Uma grávida, um aliado de Putin e dez estrangeiros: Ucrânia e Rússia fazem a maior troca de prisioneiros desde o início da guerra

22 set, 09:17

Troca teve a mediação da Turquia e inclui maioritariamente soldados do Batalhão Azov que foram capturados durante o cerco a Mariupol

A Ucrânia e a Rússia realizaram na noite desta quarta-feira a maior troca de prisioneiros de guerra desde 24 de fevereiro, quando começou a invasão decretada pelo presidente Vladimir Putin.

De acordo com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, 215 pessoas regressaram à Ucrânia, sendo que entre elas estão vários comandantes e importantes figuras do braço militar ucraniano Batalhão Azov, e que durante dias a fio tentaram resistir ao cerco russo na fábrica Azovstal, em Mariupol.

Segundo Volodymyr Zelensky, entre os prisioneiros trocados estão ainda 10 cidadãos estrangeiros de Reino Unido, Estados Unidos, Marrocos, Suécia e Croácia, que "vão regressar a casa com a mediação da Arábia Saudita", segundo o presidente ucraniano.

O Quartel-Geral de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra da Ucrânia confirmou estes números, adiantando ainda que dois civis também foram salvos. Aquela entidade divulgou uma lista com os 215 nomes, dos quais fazem parte importantes figuras do Batalhão Azov como Denys Prokopenko, Yevhenii Bova ou Lev Pashko, que estão entre os cinco comandantes que  agora vão ser transportados para a Turquia, que, segundo o presidente ucraniano, terá ajudado na mediação da troca.

"Os cinco comandantes vão ficar em condições confortáveis na Turquia, onde vão ficar até ao fim da guerra. Agradeço sinceramente ao presidente Erdogan pelo papel de liderança na libertação das nossas pessoas", disse o presidente ucraniano. O presidente da Turquia já tinha revelado à PBS que uma troca de cerca de 200 prisioneiros iria ocorrer nos próximos dias.

Um dos soldados libertados é Mykhailo Dianov, cuja imagem se tornou viral durante a resistência dentro da Azovstal.

Entre os prisioneiros de guerra que regressaram em segurança à Ucrânia também estão Kateryna Polishchuk e Maryana Mamonov, duas mulheres capturadas durante o cerco a Mariupol. A primeira, uma cantora ucraniana conhecida por "Pássaro", serviu na Azovstal até à queda do complexo como paramédica, tendo ficado conhecida por cantar para os combatentes que resistiam no local. A segunda, uma médica que ajudou os militares feridos durante o cerco à cidade, está grávida de oito meses, sendo que informações recolhidas pela Ucrânia no início do mês davam conta de que estaria presa em Olenivka, na região de Donetsk, num local onde morreram dezenas de prisioneiros depois de um ataque cuja verdadeira autoria ainda está por confirmar - ambos os lados se culpam mutuamente.

Entretanto o Ministério da Defesa da Ucrânia divulgou imagens de alguns dos prisioneiros a regressarem ao lado ucraniano.

Em sentido contrário, a Rússia recebe 55 prisioneiros de guerra, incluindo Viktor Medvedchuk, um antigo deputado ucraniano que é pró-Rússia, e que foi acusado por Kiev de alta traição, tendo sido capturado em abril. Logo na altura, Volodymyr Zelensky sugeriu incluir o homem numa troca de prisioneiros, mas Vladimir Putin recusou.

O Kremlin confirmou que 55 combatentes foram libertados durante a troca de prisioneiros ocorrida na madrugada. Em comunicado, e após o porta-voz Dmitry Peskov ter recusado comentar a troca de prisioneiros efetuada com a Ucrânia, Moscovo informou que 55 combatentes russos e pró-russos foram libertados durante o processo.

"Todos os militares foram entregues no território da Federação Russa por aviões de transporte militar e encontram-se em instituições médicas do Ministério da Defesa da Rússia", pode ler-se no comunicado, citado pelo The Guardian.

No entanto, o comunicado não menciona se Viktor Medvedchuk faz parte do grupo que foi libertado.

O Batalhão Azov é um regimento especial da Guarda Nacional da Ucrânia que tem fundação em Mariupol, e que tem tido maior relevância desde 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e começou a guerra no Donbass. Declarado pelo Supremo Tribunal da Rússia como uma organização terrorista, é lá que Vladimir Putin diz estarem ucranianos de extrema-direita.

À altura da rendição da Azovstal, e segundo as contas da Rússia, estavam cerca de dois mil soldados ucranianos no local, que acabaram por ser levados para interrogatório.

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