O presidente foi detido, diz que não foi alvo de violência física; a Constituição está suspensa e o processo eleitoral também: Guiné-Bissau, o que é preciso saber

CNN Portugal , PF; notícia atualizada às 23:51
26 nov, 18:36
Golpe de Estado na Guiné-Bissau (Patrick MEINHARDT / AFP via Getty Images)

"Exerceremos o poder do Estado a partir desta data", anuncia o Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública. O presidente do país, por sua vez, anuncia que foi golpe de Estado

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A Guiné-Bissau viveu esta quarta-feira um novo golpe de Estado, com o presidente Umaro Sissoco Embaló a ser deposto por um grupo de militares autodenominado “Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública”.

Embaló foi detido por volta das 12:00 locais (a mesma em Portugal Continental) no palácio presidencial em Bissau, confirmou o próprio ao jornal Jeune Afrique.

De acordo com Embaló, foram também detidos o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Biague Na Ntan, o vice-chefe do Estado-Maior, Mamadou Touré, e o ministro do Interior, Botché Candé. Embaló garante que não foi alvo de violência física no momento da detenção e aponta responsabilidades para o chefe do Estado-Maior do Exército.

Mais tarde, a RFI noticiou que o candidato presidencial Fernando Dias da Costa, que reclamou vitória nas eleições do passado domingo, também tinha sido detido pelos militares, esta quarta-feira, assim como Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Entretanto, na noite de quarta-feira, Fernando Dias da Costa declarou ter escapado de uma alegada tentativa de detenção por homens armados.

Numa declaração na televisão pública da Guiné-Bissau, o Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública, através do porta-voz Dinis N’Tchama, anunciou que “exercerá o poder do Estado a partir desta data". Além de ter avançado para a suspensão da Constituição e do processo eleitoral, este comando militar fechou também as fronteiras e o espaço aéreo e decretou recolher obrigatório em todo o país.

O golpe de Estado ocorre três dias após as eleições presidenciais e um dia antes da divulgação dos resultados, prevista para esta quinta-feira.

Embaló reivindicava já uma vitória expressiva, com 65% dos votos, com base em sondagens. No entanto, o seu principal adversário, Fernando Dias da Costa, também reivindicou a vitória.

As eleições decorreram numa atmosfera aparentemente calma, mas sem a participação de Domingos Simões Pereira, tradicional principal opositor de Embaló, que estava impedido de concorrer. O PAIGC, partido liderado por Domingos, declarou então apoio ao outsider Fernando Dias da Costa.

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