade internacional deve empenhar-se na ajuda ao povo guineense, de modo a que o país possa encontrar rapidamente as soluções institucionais que permitam uma plena vivência democrática”, apelam os socialistas.

A junta militar que tomou o poder na Guiné-Bissau nomeou general Horta Inta-A como presidente de transição pelo período de um ano, enquanto o chefe de Estado cessante, Umaro Sissoco Embaló, deixou o país rumo ao Senegal.

Os militares anunciaram a suspensão do processo eleitoral na véspera da divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.

As eleições, que decorreram sem registo de incidentes, realizaram-se sem a participação do principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da corrida eleitoral e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa.

Simões Pereira foi detido após o anúncio da junta militar.

A oposição, que reclamou vitória nas eleições presidenciais, denuncia a intervenção militar como uma manobra orquestrada pelo Presidente cessante para travar a divulgação dos resultados eleitorais.

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