Como aconteceu, porque aconteceu, quais as consequências e o que falhou: violência seguida de pânico em Guimarães, o caso Hadjuk Split

CNN Portugal , FMC
10 ago, 17:54

Foram identificadas 154 pessoas, entre as quais estão vários portuugeses. PSP investiga possível relação com os No Name Boys

Adeptos do clube croata Hajduk Split lançaram o pânico na noite de terça-feira na cidade de Guimarães. As imagens e os relatos de quem assistiu ao incidente marcam o dia. O grupo foi mais tarde identificado pela Polícia de Segurança Pública e centenas de adeptos foram detidos e artefactos apreendidos. Ainda assim, são várias as questões que se levantam: porque não estava o grupo a ser acompanhado pela polícia? Quais as consequências para os responsáveis?

Uma noite marcada pelo terror 

Na noite de terça-feira, um grupo de adeptos lançou o pânico na cidade de Guimarães. Vídeos amplamente partilhados nas redes sociais e nos meios de comunicação mostram um grupo de centenas de pessoas a percorrer o centro histórico enquanto lançam artefactos pirotécnicos. Sabe-se que no local também estavam adeptos portugueses, sendo que a PSP confirmou que está a investigar uma possível relação entre a claque Torcida Split (dos croatas) e os No Name Boys, uma das claques do Benfica.

Os adeptos do clube croata Hajduk Split, que vestiam de preto e estavam encapuçados, gritavam pelas ruas, usavam pirotecnia e arremessavam cadeiras.

Vídeos mostram o pânico das pessoas nas esplanadas, onde também estavam crianças. Pessoas que se encontravam a jantar ou a beber café fugiram aterrorizadas, muitas para dentro dos estabelecimentos. Uma habitante da praça, que testemunhou o momento, contou à CNN Portugal que "foi como um relâmpago, parecia uma guerra", sublinhando que aconteceu tudo muito rápido. Acrescentou ainda que o momento foi "horrível".

Outra testemunha, Paulo César Gonçalves descreveu à agência Lusa o que experenciou. “Atiraram-nas e lançaram tudo o que tinham à mão, mas sem entrarem em confronto físico, como que a marcarem posição. Depois correram na direção do Museu de Alberto Sampaio [para sul] e passado pouco tempo voltaram. Correram pela rua da Rainha [para oeste]”. 

O incidente ocorreu pelas 22:30 no Largo da Oliveira e no Largo de São Tiago. 

Visto que o Largo da Oliveira é uma das mais emblemáticas da cidade, estava cheia e rapidamente a polícia foi alertada.

Foram identificados 122 croatas, 23 portugueses e nove adeptos de outras nacionalidades

As centenas de adeptos abandonaram a zona histórica em cinco autocarros com destino ao Porto, onde foram abordados pela PSP. 

Testemunhas que estiveram no local de conflito indicam que a polícia demorou muito tempo a chegar, aparecendo quando os adeptos já teriam fugido. A polícia tem sido questionada e criticada pela falta de policiamento do grupo e pela demora na resposta.

O presidente da Câmara de Guimarães Domingos Bragança, defendeu que o caos vivido se deveu à falta de coordenação entre polícias, realçando que responsabilidades devem ser apuradas: "é preciso perceber o que falhou". O autarca destacou que os adeptos deste clube já são conhecidos como "arruaceiros", que têm um cadastro de conflitos e que era necessário existir um "melhor planeamento" por parte das forças policiais. "Deveria ter sido previsto."

Domingos Bragança advogou, ainda, que os perpetradores dos desacatos deveriam ser detidos e presentes a juiz. 

A Associação Vimaranense de Hotelaria (AVH) foi também uma das vozes críticas da atuação da polícia, acusando que a alegada falta de vigilância policial conduziu aos “momentos de terror”.

Em declarações aos jornalistas na manhã desta quarta-feira, o comissário Vítor Silva da PSP explicou que "chegou ao local quando foram transmitidas as informações" do sucedido, destacando que o "grupo era muito organizado" e que se movimentou em massa, no sentido de provocar o caos.

Questionado sobre a falta de acompanhamento policial, como é costume acontecer com claques e adeptos em dias de jogos, o comissário referiu que este grupo de adeptos não chegou pelo aeroporto Sá Carneiro e que só foi identificado mais tarde, depois dos desacatos. Vítor Silva acrescenta também que não existia falta de efetivos, e que a segurança estava reforçada na noite atribulada.

A polícia explicou ainda que é política de segurança abordar este tipo de grupos em localidades fora das urbanizações, como aconteceu na noite de terça-feira. 

Os autocarros foram abordados pelas autoridades enquanto se dirigiam para o Porto. Em comunicado, a PSP refere que foram identificados 122 cidadãos croatas, 23 portugueses e nove adeptos de outras nacionalidades, tendo ainda apreendido “um pote de fumo, uma soqueira e um passa-montanhas”.

A PSP acrescentou ainda que "não foram reportados danos significativos nos estabelecimentos, feridos ou apresentadas denúncias criminais”. 

 

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