Putin elogia heróis russos, Zelensky pede aliados contra "genocídio". Rússia e Ucrânia querem negociar cessar-fogo (mas não em Minsk)

27 fev, 10:22
Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky no Palácio do Eliseu, Paris, em dezembro de 2019 (Ian Langsdon/Pool - AP)

O presidente russo evita falar de invasão ou guerra, insistindo no conceito de “operação essencial”. Já Zelensky insiste na mobilização, avisando que está em causa a segurança da própria Europa

Vladimir Putin quebrou o silêncio que mantinha desde sexta-feira. Numa breve declaração televisiva, o presidente russo veio elogiar o “heroísmo” das forças especiais russas em território ucraniano. Não lhe chama guerra ou invasão, é antes uma “operação especial para fornecer assistência às repúblicas populares do Donbas” – mesmo que as forças russas estejam a atacar outras cidades que não pertençam a essa região separatista, como Carcóvia, onde esta madrugada destruíram uma conduta de gás e atingiram um edifício residencial.

“Presto homenagem especial àqueles que cumprem heroicamente o seu dever militar durante a operação especial para prestar assistência à república popular de Donbas nestes dias”, afirmou, citado pela agência Interfax.

O Kremlin diz-se disponível para iniciar conversas para um cessar-fogo em Minsk, a capital da Bielorrússia. E chegou a enviar uma comitiva para a cidade de Gomel. Mas, apesar de também querer negociar a paz, a Ucrânia não aceita fazê-lo em território bielorrusso.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky alega que o país liderado por Alexander Lukashenko serviu de base para o ataque de Moscovo a Kiev. E insiste que o encontro deve acontecer num território que não seja hostil à Ucrânia, como Varsóvia, Bratislava, Budapeste ou Baku. Porque aquilo que a Rússia está a levar a cabo são ações "criminosas" com "características de um genocídio".

Depois de uma noite que “foi dura”, Zelensky agradeceu a “coligação” internacional de ajuda ao país, incluindo o acordo europeu para excluir bancos russos do sistema de pagamentos SWIFT.

“Recebemos armas, medicamentos, alimentos, combustível, dinheiro. Uma coligação internacional forte formou-se para apoiar a Ucrânia, uma coligação anti-guerra”, afirmou.

Também neste domingo, a conta do Twitter do Ministério da Defesa ucraniano veio apelar à solidariedade do ocidente, pedindo – na voz do próprio Zelensky - aos estrangeiros que venham lutar para a Ucrânia.

“Quem quiser juntar-se à defesa da segurança na Europa e no mundo pode vir e estar ao lado dos ucranianos contra os invasores do século XXI”, escreveu o executivo de Kiev na rede social.

Entretanto, o presidente ucraniano veio pedir este domingo à ONU que retire à Rússia o direito de voto no Conselho de Segurança, o órgão máximo para a manutenção da paz e da segurança internacionais.

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