China planeia primeira base militar em África, num país-membro da CPLP

CNN
6 dez 2021, 03:28
Militar (AP)
Militar (AP)

A Guiné Equatorial pode receber a primeira base militar permanente da China no continente africano. Uma base no Atlântico, que é vista pelos EUA como uma ameaça à sua Costa Leste

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A China estará a preparar a sua primeira base militar no continente africano, e o destino será a Guiné Equatorial, um país-membro da CPLP. A revelação foi feita pelo Wall Street Journal, citando informações classificadas dos serviços secretos norte-americanos. De acordo com a notícia, “os relatórios [das secretas] levantam a perspetiva de que os navios de guerra chineses seriam capazes de se rearmar e reabastecer no lado oposto da Costa Leste dos EUA - uma ameaça que fez disparar os alarmes na Casa Branca e no Pentágono”.

Em outubro, o vice-conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jon Finer, visitou a Guiné Equatorial para tentar convencer o ditador Teodoro Obiang a rejeitar as propostas da China. Os esforços do responsável norte-americano foram dirigidos também ao vice-presidente "Teodorin" Obiang, filho e herdeiro designado pelo homem que chefia o país desde 1979.

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“Como parte da nossa atividade diplomática em relação a questões de segurança marítima, deixámos claro para a Guiné Equatorial que certos passos potenciais envolvendo atividades [chinesas] naquele país levantariam preocupações de segurança nacional [nos EUA]”, disse um alto funcionário da administração Biden, citado pelo WSJ.

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Os esforços da China para projetar a sua força militar, procurando estabelecer bases permanentes em diversas partes do globo, têm feito soar alarmes nos EUA. Foi assim, por exemplo, com o acordo para a utilização de uma base naval no Camboja, em 2019, ou as negociações secretas, conhecidas no mês passado, para a presença militar chinesa num porto dos Emiratos Árabes Unidos (um plano que, entretanto, terá sido aparentemente suspenso, por pressão dos norte-americanos sobre os Emiratos, um dos seus principais aliados no Médio Oriente). 

A “ameaça mais significativa” da China

Desde 2019 que os serviços de inteligência dos EUA estão atentos às ambições militares da China em relação à Guiné Equatorial. Para além das pressões diplomáticas no sentido de afastar o regime de Obiang da agenda de Pequim, os norte-americanos têm feito um esforço de aproximação ao pequeno país africano, nomeadamente com um convite para que tropas da Guiné Equatorial participassem em exercícios navais da marinha dos EUA no Golfo da Guiné. Mas não há certezas sobre qual será a inclinação de Obiang no meio da nova disputa global entre Pequim e Washington.

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Em abril, o responsável do Comando Norte-Americano para África, general Stephen Townsend, deixou um aviso sério perante o Senado: para os EUA, a “ameaça mais significativa” da parte da China seria “ter instalações navais militarmente relevantes na costa atlântica de África”. E esclareceu que não se estava a referir a meros pontos de reabastecimento de combustíveis e comida, mas “um porto onde se possam rearmar com munições e reparar navios de guerra”.

Neste clima de nova guerra fria entre a China e os Estados Unidos, o comandante da 7ª Frota norte-americana, estacionada no Japão, apelou na semana passada a um reforço da presença naval dos EUA no Pacífico, incluindo mais porta-aviões. As declarações do vice-almirante Karl Thomas foram feitas no final de 10 dias de exercícios navais que envolveram também forças do Japão, Austrália, Canadá e Alemanha.

De acordo com o comandante de uma das principais frotas da Marinha americana, um reforço de meios navais seria decisivo para avisar a China e a Rússia de que “hoje não é um bom dia” para começarem um conflito militar. "Quatro porta-aviões é um bom número, mas seis, sete ou oito seria melhor".

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