PJ e AT têm uma "lista" de nomes da Guiné-Bissau a que devem estar atentos. E foi assim que apanharam cinco milhões de euros num jato privado em Lisboa

15 dez 2025, 16:25
Avião

Desde o golpe militar em novembro passado que as autoridades portuguesas têm uma lista de nomes de individualidades da Guiné-Bissau. Neste voo estavam alguns. A mudança de um voo militar para um voo privado, e o destino final de Beja, fez aumentar ainda mais as suspeitas. PJ e AT tinham equipas em Figo Maduro e em Beja

Cinco milhões de euros em notas na posse de Tito Gomes Fernandes, empresário conhecido por ser o braço-direito de Sissoco Embaló, ex-presidente da Guiné-Bissau, à chegada a Lisboa; vinha acompanhado da mulher de Embaló, num jato privado que tinha como destino inicial Beja, com uma paragem prevista no aeroporto de Figo Maduro. O empresário acabou detido, na noite de sábado para domingo, pela Polícia Judiciária por suspeitas de contrabando e branqueamento de capitais. Todos os outros passageiros foram identificados, incluindo a mulher do ex-presidente.

Logo após a apresentação dos passaportes na Guiné-Bissau, soou o alerta em Portugal. Desde o golpe militar, a 26 de novembro, que a Polícia Judiciária e a Autoridade Tributária têm na sua posse uma lista de nomes, oriundos deste país, aos quais devem estar atentos, sabe a CNN Portugal. Neste voo seguiam alguns desses nomes. Como, por exemplo, o da mulher de Sissoco Embaló.

As autoridades portuguesas tinham equipas em prontidão tanto em Figo Maduro, como em Beja, já que não sabiam se a paragem em Lisboa seria apenas para reabastecer e se iria haver oportunidade de realizar a diligência. Por isso, havia equipas de prevenção nas duas localizações.

Em comunicado divulgado aos órgãos de comunicação social, a Polícia Judiciária esclarece que na base das diligências esteve uma denúncia anónima e que foi uma ação conjunta com a Autoridade Tributária.

Inicialmente o voo estava classificado como sendo militar. Todavia, a natureza foi alterada em cima da hora e esse facto levantou ainda mais suspeitas junto das autoridades nacionais. Tal como o destino final de Beja. A operação decorreu durante "toda a noite e madrugada" e o jato privado já não levantou voo da capital.

A investigação acredita que a família pretende pedir asilo político em Lisboa, com Sissoco Embaló a juntar-se à mulher, uma vez que considera não estar segura no seu país.

O objetivo principal do voo era, segundo acreditam as autoridades, que o braço-direito e a mulher de Sissoco Embaló viessem à frente para Portugal, trazendo já este dinheiro para assegurar o modo de vida da família.

Recorde-se que Sissoco Embaló procurou refúgio no Senegal após o golpe, mas pouco tempo depois terá rumado para o Congo, a bordo de um avião fretado pela presidência congolesa. Há notícia de que chegou à capital do país, Brazzaville, na noite de 29 de novembro.

O empresário foi, entretanto, libertado sem ir a tribunal, indicou à Lusa fonte da Polícia Judiciária (PJ). O motivo está relacionado com o facto de que o crime principal de que é suspeito (contrabando) é punível com uma pena máxima inferior a cinco anos de prisão.

Recorde-se que o transporte de mais de 10 mil euros em numerário obriga a ser feita uma comunicação aos serviços aduaneiros. A não informação deste valor tem como consequência a aplicação de uma contraordenação. Mas valores em numerário acima dos 300 mil euros, quando são ocultados, já configuram crime de contrabando e branqueamento de capitais. Qualquer valor, ou no caso até os cinco milhões de euros, se for declarado e estiver justificado o seu transporte não é proibido.

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