São milhares de milhões de dólares perdidos para ambos os lados, mas agora pode ficar tudo resolvido com a aproximação Casa Branca-Kremlin
O presidente da Rússia ordenou que o seu gabinete comece a preparar o regresso das empresas ocidentais, numa decisão que marca mais um passo no sentido de um fim próximo da guerra.
Este é um assunto que tem estado na ordem do dia em Moscovo, sendo que até a imprensa já faz artigos deste género, incluindo com sondagens sobre a vontade dos russos em ver o regresso destas marcas.
É mais um sinal da reaproximação entre Estados Unidos e Rússia, sendo que algumas das marcas de que os russos mais têm saudades são norte-americanas, como é o caso da Apple.
Esta sexta-feira, Vladimir Putin afirmou que quer que as empresas russas tenham “certas vantagens” sobre “aqueles que vão regressar ao mercado”, no que está a ser visto como uma vingança contra as marcas ocidentais, muitas das quais deixaram a Rússia nas primeiras semanas seguintes à invasão da Ucrânia.
De acordo com a Universidade de Economia de Kiev, 472 empresas deixaram o mercado russo, sendo que outras 1.360 modificaram a sua presença. De acordo com o Kokoc Group, um serviço russo de análise de mercado, a Rússia espera que cerca de 350 dessas marcas possam regressar já este ano, muitas delas três anos ou mais depois de terem deixado o país.
Kirill Dmitriev, russo que é líder de um fundo soberano que ajudou a organizar as conversações de paz entre Estados Unidos e Rússia na Arábia Saudita, indicou que só as empresas norte-americanas perderam (324 mil milhões de dólares) com a saída daquele mercado, aonde agora se espera que regressem paulatinamente. A Universidade de Economia de Kiev tem números diferentes: 52 mil milhões de dólares foi a perda total de bens que as empresas norte-americanas tinham na Rússia, sendo que a faturação dessas mesmas empresas terá sido, segundo as contas do mesmo instituto, de 36 mil milhões de dólares entre 2021 e 2023.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, avisou que as empresas ocidentais só devem regressar à Rússia para setores em que "não haja risco para a economia".
