Zelensky vai encontrar-se com Trump em Mar-a-Lago e anuncia: "O plano está 90% pronto"

26 dez 2025, 16:35
Volodymyr Zelensky

Até ao momento, Moscovo ainda não deu uma resposta oficial sobre o plano ucraniano de 20 pontos

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou aos jornalistas através do WhatsApp que as delegações ucraniana e norte-americana já concluíram cerca de 90% do processo negocial do plano de 20 pontos, que ambiciona colocar um ponto final na guerra entre a Ucrânia e os EUA, avança o Kyiv Post.

Zelensky confirmou ainda que se vai encontrar com Donald Trump no próximo fim de semana, lembrando que as delegações dos dois países têm estado a preparar esboços de documentos chave que compõem o plano de paz como as garantias de segurança e os planos para a reconstrução da Ucrânia no pós-guerra.

“Para ser honesto, o plano de 20 pontos em que temos estado a trabalhar está 90% finalizado. O nosso trabalho é fazer com que chegue aos 100%. Todas as reuniões e todas as conversações aproximam-nos do resultado desejado”, diz Zelensky.

O jornal ucraniano Kyiv Post já tinha noticiado na sexta-feira, citando fontes diplomáticas em Washington, que o encontro entre os presidentes da Ucrânia e EUA estava a ser preparado para a residência privada de Donald Trump em Mar-a-Lago, na Florida, e que o encontro deveria ocorrer no domingo, 28 de dezembro.

Quando questionado sobre quais os documentos do plano de paz já estavam finalizados, Zelensky realçou as garantias de segurança e os acordos económicos. “Há vários documentos neste plano e esperamos ter a oportunidade para os discutir a todos”, disse, acrescentando que “os acordos económicos ainda estão na forma de esboço e é preciso clarificar a direção que estes vão seguir”.

Zelensky confessou que ainda não sabe se o encontro com Trump vai consubstanciar-se na discussão de questões de cedência de territórios ou na assinatura de acordos: “Não sabemos se poderá ser tudo finalizado, mas todos os assuntos com os quais tenhamos questões ou diferenças, o nosso lado vai levantá-los”.

Já esta semana, Zelensky tinha afirmado que os desentendimentos entre Kiev e Washington sobre a cedência territorial se mantêm. Apesar disso, o presidente ucraniano reconhece que ganhou algumas concessões na sua última versão do plano, incluindo o congelamento da linha da frente e a remoção de qualquer exigência para que Kiev renunciasse legalmente da sua candidatura para se juntar à NATO.

O plano também abre uma possibilidade para a retirada parcial das tropas ucranianas no leste de Donetsk e a criação de uma zona desmilitarizada, uma posição que Kiev anteriormente se tinha mostrado relutante em aceitar.

Zelensky esclarece ainda que a delegação ucraniana não tem estado em contacto direto com Moscovo. “Os EUA estão a atuar como intermediários e estamos a aguardar a resposta russa à última proposta ucraniana”, disse.

“Creio que saberemos a resposta oficial nos próximos dias”, realçou Zelensky.

Até ao momento, o Kremlin tem-se demonstrado pouco inclinado para abandonar as exigências territoriais iniciais, incluindo a retirada militar completar da Ucrânia no leste do Donbass, o fim das intenções ucranianas de se juntar à NATO, a proibição de tropas ocidentais nas missões de paz no pós-guerra e ampla restrições políticas e militares que Kiev tem considera que equivalem a uma capitulação.

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