Zelensky obrigado a ceder: Kiev demite chefe das Forças Armadas mas ainda deixa um desejo dos manifestantes por cumprir

21 jul, 21:29
Oleksandr Syrskyi (AP)
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Nova remodelação na cúpula da Ucrânia pode não ser suficiente para acalmar os protestos. Continuam as mudanças

Demorou quase uma semana, mas o presidente da Ucrânia não teve outra solução a não ser ouvir as ruas.

Já no fim do sexto dia de protestos contra as remodelações governamentais, Volodymyr Zelensky anunciou a demissão do chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, dando aos descontentes uma parte das exigências.

A outra parte será a mais difícil, até porque não depende só de Volodymyr Zelensky. Os manifestantes, em grande parte jovens homens que estiveram ou podem vir a estar nas Forças Armadas, querem o regresso de Mykhailo Fedorov ao Ministério da Defesa.

Foi, de resto, a sua saída a desencadear toda a onda de protestos, naquele que internamente é o momento político mais difícil para a cúpula de Kiev desde que a guerra começou.

Entre as razões para o descontentamento da população está a saída de um homem que é visto como o rosto da modernização das Forças Armadas, nomeadamente do bem-sucedido programa de drones, que tantos problemas tem dado à Rússia.

Mykhailo Fedorov discordou publicamente de algumas estratégias militares de Oleksandr Syrskyi, figura tida como mais conservadora e até com algumas táticas ditas soviéticas, o que não era bem visto nas falanges mais jovens das fileiras militares da Ucrânia.

“O facto é que Oleksandr Syrskyi assegurou à Ucrânia resultados na defesa de Kiev, na operação ofensiva em Kharkiv e na operação de Kursk”, escreveu Volodymyr Zelensky, que não teve outra solução a não ser desfazer-se do chamado “Carniceiro”.

“Foi feito um caminho significativo, a defesa da Ucrânia continua e é necessária uma atitude dignificante de cada soldado”, reiterou, pedindo aos militares da linha da frente que se mantenham fortes neste momento de mudança.

Para o lugar de Oleksandr Syrskyi sobe o comandante das Forças Conjuntas, Mykhailo Drapatyi, um dos favoritos à sucessão, e que ainda esta segunda-feira tinha estado reunido com Volodymyr Zelensky, como se pode ver na publicação abaixo.

Quanto a Mykhailo Fedorov, que muitos militares queriam ver de regresso ao governo, Volodymyr Zelensky disse apenas que lhe foi oferecido um “cargo decente” na supervisão do componente tecnológico do Estado.

Resta saber se esta troca vai acalmar os manifestantes, uma vez que apenas foi cumprida uma das duas exigências.

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