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Zelensky tem um novo "aliado incondicional". É o "líder pelo qual a Europa tanto esperou"

29 mai 2025, 08:00
Volodymyr Zelensky e Friedrich Merz (Getty)

Depois de três anos de guerra na Ucrânia com Olaf Scholz à frente da Alemanha, o novo chanceler só precisou de 21 dias para dar ao presidente da Ucrânia aquilo que tanto desejava

Há precisamente um ano, a Ucrânia recebeu luz verde para usar os Storm Shadow/SCALP (de fabrico britânico e francês) contra território sob controlo do Kremlin; em novembro, Biden deu luz verde para que fosse possível fazer o mesmo com os ATACMS; agora foi a vez dos mísseis Taurus passarem a estar entre o arsenal disponível da Ucrânia.

Depois de três anos de guerra na Ucrânia com Olaf Scholz à frente da Alemanha, o novo chanceler só precisou de 21 dias para dar a Zelensky aquilo que tanto queria: o melhor míssil de longo alcance produzido na Europa.

Após a revelação de Friedrich Merz na terça-feira, o líder alemão reuniu-se com o presidente ucraniano em Berlim esta quarta-feira e houve novo anúncio com a Alemanha e Ucrânia a firmarem uma parceria para a produção de mísseis de longo alcance. 

“Será uma cooperação a nível industrial”, congratulou-se Merz, seguindo-se de imediato a resposta russa de que era algo "irresponsável” e uma provocação.

Para os analistas ouvidos pela CNN Portugal, esta não foi apenas mais uma reunião e pode até ter sido mais importante para a Europa do que para a Ucrânia. 

"Toda a determinação que Friedrich Merz tem tido relativamente não só à defesa europeia, mas em relação à indivisibilidade da defesa europeia e ucraniana, indiciam aqui que aquele líder que a Europa tanto esperou que viesse parece ter chegado”, defende Diana Soller, especialista em relações internacionais e comentadora da CNN Portugal.

O último tango de Trump

Com o passo em frente de Merz, a "dança de Rússia e Ucrânia à volta de Trump" acabou. Francisco Pereira Coutinho, comentador e especialista em direito internacional, acredita que Zelensky ganhou "um aliado incondicional" com a chegada ao poder de Merz.

“A Alemanha está incondicionalmente do lado da Ucrânia. Essa foi a grande notícia para Zelensky este ano: a vitória de Merz que veio substituir Scholz, que sempre demorou imenso tempo em colocar-se ao lado da Ucrânia”, refere.

Sónia Sénica concorda com as leituras anteriores, lembrando que, "do ponto de vista securitário, é extremamente relevante para Zelensky". A comentadora da CNN Portugal e especialista em relações internacionais considera que "é inegável que há uma mudança paradigmática da política externa alemã com esta liderança política” e que Merz "vincou claramente a intenção de não só ter liderança europeia, mas também de ocupar o vazio deixado eventualmente pelos norte-americanos, que é um contrapeso importante”.

"Recentra e recalibra o foco nos europeus, na liderança europeia e na importância da arquitetura de segurança europeia futura”, acrescenta Sónia Sénica.

Diana Soller lembra que houve outra decisão de Merz, menos falada, mas igualmente importante para demonstrar a mudança da postura alemã: a Alemanha deslocou uma brigada permanente para a Lituânia, com o propósito de defender o flanco leste da NATO. "É a primeira vez desde 1945", realça.

“Se houver consistência e tendo em conta a capacidade industrial alemã, a Europa dentro de alguns anos poderá ser um continente diferente sobre liderança alemã”, acredita Diana Soller.

Uma mensagem importante para Moscovo

Para Sónia Sénica, todos estes acontecimentos são "uma mensagem importante para Moscovo". Para a especialista, de agora em diante, a Ucrânia deixa de estar encurralada "na ambiguidade entre a ameaça russa e a pressão norte-americana" e passa "a ter uma saída". "A saída europeia, se de alguma forma estas diligências negociais não tiverem sucesso na pacificação da Ucrânia, poderá haver aqui a manutenção do apoio à Ucrânia de forma muito importante", explica, considerando que "isto muda tudo”.

Outro ponto que faz antever um futuro mais risonho para a Ucrânia, aponta Diana Soller, são as parcerias como a que foi anunciada para a produção de mísseis de longo alcance, porque "vão transformar o exército ucraniano, tendo em conta também a experiência de guerra, num exército com um poder muito assinalável para os níveis europeus".

O posicionamento da Alemanha é também uma oportunidade para a NATO, na análise de Diana Soller. “A longo prazo, a não pertença da Ucrânia às instituições ocidentais é como a não pertença da Alemanha às instituições ocidentais quando se começou a rearmar depois da Segunda Guerra Mundial: é um risco e é uma oportunidade da qual a Europa e a NATO não podem abdicar. Estes últimos dias foram muitíssimo significativos se tiverem continuidade para a política europeia.”

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