Volte-face: adiado encontro entre Putin e Trump após telefonema entre o Kremlin e a Casa Branca

CNN Portugal , MJC
21 out, 18:11
O Presidente Donald Trump e o Presidente russo Vladimir Putin chegam para uma conferência de imprensa na Base Conjunta Elmendorf-Richardson, a 15 de agosto, em Anchorage, Alasca. Andrew Harnik/Getty Images

Reunião entre os dois líderes foi anunciada há cinco dias pelo próprio Trump e devia acontecer em Budapeste dentro de duas semanas

Donald Trump já não se vai encontrar com Vladimir Putin “no futuro imediato”, afirmou um funcionário da Casa Branca citado pela Reuters. A notícia surge após um telefonema entre o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio e o seu homólogo russo, Sergei Lavrov.

Apesar de a chamada telefónica ter "sido produtiva", segundo o mesmo funcionário da Casa Branca, a decisão é mesmo a de não haver um "encontro imediato" entre ambos os presidentes. Segundo o Washington Post, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que o apelo de Trump para um cessar-fogo contradiz os termos dos acordos que Trump fez com Putin no Alaska.

A Casa Branca confirma o adiamento da reunião em Budapeste, mas não fez qualquer menção a um diferendo diplomático. Certo é que a Rússia rejeita o apelo de Trump para que sejam congelados os combates na linha de frente na Ucrânia - o Kremlin sinaliza assim que não mudou significativamente as suas exigências para a paz, isto depois de Trump ter dito na semana passada que acreditava que o presidente russo queria um acordo.

Segundo a Reuters, a Rússia enviou no fim de semana um documento em que sublinhava as suas condições para a paz na Ucrânia, condições essas reafirmadas esta terça-feira no telefonema e que acabaram por resultar no anúncio do adiamento da cimeira em Budapeste.  

Uma fonte familiarizada com o assunto disse à CNN que as autoridades norte-americanas sentiram, após o telefonema Rubio-Lavrov, que a posição russa não evoluiu o suficiente além da sua posição maximalista. A mesma fonte disse que é provável que Rubio e Lavrov voltem a falar esta semana.

Esta terça-feira, Sergei Lavrov já tinha rejeitado a hipótese de um cessar-fogo: "Se simplesmente pararmos, isso significará esquecer as causas originais do conflito. Agora ouvimos de Washington que devemos parar imediatamente e que não devemos discutir mais nada", acrescentou, de acordo com o El Mundo.

Na quinta-feira da semana passada, após um telefonema com Vladimir Putin, Trump disse que ele e o presidente russo iriam manter conversações em Budapeste dentro de duas semanas para discutir a guerra na Ucrânia. 

"Na verdade, acredito que o sucesso no Médio Oriente vai ajudar nas nossas negociações para pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. O presidente Putin agradeceu à primeira-dama, Melania, pelo seu envolvimento com as crianças. Ele ficou muito agradecido e disse que isso vai continuar", disse o líder americano logo após o telefonema com Putin. "Acredito que foi feito um grande progresso com a conversa telefónica de hoje."

Yuri Ushakov, conselheiro do presidente russo, disse a seguir que os dois países começaram "imediatamente" a preparar o encontro entre os dois líderes. "Os presidentes discutiram a possibilidade de realizar outra reunião pessoal. Este é realmente um ponto muito importante. Foi acordado que os representantes dos dois países tratarão imediatamente da preparação da reunião, que pode ser organizada, por exemplo, em Budapeste", disse Ushakov, citado pela Tass.

No dia seguinte ao telefonema com Putin, Trump reuniu-se com o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky. A comitiva ucraniana foi a Washington com a esperança de regressar com garantias de entrega dos mísseis de longo alcance Tomahawk, mas acabou por sair da Casa Branca de mãos vazias e com a sensação de que o presidente dos EUA tinha adotado muitos dos pontos defendidos por Putin, mesmo aqueles que contradiziam declarações passadas do próprio Trump sobre as recentes fraquezas demonstradas pela Rússia. As fontes europeias garantem que Trump disse a Zelensky que a Ucrânia estava a perder a guerra e que disse assim: “Se [Putin] quiser, vai destruir-vos.”

Apesar disso, o presidente dos EUA não descartou a possibilidade de Washington enviar mísseis de cruzeiro Tomahawk. 

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