O chefe da diplomacia ucraniana explica o sucesso recente: “Minimizámos a vantagem russa em efetivos graças à utilização de drones"
O chefe da diplomacia da Ucrânia descreveu a situação atual na frente de combate face à Rússia como a mais favorável desde há um ano, graças aos drones e a uma defesa aérea eficaz.
“A nossa posição no campo de batalha é (...) a mais forte, ou a mais sólida, do que em qualquer momento do último ano”, afirmou Andrii Sybiha, cujas declarações estiveram sob embargo até quarta-feira.
O exército russo, que invadiu a Ucrânia em 2022, não registou praticamente nenhum ganho territorial em março, segundo uma análise da agência de notícias francesa AFP de dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).
Esta falta de ganho territorial num mês por parte das forças da Rússia acontece pela primeira vez em dois anos e meio.
“Minimizámos a vantagem russa em efetivos graças à utilização de drones”, afirmou Sybiha à comunicação social, incluindo a AFP.
Sybiha disse que o exército ucraniano consegue hoje abater até 90% dos drones e mísseis russos que visam cidades ucranianas.
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano referiu que a melhoria da situação no campo de batalha permite a Kiev reforçar a posição em negociações.
Os especialistas explicam as recentes dificuldades russas na frente de combate pelo sucesso de contra-ataques locais ucranianos, pela superioridade de Kiev no domínio dos drones e por problemas de comunicação.
Nos últimos meses, as tropas russas foram privadas dos terminais Starlink, que fornecem acesso à internet por satélite, enquanto o Kremlin (presidência russa) procura proibir totalmente a aplicação de mensagens Telegram.
Sybiha disse ainda que a Ucrânia solicitou ajuda à Turquia para organizar um encontro entre os presidentes ucraniano, Volodymyr Zelensky, e russo, Vladimir Putin.
“Somos a favor de um encontro, de modo a dar uma nova dinâmica” aos esforços de paz, referiu o ministro ucraniano.
“Dirigimo-nos especificamente aos turcos. Mas se outra capital, à exceção de Moscovo e da Bielorrússia [Minsk], organizar tal encontro, nós iremos”, acrescentou.
Os esforços diplomáticos para pôr fim ao conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) estão num impasse, com a guerra no Médio Oriente a desviar a atenção dos Estados Unidos, que iniciaram uma mediação entre Kiev e Moscovo.