Vários países da NATO podem enviar soldados para a Ucrânia, alerta antigo líder da aliança

8 jun 2023, 08:49
Arseniy Yatsenyuk e Anders Rasmussen

Caso não seja definido um caminho claro para a adesão da Ucrânia na NATO, alguns membros poderão agir individualmente, alerta Anders Rasmussen

Vários países da NATO admitem a possibilidade de enviar soldados para solo ucraniano, caso os membros da Aliança Atlântica não sejam capazes de acordar garantias de segurança suficientes para Kiev durante a próxima cimeira, em Vilnius, avança o antigo secretário-geral da organização em declarações ao The Guardian.

“Se a NATO não conseguir chegar a um acordo sobre um caminho claro para a Ucrânia, há uma possibilidade clara de que alguns países individualmente possam tomar medidas. Nós sabemos que a Polónia está bastante focada em dar a assistência necessária à Ucrânia. E não podemos excluir a possibilidade de que a Polónia queira tomar medidas ainda mais duras a nível nacional, seguido pelos países Bálticos, talvez isso inclua a possibilidade de enviar tropas para o terreno", admite Anders Rasmussen. 

De acordo com Rasmussen, que atualmente trabalha como conselheiro para o presidente Zelensky, este grupo de países não aceitará que o tema da entrada da Ucrânia na NATO não esteja na agenda, no próximo encontro da aliança, no dia 11 de julho. 

Estas declarações surgem numa altura em que o atual secretário-geral da aliança militar garante que as garantias de segurança estarão na agenda em Vilnius, mas fez questão de sublinhar que a proteção oferecida pela aliança sob o artigo 5.º do tratado de Washington ficará restrita a membros da NATO. 

Desde o início do conflito, vários países da NATO têm enviado milhares de milhões em ajuda humanitária, militar e financeira para a Ucrânia, mas excluíram sempre a possibilidade de intervir militarmente, devido ao risco de alargar a guerra à participação de algumas das maiores potências nucleares mundiais.

A embaixadora norte-americana na NATO, Jullianne Smith, confirmou que os países estão a estudar “uma série de opções” para aprofundar a relação de cooperação entre a Aliança Atlântica e a Ucrânia, embora não tenha especificado quais as hipóteses em cima da mesa.

“Eu acredito que os polacos considerariam claramente a possibilidade de ir e reunir uma coligação de países dispostos a ajudar se a Ucrânia não obtiver nada em Vilnius. Não devemos subestimar os sentimentos polacos, eles sentem que, por demasiado tempo, a Europa não escutou os seus avisos acerca da verdadeira mentalidade russa”, alerta Rasmussen.

O antigo secretário-geral da NATO acredita que os membros não devem esperar até ao final da guerra para oferecer um lugar na aliança à Ucrânia, considerando que essa postura acabaria por conceder a Vladimir Putin o poder de veto. Além disso, Rasmussen defende que o caminho para a NATO não deve conter algumas das restrições habitualmente requeridas, de forma a agilizar o processo.

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