Vladimir Putin anuncia mobilização militar parcial. "Temos muitas armas em nosso poder, não estamos a fazer bluff"

21 set, 07:24

Líder russo mencionou pela primeira vez, de forma explícita, a ameaça do uso de armas nucleares

O presidente russo Vladimir Putin anunciou esta quarta-feira a mobilização militar parcial dos cidadãos da Rússia na reserva, naquele que foi o primeiro discurso à nação desde o início da guerra na Ucrânia.

"Devemos apoiar a proposta do Ministério da Defesa sobre a mobilização militar parcial. Só mobilizaremos os cidadãos atualmente na reserva, que têm experiência e serviram no Exército, e têm certas profissões e capacidades. Antes de serem mobilizados, terão treino militar adicional, com a experiência da operação militar especial em mente". Putin garantiu que o decreto já foi assinado e que a mobilização começará já esta quarta-feira.

O presidente russo mandou um aviso alarmante aos representantes de países da NATO que "falam em atacar a Rússia com armas nucleares", sendo que esta foi a primeira vez que Putin falou deste tipo de armamento explicitamente: "Quero dizer ao Ocidente: temos muitas armas em nosso poder, não estamos a fazer bluff. O nosso país também tem meios de ataque, mais modernos do que a NATO. Se a defesa da Rússia estiver em perigo utilizaremos todos os meios ao nosso alcance para resolver o problema. Podem ficar descansados: utilizaremos todos os meios, repito, todos os meios que sejam necessários". 

O líder do Kremlin começou por se dirigir a todas as pessoas “unidas pela Grande e Histórica Rússia” e falou das medidas “desnecessárias para garantir a segurança e integridade territorial da Rússia”. Num duro ataque aos inimigos, acusou o Ocidente de impedir o desenvolvimento de “centros independentes para impor a sua vontade sobre outros países e povos” e de promover o “sentimento anti-Rússia”.

“Tornaram os ucranianos em carne para canhão, organizaram o terror contra as pessoas que recusaram o seu poder. O regime de Kiev utilizou escudos humanos, cometeu atrocidades na regiões libertadas”, acusou Putin.

Vladimir Putin voltou a justificar a invasão da Ucrânia, referindo que a “operação militar preemptiva foi a única solução face ao inevitável ataque à ‘Crimeia russa’ e ao Donbass”. "O seu objetivo é libertar o Donbass. A República Popular de Lugansk já foi quase totalmente libertada, e a ação prossegue na República Popular de Donetsk", sublinhou.

"Estamos cientes que a maioria das pessoas que vivem nos territórios libertados dos neonazis, que são terras históricas da Nova Rússia, não querem viver sob o regime nazi, viram as atrocidades nessas regiões", considerou o presidente russo.

Referindo que as forças russas estão "passo a passo" a "libertar os territórios" e a "limpar as cidades dos neonazis", o chefe de Estado voltou a tecer duras críticas aos inimigos, acusando o Ocidente de "minar o processo de paz". "Em Istambul, os representantes de Kiev reagiram bem às nossas propostas, mas a resolução pacífica do conflito não agradava ao Ocidente, e mandaram destruir os acordos e mais armas foram enviadas para a Ucrânia. Começaram a chegar voluntários treinados pela NATO à Ucrânia", disse.

Putin admitiu ainda a participação de "soldados profissionais" na guerra, e elogiou fortemente os combatentes voluntários das regiões separatistas, assegurando que lhes irá conceder estatuto legal igual aos dos soldados russos.

"Nas Forças Armadas, há pessoas de várias etnias, voluntários, são verdadeiros patriotas. O Governo e o Ministério da Defesa foram por mim instruídos para definir o estatuto legal destes soldados das repúblicas separatistas, que deve ser o mesmo dos soldados russos", anunciou.

Ministro da Defesa anuncia mobilização de 300 mil pessoas

Pouco depois do discurso do presidente, o ministro da Defesa Sergei Shoigu anunciou os detalhes da mobilização parcial.

Citado pela Reuters, o ministro disse que 300 mil pessoas iriam ser mobilizadas, e garantiu que as pessoas que serviram enquanto recrutas e os estudantes não iriam ser chamados. "Temos grandes recursos, cerca de 25 milhões de pessoas. Esta mobilização emprega apenas 1% destes 25 milhões", afirmou.

Sergei Shoigu deu também um novo balanço de soldados russos mortos desde o início da guerra, apenas o terceiro desde 24 de fevereiro. No total, a Rússia reconhece ter perdido 5.937 combatentes.

O ministro disse ainda que a Rússia está "a lutar contra o Ocidente na Ucrânia".  "Quase toda a rede de satélites da NATO está a trabalhar contra a Rússia na Ucrânia. Estamos a testemunhar ataques de armas ocidentais contra civis, a comandantes ocidentais sentados em Kiev estão a controlar as operações".

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