Presidente da Ucrânia tinha pedido cautela à população, indicando que o Kremlin estava a preparar um ataque do género "há algum tempo"
Pelo menos 10 pessoas morreram num grande ataque contra Kiev durante a noite de quarta-feira para quinta-feira, poucas horas depois de o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter alertado que dados dos serviços de informação indicavam que a Rússia estava a planear um ataque "massivo".
As autoridades de Kiev afirmaram que a Rússia lançou mísseis balísticos e drones contra a capital ucraniana num ataque que durou 11 horas, causando destruição generalizada, com danos registados em 30 locais.
Dezenas de pessoas ficaram feridas nos ataques, incluindo pelo menos uma criança e vários profissionais de saúde que ficaram feridos num ataque contra uma base de ambulâncias, segundo as autoridades ucranianas.
"Houve impactos diretos muito significativos em edifícios residenciais, onde, infelizmente, os corpos das vítimas mortais estão a ser retirados dos escombros", afirmou Tymur Tkachenko, chefe da administração militar da cidade.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que as suas forças lançaram um "ataque massivo utilizando armas de alta precisão e de longo alcance", incluindo drones, visando infraestruturas militares e energéticas em Kiev e nas regiões de Dnipropetrovsk, Poltava, Cherkasy e Chernihiv.
Mas a Ucrânia alegou que infraestruturas civis e edifícios residenciais foram atingidos.
"Exigimos respostas internacionais fortes. Não apenas palavras de condenação, mas ações concretas para travar o terror russo", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiha, alertando que o número de mortos deverá aumentar.
Fotografias e vídeos mostraram incêndios a consumir edifícios em ruínas – muitos deles blocos de apartamentos residenciais – e equipas de resgate a vasculhar grandes montes de escombros e destroços.
Uma longa noite em abrigos antiaéreos
Os ataques foram precedidos por um apelo de Zelensky, na quarta-feira, para que os residentes estivessem "especialmente atentos" e respeitassem as sirenes de alerta aéreo, advertindo que o Presidente russo, Vladimir Putin, estava "há algum tempo a preparar um ataque massivo contra a Ucrânia".
"É exatamente essa a ameaça que enfrentamos esta noite", escreveu Zelensky numa publicação na rede social X.
Os residentes encheram as estações de metro na noite de quarta-feira, preparando-se para uma longa noite de ataques. As sirenes começaram a soar por volta das 20h00 locais e continuaram pela manhã dentro.
Mais de quatro anos após a invasão em larga escala da Rússia, as cidades ucranianas enfrentam ataques quase diários de drones e mísseis lançados por Moscovo. Mas as forças de Kyiv também encontraram formas de contra-atacar o seu vizinho muito maior.
A Ucrânia lançou, no último mês, uma campanha sem precedentes de drones contra a Rússia, visando infraestruturas energéticas em ataques de longo alcance que Zelensky apresentou como uma estratégia fundamental para forçar Moscovo a pôr fim à guerra.
Numa única noite da semana passada, a Rússia afirmou ter intercetado 660 drones em 12 regiões, sugerindo um dos maiores ataques ucranianos desde que Moscovo lançou a invasão em grande escala em 2022.
Esses ataques penetraram mais profundamente em território russo, levando a realidade da guerra a cidades muito mais distantes das linhas da frente.
Mas os devastadores ataques aéreos de Moscovo contra a Ucrânia também continuam.
No início de junho, um ataque russo no coração de Kyiv incendiou um importante complexo monástico ucraniano, a Lavra de Kyiv Pechersk, classificada como Património Mundial da UNESCO.
Teele Rebane contribuiu para este artigo.
