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Zelensky leva um escudo europeu para enfrentar um imprevisível Trump

18 ago 2025, 09:01
Fotos disponibilizadas pelo Serviço de Imprensa Presidencial da Ucrânia mostram o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky (à esquerda) e o Presidente dos EUA, Donald J. Trump (à direita), numa reunião à margem da cimeira da NATO em Haia, Países Baixos, em 25 de junho de 2025. EPA/Lusa
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Uma mensagem partilhada durante a madrugada europeia deixa antever um duro choque entre Estados Unidos e Ucrânia. Pelo meio vai uma megadelegação europeia para ajudar

É com a armadilha feita por Donald Trump e JD Vance que Volodymyr Zelensky parte para os Estados Unidos esta segunda-feira. Há já muito mais em jogo, incluindo um sério aviso do próprio presidente dos Estados Unidos, que o deixou através das redes sociais quando na Europa se dormia.

Desta vez o presidente da Ucrânia vai escudado por uma autêntica comitiva europeia, de onde se destacam a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, mas também os presidentes de França e Finlândia, além dos primeiro-ministros de Reino Unido e Itália e do chanceler da Alemanha.

Vão todos como uma forma clara de ajudar a Ucrânia a tentar ceder ao que Trump já foi dizendo: a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, é para esquecer; a entrada da Ucrânia na NATO é para esquecer.

“O presidente ucraniano Zelensky pode pôr fim à guerra com a Rússia quase imediatamente, se quiser, ou pode continuar a lutar. Lembrem-se de como tudo começou. Não há hipótese de recuperar a Crimeia cedida por Obama (há 12 anos, sem que um único tiro fosse disparado) e NÃO HÁ HIPÓTESE DE A UCRÂNIA ENTRAR NA NATO", escreveu o presidente dos Estados Unidos na sua rede social, Truth Social.

E o que Trump vai dizer a Zelensky pode não ficar por aí. O presidente dos Estados Unidos pode tentar forçar a Ucrânia a abdicar de todo o Donbass, compreendido pelas regiões de Lugansk e Donetsk, e onde a Rússia luta, mais ou menos oficialmente, desde 2014.

São aquelas duas zonas que Vladimir Putin sempre quis, pelo que a sua conquista seria uma vitória, mesmo que não tão grande como o objetivo que a invasão total lançada em 2022 se propunha.

E não é só isso. Putin terá exigido que a Ucrânia abandone essas duas regiões para que se possa congelar a linha da frente. Na prática, o presidente russo quer que Zelensky abdique totalmente de três regiões - incluindo a Crimeia -, esquecendo ainda a parte de território perdida em Zaporizhzhia e Kherson, também anexadas igualmente pela Rússia num referendo não reconhecido internacionalmente em 2022.

Foi perante estas exigências, e ainda antes de conhecer a mensagem preocupante de Trump desta madrugada, que a Europa decidiu blindar a visita de Zelensky. Na mala, o Velho Continente leva uma mensagem: são necessárias garantias de segurança.

Depois do que aconteceu no Alasca, Trump parece mais talhado para pressionar Zelensky do que Putin, não se percebendo exatamente que garantias de segurança podem os Estados Unidos dar à Ucrânia.

Sabendo disso, provavelmente até temendo isso, Zelensky já avisou que tais garantias “devem ser muito práticas, correspondendo à proteção de território, no ar e no mar, e devem ser desenvolvidas com a participação da Europa”.

É que a posição dos Estados Unidos continua por clarificar. Questionado precisamente sobre isso, o enviado especial Steve Witkoff disse à CNN que Putin concordou em permitir que os Estados Unidos e os aliados deem à Ucrânia uma garantia de segurança que pode passar por um mandato defensivo da NATO.

“Estamos em posição de conseguir a seguinte concessão: os Estados Unidos podem oferecer proteção do estilo artigo 5.º, que é uma das razões reais porque a Ucrânia quer estar na NATO”, afirmou, lembrando o ponto que obriga todos os Estados-membros a defenderem um aliado atacado.

O problema é que o secretário de Estado norte-americano pareceu não entender a coisa exatamente da mesma forma. “[Os ucranianos] não querem voltar aqui novamente. Querem ser capazes de continuar e reconstruir o seu país e as suas vidas. É um pedido muito razoável. É algo em que podemos trabalhar. E é algo que o lado russo perceber, naturalmente”, afirmou Marco Rubio em declarações à CBS.

“A Ucrânia tem direito, como qualquer país soberano, a entrar em alianças de segurança e em acordos com outros países”, reiterou.

De acordo com responsáveis britânicos que falaram ao Financial Times, as palavras de Witkoff vão no sentido do que Trump disse aos líderes europeus. O problema é que a mais recente publicação na Truth Social volta a afastar a Ucrânia da NATO.

“Para termos um acordo, ambos os lados vão ter de fazer concessões”, avisou Rubio, que até disse, em declarações à ABC, que Rússia e Ucrânia vão ter de decidir aquilo com que querem viver dauqi para a frente.

No fundo, o presidente da Ucrânia percebe bem quem está de forma indefetível do seu lado. Do outro, e com um ziguezague que deixa sempre dúvidas no ar, está Trump.

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