"Estão preparados para os desafios da guerra com a Rússia?", pergunta Zelensky aos líderes europeus

CNN Portugal , MJC - notícia atualizada às 13:10
14 fev, 12:53
Volodymyr Zelensky na conferência de Munique (AP)

Em Munique, o presidente ucraniano criticou a pressão a que esta a ser sujeito pelos EUA. E deixou uma promessa: "Deem-nos dois meses de cessar-fogo e iremos a eleições"

"Perguntem-se: estão preparados não só para os desafios que a agressão russa traz, os desafios da guerra moderna, mas também para o esforço constante de convencer o mundo a lutar por apoio para defender os interesses do vosso país todos os dias,  tal como a Ucrânia está a fazer?", esta foi a pergunta que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez aos líderes políticos em Munique. 

“Quero que compreendam a verdadeira dimensão destes ataques à Ucrânia. Como podem ver, em apenas um mês, em janeiro, tivemos de nos defender de 6.000 drones de ataque, a maioria drones Shahid, mais de 150 mísseis russos de diferentes tipos e mais de 5.000 bombas planadoras. E isso acontece todos os meses. Imaginem isso sobre a vossa própria cidade. Ruas destruídas, casas arrasadas, escolas construídas no subsolo. E essa é a vida quotidiana na Ucrânia por causa da Rússia.”

Zelensky diz estar confiante de que a guerra contra a Rússia pode terminar com dignidade, mas sublinha que os Estados Unidos - que estão a mediar as negociações entre os dois lados - perguntam frequentemente que concessões pode a Ucrânia fazer, mas “não fazem o mesmo com a Rússia”. 

Embora a Ucrânia deseje a paz, “não ouvimos concessões do lado russo. Queremos ouvir algo deles”, disse no seu discurso na Conferência de Segurança de Munique

Zelensky disse esperar que a próxima ronda de negociações, agendada para Genebra na próxima semana, seja substancial: "Esperamos sinceramente que as reuniões trilaterais da próxima semana sejam sérias, substanciais e úteis para todos, mas, honestamente, às vezes parece que as partes estão a falar de coisas completamente diferentes". E continuou: "Os americanos regressam frequentemente ao tema das concessões e, com demasiada frequência, estas concessões são discutidas apenas no contexto da Ucrânia, e não da Rússia."

O presidente reconheceu também que estava a sentir “um pouco” de pressão depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, lhe ter pedido para acelerar as negociações de paz.

Lembrou que os EUA propuseram uma Zona Económica Livre em partes de Donetsk, no leste da Ucrânia, ao abrigo da qual as forças de Kiev teriam de retirar. Mas “não podemos simplesmente retirar 200 mil pessoas”, disse, questionando porque é que os ucranianos fugiriam agora, se não o fizeram durante toda a guerra.

Numa entrevista posterior em palco, com Christiane Amanpour, da CNN, Zelensky acrescentou que a maior necessidade da Ucrânia são os mísseis antiaéreos Patriot e outros sistemas semelhantes “o mais rapidamente possível”.

Quanto à possibilidade de uma nova eleição presidencial na Ucrânia, proposta pelos EUA, Zelensky disse que, se Washington insistisse, a Ucrânia necessitaria de dois meses de cessar-fogo para se preparar e, depois, “realizaríamos as eleições”.

"Deem-nos dois meses de cessar-fogo e iremos a eleições", disse Zelensky no painel de discussão na Conferência de Segurança de Munique, respondendo aos pedidos dos EUA para uma votação rápida. "Deem-nos um cessar-fogo. O presidente Trump pode fazer isto: pressionar Putin; conseguir um cessar-fogo. Então o nosso parlamento mudará a lei e iremos a eleições".

Sob aplausos prolongados no salão, Zelensky acrescentou: "Também concederemos um cessar-fogo aos russos se realizarem eleições".

Quanto aos próximos meses, Zelensky afirmou que a Ucrânia apoiaria o processo de paz e esperava que os EUA apoiassem as garantias de segurança para o seu país. Manifestou o desejo de um maior envolvimento europeu no processo e considerou o progresso no sentido da adesão à UE também uma prioridade. O líder ucraniano estar grato pelo apoio contínuo, mas “não podemos salvar as nossas vidas apenas agradecendo”, pois precisa de fortes garantias de segurança para manter a Ucrânia segura após a guerra.

Não podemos fechar os olhos ao problema, que, segundo Zelensky, são as garantias financeiras da Rússia. "Vladimir Putin consegue contornar as sanções através de "cúmplices em todo o mundo", como a Coreia do Norte e a China, afirma o presidente ucraniano. Além disso, Putin tem ainda garantias de estabilidade financeira - "e uma grande parte delas está aqui, nos mares europeus", disse. "Os petroleiros russos ainda navegam livremente ao longo da costa europeia no Mar Báltico e no Mar do Norte", observou Zelensky.

E sobre a adesão à União Europeia, o presidente ucraniano afirma que, sem um compromisso claro, Putin fará tudo o que estiver ao seu alcance para sabotar o processo de adesão, “pelas suas próprias mãos ou pelas mãos de alguns países pequenos”. 

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