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"Voámos na Rússia como se fosse o nosso próprio território. Quase nenhuma resistência": drones ucranianos atingiram São Petersburgo num ataque "sem precedentes"

CNN Portugal , MJC
6 jun, 15:09
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Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, confirmou que as suas forças atingiram arsenais russos e uma base naval no que chamou de resposta justa aos ataques russos

As autoridades russas afirmam que a Ucrânia lançou um "ataque sem precedentes" em São Petersburgo e arredores, enquanto a cidade acolhe o último dia do fórum económico anual da Rússia.

As defesas antiaéreas russas abateram durante a noite 376 drones ucranianos em 14 regiões russas. Mais de 140 drones foram abatidos sobre a região de Leningrado, disse o governador Aleksandr Drozdenko. Ao mesmo tempo, o autarca da cidade, Alexander Beglov, pedia aos residentes que permanecessem nas suas casas pela primeira vez desde o início da guerra, há mais de quatro anos.

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, confirmou que as suas forças atingiram arsenais russos e uma base naval no que chamou de resposta justa aos ataques russos. Isto acontece um dia depois de Vladimir Putin ter dito no fórum que não fazia sentido reunir-se com Volodymyr Zelensky, que tinha pedido negociações diretas para o fim da guerra.

O comandante de uma das unidades ucranianas envolvidas nos ataques com drones disse à BBC que era "muito fácil" atingir alvos dentro da Rússia. "Voamos na Rússia como se fosse o nosso próprio território. Quase nenhuma resistência, não é difícil atingir um alvo", disse Yevhen Karas, comandante do 413.º ​​regimento de Ataque das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia.

Os habitantes de São Petersburgo relataram ter visto nuvens de fumo a subir da área em redor da Fábrica Naval de Kronstadt, um estaleiro naval russo localizado a aproximadamente 30 quilómetros de São Petersburgo. O governador Drozdenko afirmou que os ataques da Ucrânia provocaram um incêndio numa instalação militar não especificada e que os residentes foram evacuados. Disse ainda que os edifícios sofreram danos "insignificantes".

O exército ucraniano confirmou ter atingido um depósito e um terminal petrolífero na região Leningrado. O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) reportou um incêndio e detonações secundárias no 15º Arsenal da Marinha Russa, na região de Leninegrado, onde estão armazenados mísseis e munições.

Zelensky disse que os drones do seu país percorreram uma distância de 1.000 km até à região de São Petersburgo, visando "arsenais da marinha inimiga e uma base em Kronstadt", onde está localizado  principal posto avançado da Frota do Báltico da Marinha Russa. Segundo Zelensky, um depósito de petróleo a 500 km de distância, na região sul de Krasnodar, também foi atingido como parte das "sanções de longo alcance" da Ucrânia. O ataque provocou um incêndio no depósito de petróleo na cidade de Ust-Labinsk, na região de Krasnodar, no sul da Rússia, que foi entretanto extinto.

O presidente ucraniano disse ainda que é "tempo de acabar com esta guerra", mas acusou o líder russo de querer "continuar a lutar".

Após os ataques relatados, todas as entradas e saídas de Kronstadt foram brevemente proibida, anunciaram as autoridades de transporte locais. "Todas estas instalações militares apoiam as operações do grupo naval russo no Mar Báltico", afirmou o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU).

Na região de Luhansk, no leste da Ucrânia, ocupada pela Rússia, as autoridades instaladas por Moscovo afirmam ter suspendido o serviço de autocarros em duas autoestradas após uma campanha de ataques com drones ucranianos contra a logística russa. Pediram aos moradores locais que não as utilizassem "por motivos de segurança". A administração russa proibiu também o serviço de comboios suburbanos e o transporte de grupos de crianças dentro de Luhansk. Putin afirmou que a Rússia controla totalmente a chamada "República Popular de Luhansk".

Estes últimos ataques seguem-se aos ataques ucranianos nos arredores de São Petersburgo, poucos dias antes do início do principal fórum económico de Putin. O importante fórum, concebido para atrair investimento estrangeiro para o país, reuniu milhares de convidados de 130 países, incluindo uma discreta delegação dos EUA – a primeira em muitos anos.

Na sua carta aberta a Putin, na quinta-feira, Zelensky apelou a um cessar-fogo e a negociações diretas com o líder russo para pôr fim à guerra, que começou com a invasão em grande escala da Rússia em 2022. Escreveu que seria "errado simplesmente esperar" que o conflito voltasse a chamar a atenção dos EUA. O presidente Donald Trump tem estado envolvido nos esforços para mediar o fim do conflito, mas a guerra com o Irão ganhou recentemente prioridade.

No discurso no fórum económico, na sexta-feira, Putin recusou o pedido de reunião com Zelensky e reiterou a sua posição de que uma trégua apenas permitiria à Ucrânia reorganizar-se. Afirmou que só terminaria a guerra quando os objetivos da Rússia fossem alcançados.

A posição de longa data da Rússia é que a Ucrânia deve retirar-se das regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, que ocupa em grande parte, e abandonar os esforços para aderir à NATO. Mas a Ucrânia recusa-se a ceder qualquer território, argumentando que as concessões a Moscovo a encorajariam a invadir novamente no futuro.

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