Zelensky disse à NATO de quanto dinheiro precisa por mês: 5.000.000.000

António Guimarães , enviado especial a Madrid
29 jun, 22:03
NATO

Países da NATO - e convidados - estão reunidos em Madrid. Presidente da Ucrânia foi orador especial: “Com um Kremlin extremamente agressivo, o mundo precisa de uma Aliança extremamente corajosa”

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reafirmou o pedido aos países da NATO para que forneçam artilharia moderna e apoio financeiro para a Ucrânia enfrentar a invasão russa.

“Para quebrarmos a preponderância da artilharia russa, uma vantagem significativa, precisamos de muitos mais destes sistemas modernos, artilharia moderna”, disse Zelensky aos líderes da NATO, numa intervenção por videoconferência, citado pela agência francesa AFP.

Volodymyr Zelensky disse que o apoio financeiro à Ucrânia “é tão importante como a ajuda em armamento”, tendo em conta o seu elevado défice enquanto Moscovo beneficia das receitas das suas exportações de petróleo e gás.

Nesse sentido, reforçou o apelo para sanções mais fortes contra Moscovo, justificando que isso “acabaria com a sua capacidade de pagar pela guerra”, que iniciou a 24 de fevereiro.

O líder ucraniano reafirmou que a Ucrânia precisa de cerca de 5 mil milhões de dólares (mais de 4,7 mil milhões de euros ao câmbio atual) por mês para a sua defesa.

“Se [a NATO] realmente define a Rússia como a principal ameaça, tem de apoiar totalmente o combate ao seu primeiro e principal alvo”, disse Zelensky, referindo que a Ucrânia está a lutar pela “futura ordem mundial”.

“Com um Kremlin extremamente agressivo, o mundo precisa de uma Aliança extremamente corajosa”, acrescentou.

"Sim, estamos preparados"

Quem não teve dúvidas em concordar com o presidente ucraniano foi o secretário-geral da NATO. Na conferência de imprensa após a reunião, e depois de questionado pelos jornalistas, Jens Stoltenberg garantiu à Ucrânia que o apoio continuará a ser dado "enquanto for necessário". O responsável seguiu assim os passo do chanceler alemão, Olaf Scholz, que à entrada para a cimeira se revelou um dos maiores defensores da ajuda à Ucrânia.

“A NATO respondeu com força e união e a liderança e coragem do Presidente Zelensky são uma inspiração para todos nós”, realçou Jens Stoltenberg, que garantiu que “os Aliados vão continuar a fornecer ajuda militar e financeira de grande envergadura” à Ucrânia, tendo os líderes da NATO concordado na reunião “em aumentar o apoio”, designadamente ao aprovarem um “pacote de assistência abrangente” para o país.

O secretário-geral informou que o pacote de assistência em questão inclui “comunicações seguras, combustíveis, material médico, proteção corporal, equipamento para lidar com minas e ameaças químicas e biológicas”, mas também “centenas de sistemas portáteis ‘antidrones’”.

Stoltenberg sublinhou ainda que, a longo prazo, a NATO vai “ajudar a Ucrânia a substituir o seu equipamento da era soviética por equipamento moderno da NATO, a aumentar a interoperabilidade e a fortalecer ainda mais as suas instituições de defesa e de segurança”.

“Tudo isto comprova o nosso compromisso relativamente ao futuro da Ucrânia e mostra que o nosso compromisso é inabalável. Uma Ucrânia forte e independente é vital para a segurança da área euroatlântica”, salientou.

Na ótica do secretário-geral, o fortalecimento do apoio dado à Ucrânia pela NATO “envia uma mensagem em palavras mas também em factos”, comprovando que os “Aliados estão preparados para lidar” com uma guerra “de longo prazo”.

“As guerras são imprevisíveis, mas precisamos de estar preparados para o longo prazo. Essa também foi a mensagem clara do Presidente Zelensky e a nossa resposta foi ‘sim, estamos preparados’”, sublinhou.

Os ucranianos a verem de fora

A Ucrânia também chegou a Madrid de outra forma. A cerca de quatro quilómetros do local da cimeira, num protesto em frente à embaixada ucraniana, dezenas de pessoas pediram apoio da Aliança Atlântica: "Os russos mataram os meus amigos e destruíram a minha casa", podia ler-se num dos cartazes.

Refugiados ucranianos manifestam-se à margem da cimeira da NATO em Madrid (Getty Images)

Mais perto não poderiam certamente chegar. É que o protocolo de segurança faz lembrar um filme, mais ou menos daqueles em que até temos medo de fazer movimentos bruscos. São dezenas de polícias em cada esquina, grandes carros blindados e muito armamento.

Uma cimeira histórica

Tinha tudo para o ser, e, pelas palavras, foi mesmo. Jens Stoltenberg apelidou a cimeira de Madrid de "histórica", não mostrando receios, desde início, em confirmar que a NATO vinha à Feria de Madrid para mudar a sua posição relativamente à Rússia e à China. O primeiro é, agora, a verdadeira ameaça, enquanto o segundo passa a ser visto como um adversário.

Essas foram as principais conclusões da aprovação do novo conceito estratégico, que vem suceder ao aprovado em 2010 em Lisboa, rompendo por completo com o que se fez então. Na capital portuguesa, NATO e Rússia tentaram uma aproximação, na altura bem-sucedida, mas que o tempo e a geoestratégia degradaram.

Da reunião com 30 países saiu ainda a confirmação do convite formal para Finlândia e Suécia aderirem à NATO, um processo feito sem precedentes, nomeadamente ao nível da rapidez com que ocorreu. Segue-se a ratificação nos 30 parlamentos - e António Costa já veio garantir que Portugal será dos primeiros.

A nível militar chegou-se ainda a um acordo que vai aumentar em quase oito vezes a capacidade militar da NATO na Europa. Os atuais 40 mil soldados vão passar a ser 300 mil, quase todos em países de leste, muitos deles com fronteira com a Rússia, como é o caso dos três países do báltico.

In response to #Russia’s invasion of #Ukraine, #NATO has reinforced its defensive presence in the eastern part of the Alliance with more troops, planes & ships.

Check out the latest overview ⤵️ pic.twitter.com/75LHM1a9n2

— Oana Lungescu (@NATOpress) June 29, 2022

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